quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Marcelo Ventura

Marcelo Rebelo de Sousa precisava que alguém o ajudasse a terminar o seu mandato com um mínimo de dignidade, diria eu, parafraseando o outro.


É claro, desde há muito, que Marcelo fica muito sentido com a opção de Montenegro manter as relações institucionais num registo sem falhas, ao mesmo tempo que limita essas relações estritamente ao necessário para que assim seja (pelo menos é o que me parece).


Montenegro, aparentemente, não informa Marcelo de nada que não seja estritamente necesssário, desde que tenha alguma relevância (como eu o compreendo), nem cultiva uma especial proximidade com Marcelo (como eu o compreendo, ainda melhor, todos conhecemos a história do escorpião que convenceu o sapo a tranportá-lo para o outro lado do rio).


O resultado é o esperado, com Marcelo, naquela sua maneira ínvia de ser, a torpedear Montenegro de todas as maneiras que consegue, que são poucas porque formalmente o presidente tem pouco poder e porque Marcelo se encarregou de dissolver a sua autoridade moral, ou o seu poder difuso, como se lhe queira chamar.


Neste braço de ferro, Montenegro tem as regras do seu lado, e tem o tempo do seu lado: Marcelo deixa de ser presidente dentro de semanas, e desbaratou todo o poder que poderia ter como ex-presidente.


Talvez isso explique a venturização de Marcelo, especialmente evidente nas visitas que tem feito à zona impactada pela tempestade da semana passada, ultrapassando todos os limites, ao ponto dos chefes das duas maiores empresas de comunicações chegarem ao ponto de fazer comunicados escritos em que pouco falta para chamar idiota ao presidente da república.


Eu compreendo-os, e ao presidente da REN que preferiu outra abordagem, mas a mesma distância, em relação às declarações manifestamente populistas de Marcelo sobre o facto de ser preciso tempo para repor o funcionamento das redes de electricidade, comunicações e, consequentemente, o abastecimento de água.


A comunicação difícil da Ministra da Administração Interna não tem um décimo da importância da falta de respeito de Marcelo pelos milhares de trabalhadores que, em condições meteorológicas muito adversas, estão a fazer das tripas coração para repor, o mais depressa possível, o serviço das redes cuja infraestrutura foi profundamente afectada pela tempestade.


Um bom contributo de Marcelo para eleger Seguro, esta demonstração da inutilidade de um presidente da república populista, ou melhor, do carácter corrosivo que um presidente populista pode ter sobre o funcionamento das instituições, quando acha que a sua popularidade é mais importante que a coesão social.

17 comentários:

  1. Como diria o meu avô paterno, nunca mejor dicho !


    E os comunicados das empresas de telecomunicações, deviam fazê-lo corar de vergonha, havendo-a em quantidade suficiente.


    Cumprimentos 

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  2. pelo que se tem visto o ''beijoqueiro'' atual vai ter novo sucedâneo.

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  3. Sabe o que me parece? Se esta devastação a que temos assistido  tivessse acontecido 2 dias antes das eleições de 18/Jan. tudo teria mudado. Quem estaria agora a dispiutar a 2ª volta seria o candidato com mais aptidão operacional, técnica e logística e que soubesse coordenar em grande escala. Alguém com capacidade operativa para mobilizar em prontidão para o terreno os recursos necessários. 
    Sempre achei que o Almirante Gouveia e Melo era o homem com o perfil certo e necessário para pôr a funcionar este país esburacado onde as instituições falham, tudo se esboroa, com serviços descoordenados e nada funciona.
     
    Há dias caíu-me o queixo ao saber que as ambulâncias não chegam a tempo para socorrer doentes urgentes, porque ficam "presas"  em longas filas de espera à porta dos Hospitais com outros doentes que deviam ser retirados à chegada e assim libertarem as ambulâncias. Mas o que acontece é que ficam todos retidos na fila, a aguardar horas intermináveis, simplesmente porque dentro dos hospitais não existem macas (ou camas de campanha improvisadas) para onde esses doentes possam ser mudados!!! 
    Parece-me que a solução é quase como a do ovo de Colombo! E há muitos mais exemplos destes, por incúria, por descoordenação, por desmazelo e desinteresse. É um país abúlico, onde não há vontade. Ninguém é capaz de dar um murro na mesa _ de indignação_  e levantar o rabo burocrático da secretária para ir calcorrear o terreno,para  ir ver e conhecer o país real e saber o que se precisa e como se faz a prevenção e como se actua numa eventual tragédia.
     Parece-me que de todos os figurões dos cartazes que tínhamos à escolha em Janeiro, o único que tinha o perfil adequado para as necessidades do país, era um "operacional", um homem de acção habituado a agir sob pressão e treinado a vida inteira a gerir crises. Não é impunemente que se chega ao posto de Almirante.
    Agora não vale a pena chorar pelo leite derramado. 
    Vamos certamente ter um PR que diz saber resolver as crises/problemas. E como o fará?  Pois diz ele,  com muitos consensos, alargados, claro (!) muito diálogo, muitas reuniões, atenuando as discordâncias (!) fazendo pontes com todos a darem as mãos cantando o «Imagine». 
    E no fim, quando a catástrofe nos bater à porta? Ora! Invoca-se a Sta Bárbara!!!

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  4. Do popularucho, incontinente mental e verbal Marcelo, ao cinzento Seguro. Para ir acabando devagarinho, como dizem os enfermeiros militares quando administram a mesericordiosa injeção de morfina aos moribundos.
    Ventura, o irrequieto, é a caução Segura, para tudo siga tranquilamente e em Segur(o)ança a trajectória descendente ...

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  5. «Marcelo Ventura»... porquê?


    Acaso o líder do Chega, e candidato presidencial, alguma vez mostrou «

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  6. Completamente de acordo.


    Muito bom este texto 


    Subscrevo integralmente.

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  7. O  Sr. Almirante Gouveia e Melo  cometeu dois erros palmares : despiu a farda e , pèssimamente aconselhado, permitiu que o rebaixassem ao nível dos "pulhíticos palradores
    ", talvez a "categoria social" mais odiada no país (  logo seguida pela prostituído "Jornalismo" ).
    Juromenha

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  8. Analise correta em tempo certo da atuação do pior Presidente da  República desde 1974, nesta crise provocada por fenómenos da natureza que nunca tinham acontecido em Portugal Continental com esta intensidade e extensão.  


    Eleger um comentador populista intriguista e catavento(segundo Passos Coelho)  para funções de alta responsabilidade só podia dar nisto e naquilo que assistimos ao longo de um calvário de 10 anos, uma completa menorização e rebaixamento do cargo de Presidente da República. 


    Nem agora quando felizmente chegou ao fim o seu mandato o consegue terminar com alguma dignidade. Criticar o esforço das empresas com milhares de trabalhadores no terreno que ao longo destes dias em condições temporais muito agrestes e severas têm dado o seu melhor para repor os serviços arriscando a vida e a saúde é indigno é o populismo no seu pior.


    O meu agradecimento ao esforço das empresas e trabalhadores envolvidos nos trabalhos de reposição de estruturas e serviços que são essenciais na nossa vida quotidiana e que num ápice foram destruidos pela natureza em fúria, eles são os heróis dos dias de hoje.

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  9. Tem toda a razão, caro Juromenha 


    O Almirante nunca se deveria apresentar á Nação sem o Uniforme.


    Aquele Uniforme diz sem equívocos, aos Portugueses,que ele, como Militar, mesmo na Reforma; 


    "É muito mais do que ele".


    Eu sei que os Portugueses sabem, mas há coisas que nunca é de mais lembrar 

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  10. Sim, Gouveia e Melo seria sem dúvida um Presidente incomparavelmente melhor do que qualquer um dos dois candidatos agora na 2ª volta. 
    A massa eleitoral clubísitica, partidária PS/PSD falou. Terá, tem o que merece.
    Ps. Entretanto a realidade é que "o mundo dá muitas voltas" ....

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  11. Eu conheço pouco, mas muito pouco sobre a nossa Constituição. Mas, pelo que leio, velo que há amigos, que ainda conhecem menos  do que eu. Daquilo que conheço de André Ventura e de Gouveia e Melo, que também é muito pouco, se quisessem respeitar a Constituição, seriam 1ºs ministros e não PR´s(escuso-me de qualificar). Era até função que enjoariam rapidamente. Em relação ao Almirante, todos os elogios que lhe são dirigidos, pelas funções, que exerceu(Marinha e Covid), são de um PM e não de um PR. 

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  12. Muito bom texto de HPS. 
    Também a mim me custa a falta de respeito da personagem, pelos milhares de trabalhadores, militares, forças policiais, bombeiros e populares que dia e noite tudo fazem para reparar os danos. 
    Sua excelência, pressionado pelo pior que Portugal tem, a mais impreparada, facsiosa e incompetente comunicação social que há memória, diz o que lhe vem à cabeça só com um único objectivo, massacrar Montenegro. 
    Acaba o mandato sem honra nem glória e não deixa saudades 

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  13. Estamos é mal habituados a ter PR's inoperativos, que adoram aparecer e que entram em delírio quando têm à mão uns pés de microfone. Pois a mim não me parece que o Almirante (não tendo dotes especiais de eloquência) estivesse disposto a servir de ornamento, sentado à secretária, à espera do chauffeur para o transportar. 
    Parece-me que era homem para fazer exigências ao governo (a qualquer governo) para pôs a funcionar esta "traquitana" desconjuntada em que o país se transformou. É este o entendimento que o Almirante tem da chamada "magistrutura de influência".  Entende isso e faria mais: sendo um homem de acção, qua não anda a arrastar os pés, não permitiria que caísse em saco roto o que ficasse acordado e prometido nas suas reuniões semanais com o 1ºMinistro. Nessas reuniões entre ambos, costumam acertar-se agulhas _ depreendo eu!. Por isso tenho  a certeza que o Almirante agarrava nas botas e ia ele próprio  no terreno, para  como tudo estava a ser conduzido e executado. E queria resultados!!!. Sim, a "magistratura de influência" exercida pelo PR, seria de facto assim, ou deveria sê-lo, embora   não tendo funções executiva. Mas pode e deve  obrigar / pressionar a sair do papel o que o executivo delineou no seu programa. È pois obrigação do PR  incentivar os governos, criar as melhores condições para maximizar a  do seu projecto. Numa palavra: levar o governo a cumprir o seu projecto e as suas promessas. E se não souberem  executà-los, o proprio PR com a sua longa experiência seria homem capaz de se envolver ( no sentido de ajudar a organizar) até que "a obra nasça", i.e., à sua concretização. 
     Não é homem para se conformar com gente "lenta" e incompetente que não apresenta resultados , num constantr "deixa andar" empurrando os problemas com a barriga,  como nos habituaram há décadas. 

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  14. Caro Anónimo 11:31


    Bom Retrato


    Apanhou a traço rápido mas bastante  preciso e exacto, a essência do Personagem 


    Muito bom texto 


    Parabéns 

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  15. Só sei uma coisa. Como muitos, também escreverei no boletim de voto no domingo : Volta, Passos Coelho. 

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  16. Ações inuteis são efetuadas por inuteis.

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