O governo resolveu chamar moderadas a rendas que vão dos 400 euros a 2300.
Eu gostaria mais de lhes chamar Maria Albertina, em vez de moderadas, que acho um nome sem personalidade, mas reconheço que isso é irrelevante para a vida das pessoas, o essencial é que os impostos sobre essas rendas diminuem de 25% para 10% (no meu post anterior sobre isso cometi vários erros sobre estas percentagens mas, no essencial, os argumentos mantêm-se).
O jornalismo dominante não concorda comigo, os mais radicais acham que é uma afronta que o Governo chame a estas rendas "moderadas", em vez de "Maria Albertina", os mais moderados usam, como sempre que não querem dizer bem de uma medida de um governo de que não gostam, o velho argumento da incompetência de comunicação do Governo, bem demonstrada, dizem eles, em se chamar moderadas a rendas que estão num intervalo cujo limite superior é de 2300 euros (tendo o cuidado de nunca dizer a partir de que valor superior é que chamar moderadas a rendas que estão num intervalo que começa nos 400 euros é um erro de comunicação).
O mesmo tipo de chiquelinas mediáticas são usadas na guerra de Gaza (ontem insistiam que Nethaniahu contrariava um dos pontos da proposta de acordo de cessar fogo, quando basta ler o referido ponto número 20 para saber que uma coisa é o que lá está, outra coisa é o que os jornalistas dizem que lá está sobre o reconhecimento do Estado da Palestina), mas a mais arrogante, ontem, prendia-se com a lei dos estrageiros que tinha sido aprovada no parlamento.
Ou melhor, a lei interessava pouco, o que interessava era a magna questão a que o jornalismo dava muito importância que consistia em perguntar a Montenegro qual tinha sido a contrapartida para o voto favorável do Chega para a aprovação da lei, coisa a que Montenegro, e bem, não esteve para responder (a pergunta em si é idiota, qualquer resposta seria, em si, inútil).
O drama, o horror, Montenegro não responde aos jornalistas e irrita-se com perguntas que lhe fazem.
Do que vi, não me pareceu que houvesse qualquer irritação, mas se os senhores jornalistas dizem que existe, existe com certeza, mas continua a ser irrelevante, Montenegro, ou qualquer pessoa, tem o direito a irritar-se com qualquer pergunta e, no fim de tudo, há eleições em que os eleitores avaliam as irritações dos políticos, no meio de tudo o resto que avaliam no momento em que votam.
Os senhores jornalistas acham que era o que mais faltava que agora fossem os eleitores a escolher os políticos, Miguel Pinheiro, no Observador, era taxativo e explicava que os políticos têm de responder aos jornalistas e se não estão para isso, não podem ser políticos.
E lá vinha conversa da incapacidade do governo comunicar.
Senhores jornalistas, tenho uma novidade para lhes dar: quem faz da comunicação profissão são os jornalistas, e são avaliados pelos seus leitores, ouvintes ou espectadores, os governos vivem da sua acção, que é avaliada pelos eleitores.
Se Montenegro ganha eleições, Ventura vai tendo boas votações, e a generalidade do jornalismo está à beira da falência, não seria altura de admitirem que quem está verdadeiramente a ser incompetente na sua actividade central (no caso dos jornalistas, comunicar) são mais os jornalistas que os políticos?
O Observador devia ter edição impressa. Assim teria uma utilidade
ResponderEliminarMuito bom!!
ResponderEliminar«Novas responsabilidades do jornalismo face à liquidificação da profissão»
ResponderEliminarnão leio nem ouço jornalismo devido à deturpação da verdade (desinformação, contrainformação) por razões de natureza política: Trump, Lula, Gaza, Montenegro ...
«mierda
Não é jornalismo, é desinformação interessada.
ResponderEliminarJuromenha
Jornalismo.
ResponderEliminarPor vezes é.
Por vezes é encomenda, outras graxa.
Lá de longe em longe pum. É mesmo jornalismo. Acontece.
Ouvi uma vêz um jornalista advogar a subsidiacao pública com a argumentação esdrúxula da utilidade pública.
E porque não as couves ou as morcelas?
A verdadeira e mais escondida questão do jornalismo não será a afasia e analfabetismo mental das hostes ?
Os jornalistas (se é que o são) deviam era reportar o seguinte caso não estivessem "comprados"
ResponderEliminarhttps://youtu.be/L3_dw_3sQWs?si=44BdYjCUCaAf3Pkn
Eis o resultado das igualdades por decreto
Concordo com o resto, mas é uma afronta à honestidade (a intelectual e a outra) chamar "moderadas" a rendas habitacionais de €2300. Esses valores de renda são raríssimos, mesmo em Lisboa, até porque não representam uma escolha racional - pelo mesmo dinheiro compra-se a casa. Só se aplicarão em casos excepcionais de residência temporária, que não parece que se justifique apoiar com isenções fiscais. Se o governo pretendia baixar a taxa liberatória sobre todas as rendas - com o que estou totalmente de acordo - que o fizesse às claras, mas este tipo de "chico-espertíce" está-lhe na massa do sangue.
ResponderEliminarComo digo no post, também preferia Maria Albertina em vez de moderadas e como já escrevi noutro post, também acho que deveria ser para todas as rendas, o que me escapa é o facto de baixar impostos de 25% para 10% seja uma afronta ao que quer que seja (talvez ao equilíbrio das contas públicas ainda possa ser uma afronta, a mais que isso, não estou a ver).
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