quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Pessoas

Desde o princípio (não quer dizer que será sempre assim, até porque a discussão é recorrente) a Montis decidiu não ter programas de educação ambiental tal como é habitual nas organizações de conservação, numa lógica expositiva, indo às escolas, etc..


Para além da facilidade com isso consome recursos sem que se consigam perceber que resultados decorrem desse esforço, a ideia central é de que não vale a pena tentar transmitir o que a Montis pensa sobre conservação, entre outras razões, porque a Montis não pensa nada, os seus sócios, na sua diversidade, pensam, e não pensam todos da mesma maneira.


A opção foi noutro sentido: trazer as pessoas para as nossas propriedades para que, ao trabalhar na sua gestão, formassem as opiniões que quisessem sobre a bondade do trabalho, o que se poderia fazer diferente e melhor, o esforço necessário para fazer alguma coisa, a contingência dos resultados, etc..


Desde sempre se procurou, devo dizer, com resultados que não classificaria como decepcionantes mas, ainda assim, longe do que se gostaria, manter programas de voluntariado activos, com diferentes públicos e diferentes características, mas sempre, sempre subordinados à ideia que a melhor forma de educar com objectivos de conservação é experimentar gerir.


Por exemplo, olhando para este post do início deste Outono, vemos uma fotografia de algumas pessoas e ficamos a saber que foram plantadas 89 árvores. Acresce que, não diria este ano, que tem corrido húmido, mas em anos de seca anteriores, as taxas de sucesso destas plantações andavam perto dos 10% (hoje penso que são maiores, aparentemente temos aprendido alguma coisa).


O trabalho voluntário (ver, por exemplo, o post mais recente do blog), tirando situações relativamente raras, infelizmente, como a da Sara, é um trabalho razoavelmente ineficiente, exige recursos para a captação de voluntários, exige recursos para o acompanhamento de voluntários, ou seja, acaba por ser mais caro que o trabalho profissional.


Claro que há valor de conservação associado ao trabalho voluntário, as tais 8 a 10 árvores que possam sobreviver das 89 plantadas representam uma enorme aceleração do processo de alteração da paisagem do baldio de Carvalhais, porque se trata de matos contínuos, com muito poucas fontes que permitam o aparecimento de novas plantas por semente, e ter mais dez árvores (não se enganem, ao fim de dez anos de trabalho, o número de árvores novas nos cem hectares que estão sob gestão da Montis é já muito grande, ainda são relativamente novas, muitas ainda não produzem novas sementes, mas seriam precisos muito anos para chegar, sem ajuda, ao ponto em que estamos) representa o ganho de vários anos de evolução em relação ao que seria a expansão natural que está, sem dúvida, a ocorrer.


Só que não é esse o verdadeiro valor do trabalho voluntário, a razão central pela qual a Montis tem investido bastante nos seus múltiplos programas de voluntariado é diferente e bem mais prosaica.


O que se pretende é criar oportunidades para que muitas pessoas possam gerir paisagens com a sua cabeça e as suas mãos, para que tenham as opiniões que quiserem sobre conservação da natureza, só que mais informadas, com os pés na terra e sabendo o que custa gerir, à custa do seu próprio esforço.


A mim parece-me uma razão mais que suficiente para que parte do trabalho de gestão da Montis seja feito por voluntários, mesmo que fique, como fica, bastante mais caro que pagar a profissionais.

3 comentários:

  1. Tanto quanto se percebe vocês não são uma associação ambientalista.


    Só isso já vos faz merecedores de um grande Bem Hajam


    Força, plantem bastante e mantenham as plantas felizes







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  2. não sei até que profundidade o solo é do proprietário. o solo sem aptidão agrícola necessita lavoura funda e a plantação em curvas de nível para evitar erosão. por falta de tempo vendi há anos plantação mista de eucaliptos, pinheiros e sobreiros. 

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  3. Para se obter uma taxa de sucesso superior a 10% na plantação de árvores é preciso adubá-las generosamente aquando da plantação. É também crucial limpar o terreno à volta das arvorezinhas pelo menos uma vez de dois em dois anos durante os seis anos após a plantação; caso contrário, os arbustos e ervas rapidamente abafam as arvorezinhas. E é preciso voltar a adubar o terreno mais um par de vezes durante esses seis anos.
    Só plantar sem colocar adubo nenhum e depois ir embora, não serve de nada.

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