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Comecemos por reconhecer a particularidade de o pensamento político português no século XX ser profundamente marcado pela questão monárquica, na ressaca duma revolução republicana e da violência tirânica que se lhe seguiu, mas também da experiência traumática da decadência do liberalismo que culmina em 1908 com a brutal decapitação da monarquia pela atrocidade do terrorismo. O poder cairia na rua, e durante quase dezasseis anos seguidos prevaleceria um clima de guerra civil às mãos dos radicais republicanos e suas milícias.
Ora, a prevalência do debate e pensamento político produzido em Portugal na primeira metade do século XX, conhecido como Integralismo Lusitano, é um caso à parte na cena europeia. Inspirado no tradicionalismo monárquico de Charles Maurras, no contexto político português actual a sua evocação ganha uma nova densidade quando se observa o seu núcleo monárquico. António Sardinha, Hipólito Raposo, Alberto Monsaraz, João do Amaral, José Pequito Rebelo e Almeida Braga pensaram o integralismo como uma reacção orgânica e comunitária à erosão da tradição, tendo a monarquia como pedra angular de um modelo alternativo ao centralismo, ao individualismo e ao materialismo do liberalismo moderno.
Para António Sardinha, a monarquia não era apenas uma forma de governo, mas a expressão mais acabada da continuidade histórica portuguesa, um “regresso às fontes vivas da Pátria”. Defendia que só uma monarquia tradicional poderia garantir a harmonia entre poder central e autonomia local, abrigando a pluralidade municipalista que distinguia a tradição lusa. Hipólito Raposo ia além, afirmando que a monarquia “é a instituição suprema que recolhe e representa o sentimento nacional, acima dos interesses transitórios das facções”. A defesa do município, neste contexto, não se opunha ao trono, mas encontrava nele o garante da descentralização e da verdadeira liberdade das comunidades.
No pensamento integralista, o ideal monárquico entrelaça-se com a centralidade da família e do cristianismo. Monsaraz frisava que “a monarquia é a família ampliada”, sustentando que a estabilidade social repousa sobre vínculos de sangue, tradição e fé — elementos reforçados pelo trono, que dessa lógica é primeiro exemplo. João do Amaral evocava a monarquia como “escudo e espelho dos lares portugueses”, enquanto Pequito Rebelo insistia que “sem a monarquia cristã, Portugal perde a alma e a raiz colectiva”. Almeida Braga, por sua vez, via no cristianismo a inspiração e a legitimidade últimas da realeza portuguesa, fonte de autoridade moral e coesão nacional.
Na imagem: Da esquerda para a direita, em pé: Ruy Ulrich, Hipólito Raposo, Luís de Almeida Braga e José Pequito Rebelo; sentados: António Sardinha, Vasco de Carvalho, Luís de Freitas Branco, Xavier Cordeiro e Alberto Monsaraz.
As Monarquias Hereditárias com Regimes Parlamentares funcionam perfeitamente na Dinamarca, Suécia, Noruega e Inglaterra que por acaso são as Democracias mais livres e economicamente mais ricas da Europa.
ResponderEliminarNão só existem como parece terem o apoio e a preferência dos Povos respectivos.
ResponderEliminarA Casa Real Britânica não é nada recomendável.
Recomendo a leitura do livro Londonistão de Melanie Phillips de 2006.
ResponderEliminarO Reino Unido tem uma longuíssima tradição de pequenos e grandes "casos" no seio da Família Real.
ResponderEliminarAparentemente o Povo Britânico é complacente com a coisa, tolera-a, provavelmente sabendo, que "por mais alto que seja o trono, só se está sentado sobre o C..."
Mas quando verdadeiramente importa, os Britânicos cerram fileiras e com o Rei, são um só.
Acho que há grandeza nisso
É uma questão que diz respeito apenas e só ao Povo do Reino Unido.
ResponderEliminarE tanto quanto se percebe os Britânicos desculpam as fraquezas da Família Real, são seres humanos, mas tem um profundo respeito e afecto, por essas mesmas pessoas enquanto Instituição
desintegralismo luso:
ResponderEliminarsindicalistas
socialistas
jornalistas e comentadores
alguns presi dentes de câmara após dilúvio.
estamos entregues aos bichos.
E vice-versa
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