quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Revisão da matéria dada (outra vez os 100 euros por hectare)

Imaginemos uma empresa, tem oito resineiros e gere 200 hectares.


A resinagem é uma actividade complicada, do ponto de vista da sua rentabilidade, entre outras coisas, porque os resineiros só podem trabalhar uns oito meses por ano, porque nas baixas temperaturas a resina não flui de forma razoável.


Acresce que é uma actividade em que Portugal foi dos maiores produtores mundiais, tendo criado uma fortíssima regulamentação (que ia, não sei se ainda vai, à definição, em cm, da dimensão da ferida que podia ser feita na árvore para se colhida a resina), que hoje dificulta a inovação de processos.


Como os resineiros têm de ir às bicas de três em três semanas, naturalmente o mato desses 200 hectares é gerido, uma tarefa que tem alguns custos, sobretudo quando se inicia a exploração num pinhal, custos esses que estão internalizados e pesam nas contas de exploração (não sei o suficiente do sector para saber qual é o peso desses custos na conta de exploração).


A proposta em que tenho insistido - pagamento de cem euros por hectare de área gerida, de três em três anos, avaliada de forma simples pela altura do mato no momento do corte (não, a proposta não pressupõe manter o mato sempre abaixo de 50 cm, pressupõe apenas que num momento desses três anos o mato é gerido de modo a que, em média, fique abaixo de 50 cm) - significaria a entrada de 20 mil euros na empresa, vindo dos contribuintes, de três em três anos.


A proposta tem um mecanismo de ir aferindo o valor pago pelos contribuintes, o valor que tenho referido não é fechado, é uma mera base de discussão, pessoalmente se fosse todos os anos, continuava a não me parecer excessivo.


Eu não sei o que esses vinte mil euros representam na facturação de uma empresa imaginária com oito resineiros e 200 hectares geridos, mas admito que o dono dessa empresa talvez pensasse em alargar a área de exploração, já que a sua facturação tinha aumentado, sem qualquer aumento de custos.


E admito que o primo do dono da empresa, vendo uma melhoria de quase meio resineiro por mês nas contas de exploração, talvez fosse tentado a dedicar-se à mesma actividade.


O raciocínio é válido para qualquer actividade (para um pastor com 150 cabras, com certeza seria bem vinda a entrada de três mil euros por ano, sem qualquer aumento de custo) e essa é a ideia base da proposta, a de que mais vale contar com a economia que existe, e alinhar os incentivos das políticas públicas com essa economia, que gastar os milhões que têm sido gastos em programas de transformação da paisagem (que até agora não transformaram nada), ou centrais de biomassa (que não gerem matos) e outras fantasias que tais que têm custado milhões de euros aos contribuintes.


De resto, suportar parte dos custos de exploração do que existe, pagando parcialmente um serviço de interesse geral, tem efeitos marginais benéficos na criação de emprego e na revitalização económica de grande parte do país (é razoável admitir que por cada emprego directo criado, sejam criados indirectamente três novos empregos, ou seja, a expansão de actividade que implique passar de oito para nove resineiros, tem um efeito multiplicador de mais três outros empregos na zona).


Já o modelo coercivo de pretender que as pessoas façam gestão de combustíveis, para além de ineficaz, como se tem demonstrado, é pura destruição de valor, é gasto sem retorno, implica descapitalização das vítimas, sem grande retorno social.


Esta é a discussão que me interessa, em matéria de fogos.

4 comentários:

  1. Mas ainda hé pinheiros e resineiros em Portugal?
    Na zona onde tenho propriedades (Bairrada) já ninguém planta pinheiros (ainda os há, mas são de plantações já feitas há 20 anos), que são pouco rentáveis devido à doença do nemátodo. E quanto a recolha de resina, isso é coisa que se fazia na minha infância, há 50 anos, agora já ninguém faz (provavelmente por ser uma atividade mão-de-obra-intensiva, e portanto muito cara.)
    Mas acredito que noutras zonas do país a situação seja diferente.

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  2. Uma das queixas que ouço de quem vive "no campo" é de que não há mao de obra, ou seja, quem faça o serviço de limpeza.
    Claramente não são multas que resolvem esta questão, nem será a coerção que põe o velho de 80 anos a limpar mata como se fosse um jovem, mas até que ponto a subsidiação resolve? Pode e vai ajudar quem já o faz, mas quanto aos terrenos na prática abandonados?

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  3. Henrique, diga-me uma coisa, porque não usar drones com dispersores de gás inerte ou criogénico.

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