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Nos próximos meses a contenda vai agitar-se, a cadeira de Chefe de Estado está a vagar e há que lá sentar uma personalidade nacional que satisfaça uma significativa proporção de portugueses, capazes de o exibir na lapela. A expectativa do regime, uma ilusão benigna, é que no final da contenda todos se sintam representados por essa figura. Evidentemente que tal ensejo é irrealizável, mas todos nos conformámos com o circo. No dia seguinte ás eleições, os eleitores assistirão a um processo de erosão, de desmistificação do eleito, fenómeno que, basta consultar os jornais, se repete inexoravelmente desde o início desta terceira república. Os crachás cairão das lapelas dos adeptos, mesmo dos mais fervorosos, como folhas secas no outono. A questão está no facto das pessoas terem memória curta e por isso não discernirem que o problema não está no malabarista que ocasionalmente é inquilino de Belém, mas na arquitectura retorcida e ineficaz do regime de Chefe de Estado que nos coube em azar. Todos saberão o que eu penso do assunto, não nos detenhamos nisso.
A relativa novidade da eleição que se avizinha, é a excepcional partidarização e consequente atomização dos profusos candidatos que se propõem ir a votos. Da esquerda extrema à direita trauliteira temos protagonistas para várias sensibilidades partidárias, sendo naturalmente o centro do bolo a fatia mais cobiçada. O sectarismo das candidaturas é, no entanto, indisfarçável, facto que, tendo em conta o papel que cabe a um Chefe de Estado, de representar toda uma Nação, não deixa de ser estranho. Se não vejamos: Marques Mendes foi o candidato presidencial anunciado no congresso do PSD, e prepara-se para receber o apoio do CDS, ou seja, será o candidato da AD. Mesmo que sem apoio unânime, António José Seguro, destacado militante socialista, obteve a anuência do seu partido para tentar finalmente reconquistar o Palácio de Belém para a esquerda, de lá apeada há 20 anos. André Ventura candidata-se para aumentar a base de apoio do Chega, fazer tanto barulho quanto possível, perorar contra os ciganos e contra os imigrantes – entretenimento puro para o comentariado e para os debates. Em termos de espalhafato só lhe faria frente a Joana Amaral Dias que, no entanto, não goza de grande simpatia nos Media. A Catarina Martins caberá a ingrata tarefa de levantar as bandeiras do Hamas, das minorias LGBT, e as franjas esquerdistas do PS, entre outras micro-causas, sempre contra o "patriarcalismo reaccionário". Imaginem a mensagem de Ano Novo da presidenta Catarina Martins se ganhasse as eleições. Mais abrangente será o discurso de Cotrim de Figueiredo, mais um a disputar o centro a Marques Mendes, e a fincar o seu partido na agenda das presidenciais. Admirável é a fidelidade dos comunistas ao seu eleitorado em vias de extinção, no boletim constará orgulhoso António Filipe que se sacrifica a correr para Belém.
Desenganem-se aqueles que, por eu ser um conservador, pensam que tenho alguma predilecção por militares, fardas ou patentes. Como a história dos últimos duzentos anos nos reclama dos livros, foram mais as vezes que as suas intromissões na política deram asneira do que o contrário. Escuso de listar aqui uma interminável lista de sinistras personagens fardadas que nos fadaram a este triste destino. Não é por isso que nutro alguma simpatia pelo Almirante Gouveia e Melo, cuja candidatura emerge fora dos partidos. Se os partidos são importantes numa democracia liberal, parece-me redutor que tudo se tenha de cingir a eles e às facções que representam na vida pública. E se, na lógica “republicana”, faz sentido o presidente emergir das facções em litígio, também deveria ser natural que a sua eleição obedecesse a outra ordem de razões – nem sempre, nem nunca. Já o disse aqui há atrasado: a mim, parece-me que a figura de Gouveia e Melo é o que vislumbro de mais parecido com um Chefe de Estado independente, sóbrio, austero e patriota - o rei.
O campeonato das presidenciais definitivamente não é para mim que disso sou objector de consciência, mas entristece-me ver tanto preconceito contra o único candidato apartidário. Tiranizado o espaço público pela hegemonia partidocrata, seria uma boa surpresa para mim que o Almirante passasse à segunda volta.
Caro João Távora,
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ResponderEliminarErrado.
Se Portugal fosse uma monarquia, também não faltariam jornais e populares a dizer mal do Chefe de Estado. Veja o João Távora, por exemplo, o que se passa no Reino Unido e em Espanha (ambos países que nos são relativamente próximos em termos culturais). Em ambos os países há uma parte substancial da opinião pública e da opinião publicada que diz cobras e lagartos do rei e da monarquia.
ResponderEliminarhttps://observador.pt/opiniao/a-oligarquia-precisa-de-tres-venturas/
A única ligação concreta e real que Gouveia e Melo tem (pelo menos que é do conhecimento público) é a ligação ao comunista António Costa que o mandou fazer aquele papel no período da sabotagem da Covid.
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ResponderEliminarEu em princípio irei votar no almirante, por várias razões.
(1) Porque o Presidente não tem poderes políticos praticamente nenhuns, antes é uma figura meramente decorativa, cerimonial e simbólica, e em todos estes aspetos o almirante supera largamente os seus adversários. Alto, atlético e de olhos verdes, impressionará favoravelmente todos os contrapartes europeus.
(2) Porque, em matéria política, Gouveia e Melo já declarou que é mais para o liberal e que quer menos Estado. Tem toda a razão.
(3) Porque, em matéria de imigração, Gouveia e Melo já disse que precisamos de imigrantes e que urge acolhê-los bem. Tem toda a razão.
ResponderEliminarEstá bem. Portanto, para Rui Ramos "
É o mercado de trabaho quem controla a imigração. Não é, não deve ser, o Estado.
Deixem o mercado funcionar em paz! Não metam o Estado onde ele não é preciso!
António Filipe entra, mas é protocolo, porque o PC entra sempre e tem de marcar presença.
ResponderEliminarA Catarina Martins á Presidência ? Pois, vou ver o que diz a meteorologia para amanhã
Seguro, Marques Mendes e Cotrim vão todos apoiar o Almirante, o contrário seria suicidario.
André Ventura ?
Ora pela força das coisas ele tem de candidatar-se por ser o único anti-sistema, como aliás, se farta de apregoar.
Tem é de fazer um equilibrismo, tipo parecer mas sem muita força, porque se por uma daquelas curvas estranhas da história Ventura é eleito, acaba-se Ventura, acaba o Chega e o país vai abanar.
Mas André Ventura vai candidatar-se porque não tem outro caminho.
E a Almirante Gouveia e Melo vai ganhar por uma margem tal, que reduzirá todos os outros á dimensão de figurinhas.
A figura de chefe de Estado tem que existir, infelizmente o Ser Humano precisa de uma criatura superior idonea, imparcial, honesta, bla bla bla. Precisamos de um condutor de rebanhos uma voz de ponderação.
ResponderEliminarPois, podia ser um Rei, o pior é se nos saia um cona de sabão e isso não podiamos mudar pelo voto. Um PR muda-se, também é como um Rei, uma figura decorativa que tenta conciliar o povo.
Por mim está bem como está, só alterava para mandato unico de 8 anos.
Parece boa ideia alongar o período entre eleições, tornando em contrapartida, os mandados únicos.
ResponderEliminarPermita-me discordar. Eu sou sportinguista e liberal. E o que não falta por aí são sportinguistas comunas, conservadores, etc... Ou seja, podemos alinhar com as ideais e posições de um partido *sem que* isso nos limite as ideias.
ResponderEliminarOs PRs são dispendiosos, indispensáveis, mestres das cerimónias protocolares na investidura dos diferentes PMs. Mas no laborioso primeiro mandato têm que se esgueirar, sempre de forma protocolar, dando pancadinhas nas costas dos dois (agora 3) partidos com poder eleioral, de quem dependem para a re-eleição.
ResponderEliminarNo quando merecido segundo mandato, mais descontraídos, continuam a passear inconsequentemente o seu ego ou por aqui ou por acolá. Dispendiosos, indispensáveis como os soberanos de Inglaterra.
Almirante Reis «quando há revolução: metade aceita, metade borra-se»
ResponderEliminararrium porrium.
ResponderEliminarfarto de ver o que nunca pensei enxergar
Está a falar o candidato do Livre á Presidência.
ResponderEliminarPorque terá o homem tom tão choroso ??
Deixem o mercado funcionar. Está é boa, ó camarada Balio. Para quem passa o tempo a zurzir no marcado, e a querer controlá-lo a todo o custo, agora vem defender que o mercado deve funcionar?
ResponderEliminarRealmente, vocês esquerdistas, são de uma hipocrisia infinita. Sem vergonha na cara...
Vejamos;
ResponderEliminarSe um azul apoiar um verde isso faz do verde azul ?Se um triângulo apoiar um rectângulo isso rectanguliza o triângulo ?
Se um diabinho apoiar uma Carmelita Descalça ela passa a diabólica ?
A cor dos espinafres tem a ver com o formato das frigideiras ?
O Almirante Gouveia e Melo é Candidato; apoia quem quer desapoia quem não o quiser.
Não lhe caem de certeza os galões.
ResponderEliminarEu não passo o tempo a zurzir no mercado nem a querer controlá-lo a todo o custo.
Deve estar a confundir-me com outra pessoa.
Nope. É mesmo consigo. Discurso redondo, mole, aparentemente isento ...
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