"o potencial especulativo será ainda maior nos municípios mais baratos, onde, apesar de ali se encontrarem os preços mais baixos do mercado, os proprietários, serão incentivados, por via fiscal, a praticar valores muito acima dos que hoje se verificam" (Rafaela Burd Relva, no Público de hoje, ironicamente ao lado de um texto de Helena Roseta com o título "Habitação, choque fiscal e pensamento mágico").
É com base nestas ideias sobre economia que a mesma Rafaela Burd Relvas se escandaliza com o facto de um proprietário que arrende uma casa por 2300 euros em Vila Flor ter direitos a benefícios fiscais, apesar da renda mediana no concelho de Vila Flor ser por volta dos 330 euros (só ainda não percebi por que razão Rafaela Burd Relvas não vai a correr comprar umas casas em Vila Flor, que são baratas, para as arrendar a 2300 euros por mês, o que a tornaria milionária num instante).
Talvez esse pudor em ficar milionária alugando casas em Vila Flor por 2300 euros mês, porque é o limite superior do intervalo das rendas Maria Albertina, se fique a dever à concordância com as grandes soluções propostas por Helena Roseta para garantir o equilíbrio entre preço de habitação e rendimento: "regulação pública, conhecimento aprofundado, escrutínio cidadão e participação dos interessados".
Tudo coisas que Helena Roseta, com certeza, incluiu na lei de bases da habitação, que tem seis anos de aplicação que, como todos sabemos, teve um efeito brutal no equilíbrio entre oferta e procura em matéria de habitação.
E, quando não teve, foi porque os estúpidos dos inquilinos pagam o que os senhorios pedem, e os senhorios pedem o máximo do que o sistema fiscal define como renda Maria Albertina.
Se uns e outros, em vez de estarem a tentar resolver os seus problemas pessoais, se empenhassem, como Helena Roseta e Rafaela Burd Relvas, em garantir direitos, sem preocupação com a economia que os cria e mantém, o mundo seria muito melhor e toda a gente tinha casa decente em Portugal, cedida pelo Estado, claro.
a respeito dessas personagens lembro o de Dante:
ResponderEliminar
ResponderEliminartoda a gente tinha casa decente em Portugal, cedida pelo Estado, claro
Parece que é o que se faz em Singapura (país que tem muito boa fama): quase todas as casas são do Estado, que as cede à população.
ResponderEliminarapesar da renda mediana no concelho de Vila Flor ser por volta dos 330 euros
As novas medidas do Governo incentivarão fortemente os proprietários de Vila Flor a aumentar a renda de 330 para 400 euros: não somente ganharão mais 70 euros do inquilino, como o imposto descerá de 25% para 10%. Isto porque uma renda de 330 euros não é considerada "moderada", mas uma de 400 é-o.
Os textos e títulos das peças da Rafaela Burd são inconfundíveis no seu fervor ideológico que encara os factos e a vida real como meros empecilhos à sua missão, que não sabendo exactamente qual é, sabemos que não é informar.
ResponderEliminarE o inquilino aceitará pagar mais para o senhorio ter desconto fiscal?
ResponderEliminarÉ que sem acordo do inquilino, a renda que se recebe é zero.
ResponderEliminarClaro que o inquilino dificilmente aceitará.
Mas o meu ponto não é esse, o meu ponto é o disparate que é dar um benefício fiscal a rendas superiores a um certo valor mas não o dar às rendas inferiores a esse valor.
Parece que se quer castigar os senhorios que cobram demasiadamente pouco.