quarta-feira, 9 de julho de 2025

O liberalismo funciona e faz falta

A falta de cultura política de muitos jornalistas faz com que, de vez em quando, passem defesas ferozes do liberalismo pelos seus filtros fortemente estatistas.


É o caso desta peça da Lusa (olá estatistas) publicada no Observador (olá redacção estatista), sem que nem a Lusa, nem o Observador, se tenham dado conta da poderosa defesa do liberalismo que ela comporta.


Moçambique é, em grande medida, um Estado falhado (se dúvidas houvesse, é dar uma volta pelo meio de Maputo e contar o número de seguranças à porta de casas relativamente vulgares, num incomensurável desperdício de recursos que decorre da incapacidade do Estado assegurar a segurança dos seus cidadãos), mas tem, sobretudo, um Estado extractivista.


Na peça, aliás, faz-se referência a uma situação completamente ridícula (pura afirmação do poder arbitrário sobre as pessoas), de que só tive conhecimento quando estive em Maputo, há uns oito ou nove anos, que consiste em limitações de circulação no espaço público por causa da proximidade com símbolos do poder.


Na altura, ia eu pela rua normalmente, a tentar refazer mapas da minha infância, quando dou por mim perto de dois clubes que frequentei inúmeras vezes (mais um que outro), entretanto transformados em casa do presidente da república, ou coisa do género.


Até aí, enfim, faz parte das evoluções históricas os novos poderes se apropriarem de bens públicos para usos privados, a pretexto do exercício de funções públicas, o que nunca imaginei é que não podia passar, a pé, no passeio da rua que ladeia essas instalações, era proibido.


Isto caracteriza o Estado moçambicano, ainda hoje, mas não é o essencial, o essencial é que este poder pós colonial, tomou opções.


As intenções com que foram tomadas essas opções, são irrelevantes, o que interessa é que o Estado pós colonial decidiu estar-se nas tintas para as liberdades individuais, em nome de paraísos futuros, incluindo uma das liberdades fundamentais, o direito de propriedade e o direito a dispor da sua propriedade livremente, que são extensões da liberdade individual.


Sem direito de propriedade e investimento do Estado na defesa dos direitos de propriedade, nem a liberdade individual é defendida, nem é possível criar sociedades prósperas e razoavelmente equilibradas.


Sem surpresa, também por essa razão, Moçambique é um país paupérrimo, que vive de estender a mão à caridade internacional, com milhões de pessoas com vidas miseráveis, dependente de terceiros, em especial nos suburbios das cidades.


Apesar de todos os programas de assistência internacional e cooperação, Maputo é uma cidade infernal para os seus pobres, que são a larga maioria, que se vêem e desejam para se libertar da pobreza, pastoreados por um Estado que não lhes garante nem educação, nem saúde, nem transporte que assegurem as condições de trabalho e, muito menos, segurança, quer física, quer jurídica.


E é neste contexto que vale a pena olhar para notícia e reparar como as pessoas se vão organizando para satisfazer a procura de bens e serviços que realmente existe, independemente do que diga ou faça o Estado.


Se o Estado resolvesse deixar-se de parvoíces e passar a tratar o direito de propriedade como um bem público, em vez de o diabolizar, era um instante enquanto os transportes públicos de Maputo melhoravam estratosfericamente, num reforço do processo informal em que as pessoas comuns, fintando o Estado, e centradas no seu interesse próprio, passaram a fornecer transportes públicos que servem melhor as pessoas comuns.


O liberalismo funciona e faz falta, muito mais em Moçambique que em Portugal, é o que diz a notícia que resolvi destacar neste post.

12 comentários:

  1. na CS a cultura tende para zero e a ideologia esquerdista para infinito.
    ou zero à esquerda. 
    nada me surpreende na CS. continuação da chicana política comunista mais ou menos disfarçada. se Montenegro aceitasse demitir a Ministra da Saúde cada vez que pedem já teria nomeado umas 20 este mês. 
    sou contra demissões ministeriais porque nada muda politicamente. 

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  2. Em Moçambique qualquer aroma de 




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  3. Raymond Aron in O Ópio dos Intelectuais

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  4. "...o que nunca imaginei é que não podia passar, a pé, no passeio da rua que ladeia essas instalações, era proibido."
    Vivo e trabalho em África há quase 20 anos, tendo passado por vários países (incluindo Moçambique onde vivi 5 anos junto ao Lúrio na fronteira entra a Zambézia e o Niassa). Infelizmente a situação relatada é comum a todos os países onde trabalhei e trabalho. Enfim, marcas de um marxismo que se apoderou de África à medida que foram saindo os colonos.

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  5. Um outra coisa em que a liberdade faz falta é libertar o Serviço Nacional de Saúde do jugo corporativo da Ordem dos Médicos.
    Muitas urgências de Ginecologia e Obstetrícia estão fechadas porque a OM tem o poder lagal de impôr ao SNS - mas não a hospitais privados - que só tenham uma Urgência aberta desde que esteja disponível para ela uma equipa completa de médicos (um pediatra, um obstetra, um ginecologista, um cirurgião, um anestesista, creio), e não somente alguns deles. Como em muitas equipas faltam uma ou mais destas especialidades, a Urgência tem que ficar fechada.

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  6. Moçambique é um estado marxista, portanto não tem hipóteses.
    Tivesse África liberalismo, as grandes empresas ocidentais iriam lá investir e gerar riqueza. Em vez disso, há Estado, China e ISIS

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  7. Ora aqui temos um estatista envergonhado...

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  8. Hoje é manchete uma senhora que será despejada de uma casa, que era habitação social.
    A dita foi vendida a um privado que, e bem, quer renovar e colocar no mercado a preços competitivos. 
    Torna-se um caso nacional.
    Como se o Estado seja obrigado a proporcionar casas a cada um dos 10 milhões de portugueses. Estatismo no seu melhor.
    A qualquer um que não consiga pagar casa ao banco, em vez de lhes telefonar para negociar, telefonem antes à sic.

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  9. São todos, são todos.
    No fundo, querem liberalismo mas não dispensam um bom instituto público 

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  10. Não, um aspirante a liberal cujo bolso disso não o deixa passar.

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  11. Botswana, ali ao lado 20000 per capita.ppp
    Moçambique 1700 per capita ppp


    Coisas que não aparecem nem são discutidas nos jornais. 
    Será porque a liderança do Botswana na descolonização recusou o Marxismo?


    Demonstrando que os jornalistas se estão nas tintas para a pobreza dos africanos.
     A pobreza dos africanos só passa a interessar se existir ou se inventar algum angulo que sirva para criticar o capitalismo/estado liberal/ocidente. 

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  12. Existe um país liberal, que por coincidência é o mais rico, desenvolvido e onde as pessoas melhor qualidade de vida têm. Um país onde tudo e todos arriscam a vida para entrar. Coincidências.
    Talvez um dia a Europa possa ser assim.

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