A Senhora Presidente da Junta de Freguesia de São Simão de Litém ganhou uma fama instantânea com as suas diatribes contra o mundo e a sua conclusão: aqui ninguém vota porque eu não deixo.
Saltemos por cima da falta de rigor do jornalista que insiste em caracterizar uma freguesia com um lar de terceira idade em funcionamento com base num gerador, e o PT a injectar energia na rede mais próxima como sendo uma freguesia totalmente às escuras, sem água, sem energia e sem comunicações, e concentremo-nos na Senhora Presidente da Junta, que, apesar de ser eleita pelo PSD, é uma ilustração perfeita do uso da histeria como método político, chegando à mesma conclusão de André Ventura: o voto não é um direito fundamental, a ser exercido porque quem quiser nos termos da lei, mas uma formalidade que deve ser suspensa por razões definidas discricionariamente por políticos directamente interessados nos resultados das eleições.
A entrevista decorre no centro de Pombal, portanto, podemos concluir que as estradas estão suficientemente desimpedidas para a Senhora Presidente da Junta se deslocar a Pombal para falar para uma televisão.
Logo, não parece haver qualquer impedimento para a deslocação a uma mesa de voto no Domingo.
Com base em afirmações maximalistas (os nossos políticos não vêm ao campo, os nossos políticos não sabem o que se está a passar no terreno, diz a política local que ganhou as eleições para a Junta de Freguesia) acha-se no direito de impedir os seus eleitores de votar porque é ela que tem a chave da porta onde se localiza a mesa de voto.
Não vejo ninguém da E-Redes, não há ninguém, ninguém, estamos abandonados, diz primeiro, para depois dizer que foram pôr um gerador a injectar energia num raio de 200 metros do PT (fazendo as contas, πr2, poderia dizer que há electricidade nos 12 hectares centrais da freguesia, porque alguém que a Senhora Presidente não viu, foi lá pôr e operar um gerador).
As pessoas da minha freguesia não sabem o que se está a passar no mundo, diz a Senhora Presidente que está a dar uma entrevista a uma televisão em que fala de um lar a funcionar com 52 pessoas e apoio domiciliário que continua a ser feito.
É a falta de luz, é a falta de luz, e a água que ainda não chegou a todos os pontos, diz.
O jornalista não terá ouvido esta informação, por isso, à Ventura, diz que a freguesia não tem água, quando afinal o problema é que ainda não chegou a todos os pontos, sendo evidente que se o lar continua com 52 pessoas, é porque tem água, doutra forma, teriam sido evacuados, não é, senhor jornalista?
Em São Simão eu soube que passou o primeiro ministro porque alguém há bocado me disse que tinham visto o primeiro ministro e que tinha acontecido um aparato (que a Senhora Presidente de Junta não viu, ou o aparato era pequeno, ou a Senhora Presidente de Junta estava noutro lado qualquer, como é natural).
Montaram tendas os militares e depois de passar o Primeiro Minsitro (que a Senhora Presidente de Junta não viu, note-se) tudo foi desmontado e foram atrás do Senhor Primeiro Ministro.
Como a Senhora Presidente de Junta não estava lá, só soube porque alguém lhe disse, ficamos sem saber por que razão andam militares a montar e desmontar tendas atrás do Senhor Primeiro Ministros, mimetizando a célebre viagem de Catarina da Rússia a Odessa, até porque o único relato que existe dessa prática seja o que resulta de alguém ter informado a Senhora Presidente da Junta de que tal tinha sucedido.
Enfim, vai longo o post e onde queria chegar é aqui: Ventura apoia-se em relatos fantasiosos destes (não é que não existam problemas graves, a fantasia está em afirmar-se que ninguém está a fazer nada) para propor restrições ao direito de voto, Marcelo acha que haver casas e estruturas inundadas no leito de cheia do Sado justifica a restrição do direito de voto no Torrão (o adiamento de uma eleição é, objectivamente, uma restrição ao direito de voto, que em circunstâncias excepcionais se pode justificar, claro) e os jornalistas, em vez de perguntar como é possível que funcione um lar de terceira idade com 52 pessoas numa aldeia totalmente abandonada, sem água, electricidade e comunicações, prefere perguntar à Senhora Presidente de Junta se acha que é negligência ou abandono, não tendo o menor interesse nos factos.
É também por isso que histeria funciona razoavelmente como método político.
se este país fosse um mínimo civilizado não apareciam: autarcas, sindicalistas, políticos da oposição, jornalistas ''engajados'' e candidatos a PR a mostrar que estamos na ''idade da Pedra Lascada''.
ResponderEliminarsinto vergonha do que não ouço e vejo nas tvs quando pedalo à noite. não passam de assinalar desgraças: nada de positivo. nenhuma referência aos operários que se esforçam por facilitar o bem estar possível.
se tivesse poder requisitava civilmente todos estes elementos para trabalhar na recuperação dos estragos.
preferia não ter PR dado que temos Presidente da AR que foi eleito.
O procedimento desta presidente de Junta, embora tenha caído em desuso nos anos mais recentes, seria normal há uns trinta anos. Nesse tempo, era frequente declararem-se boicotes eleitorais, os quais não raras vezes eram funcionalmente apoiados pelas autarquias locais, como forma de protesto contra coisas que nada tinham a ver com as eleições.
ResponderEliminarPortanto, o adiamento numa semana das eleições para que mais pessoas possam votar, para que o possam fazer em simultâneo, e para que o possam fazer em condições de serenidade é "o". Receio que a avançada lógica desse raciocínio (que já ouvi hoje na rádio Observador, a um senhor jornalista muito irado, provavelmente com férias marcadas para a próxima semana) não vá ser apreendida pela maioria dos eleitores (em particular pelos residentes no centro e sul do país), que, sentindo-se, por essa razão, atrasados mentais, vão acabar por votar no Dr. Ventura. Não é o meu caso, que vivo em Lisboa, graças a Deus.
ResponderEliminar''mudam-se os tempos ...'':
ResponderEliminarFaço a justiça de acreditar que essa não foi motivação para HPS, mas que o postal tem um saborzinho a misoginia, lá isso tem.
ResponderEliminarEm concreto, quem é que não consegue votar neste Domingo?
ResponderEliminarA boçalidade habitual da generalidade dos autarcas, e tão do agrado dos seus munícipes e imprensa. Mostra uma atitude forte, firme e decidida na defesa das populações... acham eles. Eles é os jornalistas que dão eco acrítico à performance.
ResponderEliminarMais Pessoas deviam votar em André Ventura para ver se os "Políticos Responsáveis" ganham juízo.
ResponderEliminarOs "Políticos Sérios" estão a precisar duma lição; um período de descanso longe dos tachos para refrescar ideias.
Já perguntava a outra senhora: e em concreto, porque é que não comem brioches?
ResponderEliminarObrigado pela resposta, bem elucidativa
ResponderEliminar["...
ResponderEliminarHá sempre quem precise de um boneco (ou de fazer aspas com as mãos) para perceber quando o significado visado por um trecho é precisamente o oposto do seu significado literal.
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ResponderEliminarDa última vez que alguém subiu ao poder para dar lições aos "Politicos Sérios" e acabar com os tachos foram 48 anos para eles e nós ganharmos juizo, pelos vistos há quem ache pouco ou não percebeu e queira repetir a aprendizagem.
ResponderEliminarO hps tem toda a razão.
ResponderEliminarEsses são os que viram os seus direitos de voto restringidos administrativamente pelos senhores presidentes de câmara (um deles teve o bom senso de recuar e, afinal, faz eleições neste Domingo).
ResponderEliminarA minha pergunta é quantos é que estão fisicamente impedidos de votar, porque os eleitores do Torrão poderiam perfeitamente votar se não fosse a decisão precipitada, e influenciada pelo maquiavelismo de Marcelo, da Senhora Presidente de Câmara de Alcácer.
Uma coisa é reconhecer que não há condições para votar numa determinada mesa de voto, outra coisa é a Senhora Presidente de Câmara de Alcácer achar que porque as pessoas que vivem no leito de cheia do Sado foram afectadas por uma cheia (que grande novidade) os eleitores do Torrão ou da Freguesia de Santa Maria do Castelo não devem votar neste Domingo, como é seu direito.