sexta-feira, 11 de julho de 2025

"Destruir a economia, outra vez"

Pedro Adão e Silva (e já falarei e Bárbara Reis, no fim) decidiu demonstrar a imensa lata da esquerda, acusando a AD de querer destruir a economia, outra vez, tomando decisões de base moral em vez de olhar para a realidade.


A primeira coisa que me espantou no artigo delirante de Pedro Adão e Silva, antes de ler tudo o resto, foi aquele "outra vez", porque não me lembrava o que poderia motivar a ideia de que a AD tinha destruído a economia em alguma altura.


E não me lembrava porque a minha cabeça se recusava a admitir a hipótese de que ainda houvesse alguém que continuasse a usar o argumento de que a economia, nos tempos da troica, tinha sido lançada no caos pela opção de Passos Coelho, "motivado por uma fúria moral e punitiva", aplicar a austeridade toda de uma vez.


O argumento é tão estupidamente estúpido que é difícil perceber como ainda é usado.


O argumento quer dizer que o problema não foi o PS ter rebentado com as finanças públicas e, por essa razão, ficar sem fontes de financiamento e, por essa razão, ter sido obrigado a negociar um conjunto de medidas de austeridade para conseguir que a troica emprestasse o dinheiro de que o Estado português desesperadamente necessitava para não suspender pagamentos (o desespero era tão grande, que o ministro das finanças, à revelia do seu primeiro ministro, inventou uma entrevista em que dizia umas coisas que deixavam o seu primeiro ministro, e o PS, sem margem para manter a fantasia de que iria ter dinheiro para evitar a ruptura de pagamentos).


Nada disso afectou a economia, grandemente, escreve Pedro Adão e Silva, o problema é que, com as avaliações trimestrais negociadas pelo PS com os credores, Passos Coelho tinha margem de manobra para ir fazendo qualquer coisa suavemente, mas escolheu fazer tudo de uma vez, como se, ao longo de todo esse tempo, os credores não estivessem sempre a pressionar para obter os resultados negociado pelo PS, embora, face à realidade das coisas e à credibilidade do governo de Passos, tivessem acabado por aceitar um caminho muito mais suave que o negociado pelo PS (tudo isto é factual e verificável, Pedro Adão e Silva, ministro de um dos braços direitos de Sócrates e coordenador da sua última moção de estratégia a um congresso do PS, está fartinho de saber que é assim, se escreve o que escreve, não é por ignorância).


Pedro Adão e Silva começa com esta mistificação para introduzir uma manhosice argumentativa em que a esquerda se especializou há muitos anos, que consiste em substituir a discussão racional da realidade, pela discussão metafísica sobre valores morais e intenções (toda a gente sabe que as intenções da esquerda são sempre as melhores, ao contrário da direita, que está sempre possessa de uma moral punitiva em relação aos mais fracos, razão pela qual a esquerda usa, recorrentemente, esta manhosice argumentativa).


O que Pedro Adão e Silva (na verdade, toda a esquerda, a arrogância intelectual de Pedro Adão e Silva, que acha que os seus leitores são todos mentecaptos, leva-o a ser mais transparente que outros) pretende é desviar a discussão da realidade da migração, para se centrar na moralidade da coisa.


Para isso não tem problema em usar outra das especialidades da esquerda, a distorção dos argumentos dos outros, neste caso, o governo não quer regular a migração, mantendo um fluxo migratório relevante, dentro de regras estabelecidas, o que o governo quer é impedir a migração, por pressão da extrema direita.


Esta distorção de argumentos (ontem era um jornalista qualquer do Observador a dizer que se tinha acabado o não é não, então, isto e aquilo, sem perder um segundo a demonstrar que tinha acabado o não é não e afinal já havia um governo de coligação AD/ Chega ou, pelo menos, um Governo AD com o acordo de incidência parlamentar com o Chega) é fundamental para depois toda a verborreia sobre a destruição da economia que resultará de se impedir a migração.


Isto é o habitual na esquerda, tão viciada, mas tão viciada nestas infantilidades, que nem percebe que foi a insistência no afastamento da realidade que a levou onde está agora, que, se continuar assim, é muito melhor do que estará daqui a uns anos.


E é aqui que entra Bárbara Reis que, com chamada de primeira página, resolve dizer que os procuradores que estão no julgamento de Sócrates não sabem fazer perguntas, escrevendo um artigo que tem exactamente os mesmos problemas de arrogância intelectual, alienação da realidade e superioridade moral que o de Pedro Adão e Silva.


O mais extraordinário é que Bárbara Reis não tenha a menor noção do ridículo (que, por exemplo, já tinha demonstrado quando resolveu criticar Carlos Guimarães Pinto, a propósito da economia da Irlanda, dando origem a uma pequena polémica hilariante).


O texto inenarrável que escreve sobre a sessão do julgamento de Sócrates a que assistiu acaba de uma forma gloriosa: "Sim, já sei: vão ler isto como um texto pró-Sócrates. Estejam à vontade. Se há político com quem tive converas desagradáveis nos seus anos de poder, foi Sócrates. Ele sabe e eu também".


Não cara Bárbara, o texto que escreveu, pelo menos no meu caso, não é lido como um texto pró-Sócrates, é mais uma das suas tontices habituais.


O que é pró-Sócrates é que ninguém conheça um texto seu relevante em que denuncie essas conversas desagradáveis a que alude, ninguém lhe conhece uma atitude de denúncia dos métodos ilegítimos de exercício do poder de Sócrates, nada, nadinha de relevante.


Isso sim, pode ser lido, e no meu caso é, como pró-Sócrates, foi com jornalistas e responsáveis de jornais como Bárbara Reis que Sócrates conseguiu uma concentração de poder ilegítima e sem freio, esmagando, pelo caminho, quem quer que se atrevesse a ser claro na denúncia do ambiente claustrofóbico que criou e, já agora, da insanidade que deu origem ao resgate da troica a Portugal.


Não fossem os procuradores que a Bárbara acha incompetentes a fazer perguntas que a Bárbara nunca fez quando tinha as condições para fazer, e Sócrates seria hoje o virtual vencedor das próximas eleições presidenciais.

6 comentários:





  1. Quer o Henrique dizer ou sugerir que o Ministério Público interfere deliberadamente na política, acusando pessoas para as impedir de se candidatarem a eleições?

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  2. Não, não quero, e continuo sem perceber porque insistes em aldrabar, deliberadamente o que é escrito (há alguma coisa do que escrevi que sugira qualquer intervenção deliberada da justiça no processo político) para depois fazer comentários completamente estúpidos.
    Tu, de estúpido não tens nada, para que insistes em tentar demonstrar o contrário (o facto de, por uma vez, ter publicado este comentário e respondido, não quer dizer que altere a minha opção de, frequentemente, atirar este tipo de lixo para o respectivo caixote)?

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  3. a verborreia sobre a destruição da economia que resultará de se impedir a migração


    Um facto indesmentível é que, logo após ter decretado o fim da "porta aberta" à imigração, o Governo teve que abrir uma exceção para os desportistas, especialmente os jogadores de futebol (mas não só), sob pena de destruir a economia desse desporto.


    É deveras feio tomar medidas e logo a seguir abrir exceções à la carte a elas. As leis de um país devem ser gerais e aplicar-se a todos por igual.



    Há que questionar se as medidas govrnamentais, tal como iriam destruir a economia desportiva, não estarão a destruir outras economias.

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  4. O receio é o PSD aceitar o Chega como principal interlocutor, ao invés da IL. O Chega é estatista a um nível que nem o Berloque lá chega. A IL tem que ser parte da solução.  Permitir mercado livre na saúde,  educação e território,  acabar com institutos e fundações, e despedir funcionários públicos 

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  5. Esqueça isso. O PSD que dizia "que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal", e que teria a IL como "principal interlocutor", morreu assassinado pelos cripto-socretinos (como o Sr. Adão e Silva) e pelos idiotas úteis da esquerda lunática (como a Srª Bárbara Reis), e não vai ressuscitar. Agora, temos o PSD que diz "que se lixe Portugal, o que interessa são as eleições" (ou melhor, não diz mas faz, como ainda ontem se viu, com o Sr. Pinto Luz a propor-se com "silent partner" de um lorpa qualquer), que, como é evidente (mas não pode parecer evidente), vai ter no Chega e no PS os "principais interlocutores" (atirando umas "coisas de direita" aos primeiros, e deixando uns "tachitos" para os segundos).

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  6. A IL tem que ser parte da solução.


    Era bom, era (sou membro da IL). O problema, porém, é que o CHEGA obteve muitos votos - e deputados - mas a IL relativamente poucos.

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