"A explicação é esta: o stock de casas novas não está a ser posto no mercado, nem de arrendamento, nem de venda. São activos financeiros que estão parqueados para investimento".
João Paulo Batalha, que não conheço a não ser do facto de ter estado num mesmo estúdio de televisão que eu quando foi do debate sobre a pequeníssima alteração da lei dos instrumentos de gestão territorial a que erradamente se chamou lei dos solos, resolveu desembestar numa defesa completamente acéfala do artigo do Público de ontem sobre habitação.
Apesar de várias pessoas lhe explicarem na sua página de Facebook, de forma simples, as razões pelas quais o artigo era puro lixo (e eu acrescento aqui o boneco que o Carlos Guimarães Pinto usou para demonstrar a tolice do que está a ser dito sobre a oferta, a título de exemplo das várias coisas que permitem dizer que João Paulo Batalha simplesmente não quer ver a realidade para não ter de mudar de ideias), continuou com uma cassette sobe os dados estarem errados ou não, e outras patetices, até que finalmente escreveu a frase que cito no início deste post.

Note-se que o problema não é João Paulo Batalha dizer disparates, todos nós dizemos, o problema é que um artigo que, no essencial, apresenta o argumento de que construir casas aumenta o preço (como alguém judiciosamente comenta, se isso fosse verdade, então demolir casas teria como efeito diminuir o preço) foi amplamente citado como sendo uma coisa séria, ao ponto de, à noite, a SIC, no seu jornal principal, repetir a estupidez, chamando um geógrafo para corroborar esta inovação brutal da teoria económica.
O terraplanismo passou a ter direito de cidade, no actual jornalismo.
Veja-se a explicação brilhante (citada no princípio deste post) dada por João Paulo Batalha para corroborar a existência de um fenómeno raro, a demonstração de que a lei da oferta e da procura não se verifica no mercado da habitação.
Constrói-se para entesourar ("activos financeiros que estão parqueados para investimento", uma frase que não diz nada, evidentemente, mas soa muito bem), ao ponto de que tudo o que se está a construir não entra no mercado da habitação, portanto, há aumento tímido de construção, mas não há aumento da oferta.
Significa, se esta hipótese for verdadeira, que não há transações no sector das famílias.
Os dados são claros, mais de 85% das transações são feitas por famílias.
Se esta hipótese for verdadeira, o crédito à habitação deve estar pelas ruas da amargura.
Azar, há 21 meses que o crédito à habitação está a crescer, sendo o aumento do mês mais recente para os quais existem dados o maior aumento do stock de crédito à habitação desde 2008, ou seja, se a hipótese de João Paulo Batalha for verdadeira, há um monte de famílias portuguesas a endividar-se loucamente para parquear activos financeiros para investimento (a frase que acabei de escrever não faz grande sentido, a compra de uma casa é, ela mesma, um investimento, mas não sou eu o responsável pelo absurdo, estou apenas a levar a sério as tolices escritas por outros sobre o mercado da habitação).
É o estado do debate sobre políticas públicas promovidas pelo jornalismo e apoiado por pessoas para quem a realidade é completamente irrelevante, face ao brilhantismo das suas ideias e à pureza moral de que se revestem.
neste novo Bangladesh de 1,6 milhões de imigrantes ainda espero ver cartazes do Chega a anunciar o regresso à palhota (pau a pique) ou as cavernas.
ResponderEliminardá gosto viver nesta republiqueta da treta e da teta.
se tivesse local para fotos ou bonecada arranjava-se muito 'metrial' disponível.
se o ridículo mata-se o país reduzia largamente a sua população.
matasse
ResponderEliminarEssa defesa do Publico e da SIC é o normal, e martelam essas utopias na cabeça das pessoas. Os fact-check andam avariados.
ResponderEliminarEstá tudo bem e nem há qualquer problema em conseguir uma habitação seja em que regime for, porque 85% das transações são feitas por familias (já agora quantas em valor absoluto), o crédito à habitação vai de vento em popa, constroem-se mais casas, MAS, os preços continuam a subir e a procura mantém-se estável e elevada, quando logicamente devia reduzir nem que fosse poucochinho porque algumas das casas contruídas deviam ter satisfeito parte da procura.
ResponderEliminarMas não, a procura continua no universo dos baixos salários que impede aceder ao universo da oferta dos preços elevados e em crescendo.
Toda a Europa já se apercebeu desta situação exceto o HPS e mais algumas sumidades da IL.
Nem sempre uma mentira por ser muitas vezes dita, passa a verdade.
Tem razão no que toca ao ridículo, V. Exa. já cá não estava.
ResponderEliminarNão seja tolo. Demonstre essas teorias estatistas com números e factos, como faz o hps, em vez de se ficar pela retórica.
ResponderEliminarA habitação tem que se reger pelas leis de mercado, e em Portugal não pode ser diferente.