quarta-feira, 1 de outubro de 2025

As rendas Maria Albertina e outras idiossincrasias mediáticas

O governo resolveu chamar moderadas a rendas que vão dos 400 euros a 2300.


Eu gostaria mais de lhes chamar Maria Albertina, em vez de moderadas, que acho um nome sem personalidade, mas reconheço que isso é irrelevante para a vida das pessoas, o essencial é que os impostos sobre essas rendas diminuem de 25% para 10% (no meu post anterior sobre isso cometi vários erros sobre estas percentagens mas, no essencial, os argumentos mantêm-se).


O jornalismo dominante não concorda comigo, os mais radicais acham que é uma afronta que o Governo chame a estas rendas "moderadas", em vez de "Maria Albertina", os mais moderados usam, como sempre que não querem dizer bem de uma medida de um governo de que não gostam, o velho argumento da incompetência de comunicação do Governo, bem demonstrada, dizem eles, em se chamar moderadas a rendas que estão num intervalo cujo limite superior é de 2300 euros (tendo o cuidado de nunca dizer a partir de que valor superior é que chamar moderadas a rendas que estão num intervalo que começa nos 400 euros é um erro de comunicação).


O mesmo tipo de chiquelinas mediáticas são usadas na guerra de Gaza (ontem insistiam que Nethaniahu contrariava um dos pontos da proposta de acordo de cessar fogo, quando basta ler o referido ponto número 20 para saber que uma coisa é o que lá está, outra coisa é o que os jornalistas dizem que lá está sobre o reconhecimento do Estado da Palestina), mas a mais arrogante, ontem, prendia-se com a lei dos estrageiros que tinha sido aprovada no parlamento.


Ou melhor, a lei interessava pouco, o que interessava era a magna questão a que o jornalismo dava muito importância que consistia em perguntar a Montenegro qual tinha sido a contrapartida para o voto favorável do Chega para a aprovação da lei, coisa a que Montenegro, e bem, não esteve para responder (a pergunta em si é idiota, qualquer resposta seria, em si, inútil).


O drama, o horror, Montenegro não responde aos jornalistas e irrita-se com perguntas que lhe fazem.


Do que vi, não me pareceu que houvesse qualquer irritação, mas se os senhores jornalistas dizem que existe, existe com certeza, mas continua a ser irrelevante, Montenegro, ou qualquer pessoa, tem o direito a irritar-se com qualquer pergunta e, no fim de tudo, há eleições em que os eleitores avaliam as irritações dos políticos, no meio de tudo o resto que avaliam no momento em que votam.


Os senhores jornalistas acham que era o que mais faltava que agora fossem os eleitores a escolher os políticos, Miguel Pinheiro, no Observador, era taxativo e explicava que os políticos têm de responder aos jornalistas e se não estão para isso, não podem ser políticos.


E lá vinha conversa da incapacidade do governo comunicar.


Senhores jornalistas, tenho uma novidade para lhes dar: quem faz da comunicação profissão são os jornalistas, e são avaliados pelos seus leitores, ouvintes ou espectadores, os governos vivem da sua acção, que é avaliada pelos eleitores.


Se Montenegro ganha eleições, Ventura vai tendo boas votações, e a generalidade do jornalismo está à beira da falência, não seria altura de admitirem que quem está verdadeiramente a ser incompetente na sua actividade central (no caso dos jornalistas, comunicar) são mais os jornalistas que os políticos?

8 comentários:

  1. O Observador devia ter edição impressa. Assim teria uma utilidade

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  2. «Novas responsabilidades do jornalismo face à liquidificação da profissão»

    não leio nem ouço jornalismo devido à deturpação da verdade (desinformação, contrainformação) por razões de natureza política:  Trump, Lula, Gaza, Montenegro ...
    «mierda

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  3. Não é jornalismo, é desinformação interessada.
    Juromenha

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  4. Jornalismo.


    Por vezes é.

    Por vezes é encomenda, outras graxa.


    Lá de longe em longe pum. É mesmo jornalismo. Acontece.


    Ouvi uma vêz um jornalista advogar a subsidiacao pública com a argumentação esdrúxula da utilidade pública.


    E porque não as couves ou as  morcelas? 


    A verdadeira e mais escondida questão do jornalismo não será a afasia e analfabetismo mental das hostes ? 

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  5. Os jornalistas (se é que o são) deviam era reportar o seguinte caso não estivessem "comprados"


    https://youtu.be/L3_dw_3sQWs?si=44BdYjCUCaAf3Pkn


    Eis o resultado das igualdades por decreto

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  6. Concordo com o resto, mas é uma afronta à honestidade (a intelectual e a outra) chamar "moderadas" a rendas habitacionais de €2300. Esses valores de renda são raríssimos, mesmo em Lisboa, até porque não representam uma escolha racional - pelo mesmo dinheiro compra-se a casa. Só se aplicarão em casos excepcionais de residência temporária, que não parece que se justifique apoiar com isenções fiscais. Se o governo pretendia baixar a taxa liberatória sobre todas as rendas - com o que estou totalmente de acordo - que o fizesse às claras, mas este tipo de "chico-espertíce" está-lhe na massa do sangue.

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  7. Como digo no post, também preferia Maria Albertina em vez de moderadas e como já escrevi noutro post, também acho que deveria ser para todas as rendas, o que me escapa é o facto de baixar impostos de 25% para 10% seja uma afronta ao que quer que seja (talvez ao equilíbrio das contas públicas ainda possa ser uma afronta, a mais que isso, não estou a ver).

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