sexta-feira, 26 de setembro de 2025

O horror e o massacre em Gaza

Pessoas muito responsáveis falam do horror do que se passa em Gaza, e do massacre que está a ocorrer em Gaza.


Não são apenas pessoas que fazem vida da sinalização de virtude, como Guterres, são também pessoas como Meloni que, fazendo declarações políticas e com intuitos políticos, alinham habitualmente menos com a sinalização de virtude que Guterres ou Macron.


Estas pessoas reflectem uma ideia muito generalizada, e muito transversal, de que em Gaza está a ocorrer qualquer coisa sem precedentes, frequentemente concluindo que isso decorre de uma reacção desproporcional de Israel ao 7 de Outubro de 2023, insurgindo-se contra a punição colectiva da população de Gaza que entendem como um castigo excessivo imposto por Israel.


A famosa flotilha auto-justifica-se com a necessidade de quebrar o silêncio internacional que existe sobre Gaza, sem que ninguém lhes pergunte que silêncio é esse que existe sobre Gaza (como termo de comparação, veja-se o espaço ocupado pelo Sudão, Nigéria ao Haiti, onde há situações humanitárias que, provavelmente, são bem mais complicadas que as de Gaza).


E, no entanto, quando se pretende perceber o que tem Gaza de extraordinário que justifique que se possa falar de horror, massacre, genocídio, fome sem precedentes, bombardeamentos indiscriminados, sem apresentar quaisquer informações verificáveis, o que nos respondem é uma espécie de proposição de fé: basta ver as imagens que circulam por aí.


As imagens de circulam são as que o Hamas permite que circulem, portanto, não podem ser ignoradas, mas não podem ser tomadas como traduzindo fielmente a situação de Gaza (note-se como há dois anos nos dizem que Gaza está totalmente arrasada e, ainda assim, se continue a protestar com a demolição de edifícios de muitos andares na cidade de Gaza ocorrida há dias).


Por exemplo, há praticamente dois anos que se ouvem alertas de organizações como a Organização Mundial de Saúde, que os hospitais só têm recursos para as 48 horas seguintes (nunca percebi este fetiche com as 48 horas, nunca são 72 ou 24, são sempre 48).


Outro exemplo, a UNICEF diz que vão morrer milhares de crianças (insisto que crianças são pessoas até aos 18 anos, não são pessoas que ainda não atingiram a puberdade) à fome nos próximos dias, ciclicamente repetindo este alerta, mas nunca aparecem essas crianças mortas à fome (ao ponto de ter sido preciso ir buscar crianças com doenças várias para ilustrar essa fome, por ser difícil encontrar crianças saudáveis com indícios de fome aguda).


Os ditos bombardeamentos indiscrimandos sobre a população civil, de acordo com os números do Hamas, não só não se traduzem numa mortalidade excepcional (65 mil mortos, a que é preciso retirar pelos menos 20 mil que seria a mortalidade natural esperada, em dois anos, está muito longe de ser um número excessivo para uma situação de guerra urbana, em zona de elevada densidade populacional em que um dos beligerantes usa a população civil como escudo, o que aliás se vê bem no facto de, no mesmo período de tempo, em Portugal, terem morrido mais de 200 mil pessoas (sim, com uma população cinco vezes maior e muitíssimo mais envelhecida)), como está longe de reflectir a estrutura populacional, demonstrando uma sobrerrepresentação dos homens e crianças em idade de combater nessa mortalidade (falo em crianças em idade de combater porque o Hamas recruta sistematicamente crianças a partir dos 13/ 14 anos), como se pode ver neste gráfico.


Sem título.jpg


Quer isto dizer que Gaza é um paraíso onde não se passa nada?


Não, não e não, Gaza é uma zona de guerra horrível, com bolsas de fome apesar de ser o maior destino de assistência humanitária do mundo, em que uma população inocente não tem para onde fugir, porque todos os países do mundo se têm recusado a receber refugiados, quer os vizinhos directos (Israel e Egipto), quer todos os outros, sendo apanhada entre dois fogos, com a agravante de um dos beligerantes (o Hamas) ter como objectivo potenciar a morte de inocentes como eixo central da sua estratégia de comunicação.


Gaza é uma zona de guerra, e a guerra é sempre suja, perigosa, injusta e imprevisível.


Questão diferente é a de saber se, em comparação com outras zonas do globo onde existem guerras e situações de conflito que não sendo guerras, têm ainda assim um grau de violência excessivo que afecta gente que não tem nenhuma relação directa com esses conflitos, Gaza se destaca por ser muito pior.


Nada, rigorosamente nada, na informação que existe permite tirar essa conclusão, desde os números da mortalidade, ao grau de assitência humanitária e à atenção do mundo sobre os beligerantes (com o que isso significa de travão aos abusos frequentes em situações de conflito, mesmo que um travão relativo), nada rigorosamente nada permite dizer que Gaza é a pior situação humanitária do mundo.


E isso, objectivamente, deve-se à auto-contenção das forças armadas israelitas, apesar do esforço do Hamas para as levar a proceder de forma menos ética (o que, aqui e ali, acontecerá, como acontece em todas as situações de guerra, incluindo nos comportamentos dos capacetes azuis em situações precedentes de intervenção armada da ONU).


Equivaler moralmente as forças armadas israelitas ao Hamas, como vejo gente bem intencionada fazer, é uma injustiça e uma indignidade que eu não compreendo.

18 comentários:

  1. «O rapto de Helena, mulher de Menelau, feito por Páris, um dos filhos de Príamo, rei de Tróia, fez com que os Gregos confederados declarassem guerra e sitiassem esta cidade, que foi por eles tomada e destruída depois de um cerco de dez anos (1720 A.C.)»
    em Gaza ainda não surgiu o Cavalo.
    apesar da fome aparecem burros a puxar carroças, veículos motorizados sem falta de gasolina. 
    uma população a viver em tendas sem nenhum país a aceitar o seu acolhimento. falta de solidariedade. só conversa fiada.
    'uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma'

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  2. A verdadeira tragédia de Gaza é o Hamas que põe e dispõe governando na prática apenas com a legitimidade da força, enquanto o mundo olha para o lado e a autoridade para a administração da Palestina pia baixinho.

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  3. Ora vejamos, não há problemas em Gaza, ou se há, não podem ser verificados.
    Não há crise de habitação.
    Os casos acima referidos e outros só existem devido a uma comunicação social alarmista e com ideias tendenciosas orientadas por agendas de esquerda.


    Não lhe parece que está a ser idiota, ou pior? Só você é que está bem,o resto do mundo está todo mal.

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  4. Será que aqueles 3 palestinianos que foram executados, sumariamente em praça pública, também são considerados mortos por genocídio?!


    Flotilha que os pariu!

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  5. Fortíssimo 
    Não existe argumentação contrária, mas que eles vão tentar, vão 

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  6. Sim, idiota e muito pior.
    O post diz "Gaza é uma zona de guerra, e a guerra é sempre suja, perigosa, injusta e imprevisível." vossa excelência conclui: "não há problemas em Gaza, ou se há, não podem ser verificados."

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  7. apesar da fome aparecem burros a puxar carroças


    É de facto algo que me tem deixado perplexo: se há tanta fome em Gaza, como é que aos burros não falta alimento?


    Eu bem sei que eles não comem comida de humanos, mas eu diria que, se há fome, ela deveria ser para todos...

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  8. «Se ho dimenticato di insultare qualcuno, gli chiedo scusa.» Johannes Brahms (uscendo da una festa)

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  9. Duas observações:
    - Não incluiu (e a comunicação social também nunca o faz) o numero de terroristas mortos, alguma razão? Na falta de numero não se consegue uma estimativa?
    - Se a comunicação social diz que há fome em gaza porque nunca mostram grandes grupos de pessoas em estado esquelético como acontece infelizmente em alguns países africanos? Só mostram um caso pontual ou dois, e esses poucos casos essas mesmas pessoas em fotos de á 4 anos atrás já estavam naquele estado provavelmente por motivos de doença.

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  10. É simples. A fome é específica e só para aquela parcela da população dita povo. O que paga as favas e é televisada.


    A partir arcela superior parece bem tratada, e também não parece faltar recursos para gasolina, sobrando aparentemente o suficiente para armamento.


    Para já não falar dos túneis e isto inclui as engenharias conexas e construções. 


    Olhe que não deve ter sido pêra doce.


    Mas para mim o verdadeiro mistério são os que acreditam na história da Carochinha e na maldade natural e obrigatória de Israel.


    Israel tem por definição de ser mauzão para que os outros, os do 07 de Outubro e "nós", que acreditamos neles sejamos os bons.


    Acontece apenas que Israel tem razão, foi atacado de forma suja e traiçoeira, é um país civilizado e capaz, é tecnicamente avançado e de certeza que não o voltam a apanhar desprevenido.


    Se calhar é isso que dói 

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  11. Puro bom senso : inteligência, honestidade intelectual ..e gramática.
    Cpmts.
    Juromenha

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  12. Há quem acredite num grupo terrorista, há quem acredite num governo democrático sujeito a escrutínio.  É escolher o lado do Bem.

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  13. Realmente, isto é uma conversa de burros.

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  14. A dita "comunicação social" não é (desde há muito tempo) de confiança . Vejamos:






    https://youtu.be/uvBfMxtPuvU?si=YnpVw6ZEZnCleX2E

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  15. Por falar em flotilha;


    A coisa parece estar em alta .


    Já há gente a abandonar o barco por dissidência.


    Que malta 

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  16. Contra ventos, marés e fascismos em geral, a flotilha está quase mesmo mesmo quase.


    Façam os Macabeus o que fizerem eles, elas e demais espécimes que compõe o bando levarão a ganza, a Gaza quero dizer, a tal ajuda humanitária seja isso o que fôr.


    Ah libertadores ! Valquírias e valquírios e outros !


    Os opressores que se ponham a pau !








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  17. Como todas as pessoas de nem sabem, Israel esforça-se por combater uma guerra limpa e de acordo com os tratados internacionais dos quais é signatário. Há excessos? Talvez, mas a serem reais e ratificados com provas, serão alvo de sanção pela justiça do próprio pais.
    Pacificada Gaza, extinto o Hamas, erradicada a ameaça ao estado de Israel, os cidadãos de Gaza poderão regressar à sua vida normal.

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  18. Pois é evidente que uma convivência normal, pacífica e civilizada seria mutuamente benéfica, ganhando os dois lados, mas ganhando mais os palestinos.


    Até aqui é fácil, difícil é entender porque se opõe os palestinos á paz, e a colaboração pacifica que os beneficiária grandemente.


    Dá a impressão que no fundo gostam de dormir na palha !!

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