terça-feira, 29 de julho de 2025

Sobre gestão do território

Há seis dias, aqui no Corta-fitas, escrevi que, a manterem-se as previsões meteorológicas, este início de semana seria agitado, do ponto de vista dos fogos.


Um tipo mediano, não especialista na matéria, usando informação comum e disponível gratuitamente para qualquer pessoa, consegue acertar frequentemente nas previsões sobre a situação relativa aos fogos, como qualquer pessoa consegue (desde que não se deixe influenciar pelos avisos da protecção civil que têm o risco máximo de incêndio tão baixo, que estão sempre a gritar "vem lobo!, vem lobo!").


A razão para isso é simples, os fogos têm duas variáveis, a acumulação de combustíveis e a meterologia (dentro da meteorologia, essencialmente a humidade atmosférica e o vento) e, sabendo que a acumulação de combustíveis é um dado, basta, naturalmente, estar atento à humidade atmosférica e ao vento (como a humidade atmosférica está fortemente relacionada com a orientação do vento, praticamente basta ver a direcção e intensidade do vento, confirmando depois o resto, se se quiser).


Não podendo nós controlar a meteorologia, sobra o controlo dos combustíveis finos que deixou de ser feito pela economia.


Resumindo, o que temos de fazer é criar economia ou, preferencialmente, potenciar a economia que existe, para aumentar a área de gestão de combustíveis finos.


Pode-se pensar, e durante muito tempo era o que eu fazia, qual é a situação ideal para o controlo do fogo e tentar lá chegar, ou podemos deixarmo-nos de fantasias e partir da economia que realmente existe, para ganhar áreas de gestão de combustível e, dessa forma, ganhar maior controlo sobre o fogo.


O governo continuar a tomar decisões iguais a decisões anteriores e cujos resultados não foram os que se pretendiam, como esta tolice de andar a financiar centrais de biomassa, é uma opção ineficiente, o dinheiro vai desaparecer mas o problema não.


O Governo desenhar grandes programas de apoio, em que deixa de fora os agentes privados, é melhor, porque o programa não se executa, portanto os resultados são os mesmos, mas ao menos poupa-se algum dinheiro.


Já a Gulbenkian financiar oito associações (uma delas a Montis, sobre a qual acho que já nem preciso de fazer uma declaração de interesses) ambientais em que mais de metade fazem gestão concreta de terrenos, é um bom passo, no bom caminho, de trazer gestão para o mundo rural.


Tal como fico satisfeito com o protocolo entre a Real Associação de Lisboa e a Montis para gerir terrenos que estão ao abandono há algum tempo (no tempo do dono anterior, que os doou à Real Associação de Lisboa).


Mas do que o país precisa é mesmo que a sociedade se organize para pagar a gestão de combustíveis finos a quem a faz, não é de persistir na fantasia de que, por vontade do Estado, vai aparecer gestão onde ela hoje não existe porque não há gente interessada em a fazer.

5 comentários:

  1. «enquanto houver uma árvore por arder a devastação continua pela calada da noite!»
    a mãozinha não pertence ao PS

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  2. Pois sim, propondo o depenanço do contribuinte. Liberal ou socialista nesta terra o chafariz é sempre público; a bem da Nação, como é óbvio.

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  3. Caro Henrique Pereira dos Santos, muito obrigado por este postal. Li-o com o prazer de quem estava ávido por bom senso apresentado com simplicidade e sem deixar de pressupor conhecimento e inteligência.

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  4. Não percebo a relação que o governo faz entre "financiar centrais de biomassa" e a gestão do território. Será que pensam que assim vão evitar a "acumulação de combustível"? Que vão assim limpar as matas? Custa-me a crer em tal ideia..

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  5. O que fazem o governo e os outros é propaganda, publicidade.
    O produto está prestes a chegar ao mercado.


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