quarta-feira, 10 de setembro de 2025

O PS que não aprende

Nas democracias há eleições (não basta haver eleições para haver uma democracia, mas não há democracia sem haver eleições).


As eleições não servem para escolher os melhores e muito menos os mais puros, servem, em primeiro lugar, para remover os que as pessoas não querem no poder e, em segundo lugar, para escolher quem as pessoas querem ver, naquele momento, no poder.


As eleições são amorais, não são plebiscitos morais.


O PS, que perdeu a sua ligação à sociedade, evoluindo para um mero grupo de ocupação do poder, tem muita dificuldade em lidar com a ausência de poder, até porque não acredita que no quadro normal do combate político as suas hipóteses de voltar rapidamente ao poder sejam grandes.


Como confunde o que aparece na comunicação social com a sociedade, tem vindo a procurar ocupar o poder sem verdadeiramente convencer os eleitores, até porque teve um enorme êxito na última vez em que conseguiu fazer isso, quando António Costa, sem avisar os eleitores, formou um governo com um inesperado acordo político com forças políticas que no dia das eleições toda a gente estava convencida de que eram seus adversários.


Nessa altura, a generalidade da comunicação social engoliu a ideia de que era normal fazer-se uma coisa diferente do que o eleitorado pensava quando votou e o PS achou que o método dava menos trabalho que ganhar eleições, o que se tem manifestado numa deriva populista a propósito de questões morais, quer no caso Spinumviva, quer agora, a propósito do desastre do elevador da Glória.


O PS acha que uma peça como a deste jornalista, dizendo que Moedas mentiu, tem mais valor que o que diz Jorge Coelho ao minuto 2 desta outra peça, isto é, um jornalista acha que as pessoas comuns acreditam que que a única questão que se conhecia sobre a ponte de Entre-os-rios era o mau estado do pavimento e, por isso, tinha sido decidido fazer um ponte nova e o PS acha que conversa de treta desta faz as pessoas rejeitarem Moedas.


O problema de fundo do PS é que não consegue ganhar a câmara de Lisboa no combate político normal e, quando acontece um desastre, vê ali uma oportunidade para alterar os dados do problema, porque tem uma comunicação social justicialista a ladrar incessantemente às canelas de Moedas, sem se aperceber de que a credibilidade do jornalismo está abaixo da credibilidade dos políticos.


Perderam com Montenegro e o afunilamento da campanha eleitoral no caso Spinumviva e, mesmo assim, juntam um conjunto de pessoas em que ninguém confia (António Costa? Santos Silva? Alberto Martins? Ferro Rodrigues? Capoulas Santos?, a sério que é com estas pessoas a negarem o conhecimento que existia dos problemas da ponte de Entre-os-rios, largamente documentado, que o PS quer ganhar a câmara de Lisboa a Moedas?) para, com a ajuda da imprensa, negar a realidade e fazer um juízo moral que, evidentemente, não aplicam a um tal José Sócrates, o homem que nunca se demitia (e bem), mesmo que as conclusões posteriores apontassem para a extracção excessiva de areias, sector tutelado por este colega de governo que agora todos renegam, depois de anos a dar-lhe resultados eleitorais internos no partido que ultrapassam os 90% de apoio.


Todos ministros de um primeiro ministro que se demitiu para fugir do pântano, sem nunca assumir responsabilidades políticas nenhumas por ter deixado crescer o pântano.


Não aprendem mesmo, e isso gera uma chuva dissolvente sobre o PS, cujos estragos vão demorar a ser reparados.

27 comentários:

  1. https://arquivos.rtp.pt/conteudos/demissao-de-jorge-coelho/ é neste video " Demissão de Jorge Coelho" que Jorge coelho diz saber que a ponte estava degradada. 

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  2. Sim, foi um engano meu na ligação, está corrigido

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  3. Agora é que o Moedas está feito: o próprio Sócrates veio dizer que ele mentiu. 

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  4. Será que o Polígrafo vai investigar quem mentiu?

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  5. Pois, cada um acredita e valoriza o que quer de acordo com as suas convicções.


    Se calhar a seguir vai dizer que o conceito de responsabilidade politica com condução à demissão de Moedas de 2021 não mudou em relação ao de Moedas de  2025?


    Se calhar vai, porque essa não agrada mesmo, e faz dele mais um pulha agarrado ao poder entre tantos que já houve, que há e haverão independentemente da cor.

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  6. A cassete é sempre a mesma: a culpa é do PS, da comunicação social, de Sócrates, de Entre-os-Rios, do elevador da Glória, do pântano, do Spinumviva (seja lá o que isso for). Falta só meter a Seleção Nacional e o Fernando Santos. É um texto que promete análise, mas entrega gritaria.
    A ideia de que o PS só se aguenta com truques e conluios é repetida ad nauseam, como quem acha que se disser uma mentira vezes suficientes a transforma em tese universitária. 
    No fim, sobra um grande paradoxo: pretende acusar o PS de não aprender nada com os erros, mas o autor próprio não aprende que escrever o mesmo argumento quinze vezes seguidas não o torna mais inteligente, apenas mais maçador. 

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  7. Excelente comentário. Haja quem assertivamente defenda os factos 

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  8. A diferença reside no facto de um ser um activo Putynesco outro por ser um activo Português

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  9. Haverá, o verbo haver não tem plural, no sentido em que o usou.
    O resto tem o mesmo rigor.

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  10. O que não deixa de levantar uma questão interessante: para que raio continua a ler um maçador?

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  11. Continuo a ler, não por respeito, mas pela mesma razão com que se olha para um acidente na autoestrada: a falta de noção também entretém.

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  12. Porque o Sousa deve ser daqueles que está sempre a vociferar contra Público,  Observador e jornais em geral, mas não deixa de comprar e ler.

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  13. Estranha forma de contestar um texto. 


    Diz:  "

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  14. Excelente texto. Só tenho um reparo a fazer:


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  15. Se o argumento está certo, pode e deve ser escrito até que os dedos doam 
    É lidar

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  16. Olha o Carlitos está de volta... 
    Então, o Partido tocou a reunir a trolhada?? 

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  17. Entendo a sua perspectiva mas não me revejo nela.
    Como referi, são já muitos os países europeus que adoptaram um sistema de listas abertas. É verdade que os membros de um partido partilharão uma determinada ideologia, contudo dentro de um dado partido há pessoas mais dinâmicas e outras menos dinâmicas, umas mais sérias e outras menos sérias, umas mais transparentes e outras mais opacas, umas mais competentes e outras menos competentes. A ordem dos candidatos é decicida nos gabinetes dos partidos, muitas vezes com base em critérios de favor que são tudo menos transparentes. Os eleitores nada podem dizer quanto a isso.
    Escolher pessoas não é fútil. Pelo contrário: é termos a possibilidade de escolher quem queremos que nos represente e que decida por nós. Em Portugal, essa possibilidade é-nos negada (salvo na eleição do Presidente da República, a única em que votamos em nomes e não em partidos).

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  18. Realmente o Carlos, esse, aparece — de frente, cru, sem medo. Vocês não: escondem-se atrás de slogans murchos e bandeirinhas que já cheiram a naftalina do tempo em que ainda havia Teletexto. A diferença é que ele mexe, vocês cheiram. E cheiram mal.

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  19. Comos diz agora a juventude, pimba e pumba. Muito bem, Carlos Sousa

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  20. Ui. Que valente ... 
    Assim é que é. Mostra ao Partido que mereces a avença... 

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  21. E o que esperar de socialistas e comunas ligados ao estado é capaz de explicar?

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  22. Não sei, não me enquadro em nenhum dos grupos.
    Nem sei  sequer o que é ser empregado do Estado.

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