A.S. É extraordinário como organizações responsáveis, como a Organização Mundial de Saúde, que se queixam permanentemente de não ter condições de trabalho em Gaza, de repente, sabem exactamente qual é a situação alimentar de um milhão de crianças. Com base em que métodos de recolha, registo e análise da informação, se Israel impede que os olhos do mundo estejam em Gaza?

Esta imagem, e outras tiradas da mesma sessão fotográfica, são apresentadas como demonstrando a profunda escassez de alimentos em Gaza (no caso, é da capa do Público de Sábado, 26 de julho, mas há milhares de sítios onde podem ser encontradas rapidamente fotografias provenientes da mesma sessão fotográfica).
Sem mais informação, a fotografia não diz nada sobre a existência de fome em Gaza, tanto mais que, estando duas pessoas na imagem, uma delas tem uma extrema magreza, mas a outra, sua mãe, não apresenta sinais evidentes de desnutrição (não estou a dizer que não passa fome ou que não tem dificuldades para se alimentar, em consequência da escassez de alimento em Gaza ou da dificuldade de acesso, estou apenas a dizer que a mãe da criança não apresenta sinais evidentes de fome aguda).
O que tornou esta fotografia (ou outras, da mesma sessão fotográfica) mundialmente presente nos meios de comunicação social é a história que é contada à volta dela, numa demonstração evidente de que uma imagem, por si, raramente diz tudo o que precisamos de saber para a interpretar.
A razão pela qual a história que é contada à volta dela ganha credibilidade é porque a generalidade dos meios de comunicação social mais influentes do mundo, neste caso, em especial a BBC, que entrevistou a mãe da criança (é frequente ouvir-se dizer que em Gaza não há jornalistas, por imposição de Israel que não quer testemunhas do que lá se passa, mas não só há permanentemente notícias de jornalistas mortos, apesar de lá não existirem, como rapidamente a BBC consegue uma entrevista com a mãe desta criança, quando quer), repetem incessantemente a ideia de que a fotografia representa uma criança saudável que, de repente, atingiu este estado de magreza extrema devido à fome aguda que grassa em Gaza.
Há, no entanto, outras possibilidades.
Eu não tenho maneira de saber quais das possibilidades que existem traduzem melhor a realidade, eu sei que estou predisposto a acreditar mais nalgumas versões que noutras, e por ter consciência disso é que me preocupo tanto em procurar fontes primárias de informação (o que, no caso, é impossível de conseguir).

Alegadamente, gostaria de reforçar este alegadamente, esta fotografia é da mesma sessão fotográfica mas é muito menos conhecida, porque não terá sido publicada em praticamente lado nenhum.
Não é impossível que seja uma fotografia manipulada, é claro que vemos a mesma mãe (sem sinais evidentes de subnutrição), outro filho mais velho (sem sinais evidentes de sub-nutrição) e a criança com a magreza que seria devida à profunda escassez de alimentos em Gaza.
Claro que, a ser verdadeira a imagem, não se compreende com um dos filhos chega a este estado extremo de sub-nutrição e o irmão, pouco mais velho, não tem qualquer sinal de sub-nutrição.
Fui buscar esta segunda fotografia a esta longa refutação da história que os media mais influentes do mundo têm apresentado como verdadeira mas, por exemplo, não sabendo árabe, é-me impossível verificar se, como é dito, a mãe diz uma coisa em Árabe e o narrador do video da BBC diz outra em Inglês, ou seja, não tenho mecanismos de verificação que me permitam ter mais certezas quanto ao que realmente querem dizer estas imagens.
Claro que posso perder horas à procura de indícios que apontem num sentido ou noutro, e ir encontrando ecos da discussão sobre o assunto, como aqui.
Só que isto não faz sentido, o que faria sentido é que (e há muitos precendentes deste comportamento de rebanho na imprensa Ocidental) a imprensa séria, em vez de ir a correr atrás das emoções contidas numa imagem (as imagens que estão acima são fortíssimas, emocionalmente, quer representem a fome em Gaza, ou uma criança com problemas de saúde graves para os quais a mãe procura desesperadamente ajuda numa situação de guerra), deveria preocupar-se mais em compreender o contexto das imagens que usa, evitando usar as imagens para difundir as opiniões do jornalistas.
O Hamas já percebeu muito bem como usar as características do modelo informativo do Ocidente para vender o que quer e, nisso, tem demonstrado uma capacidade muito superior à do Estado israelita.
O Hamas sabe explorar o sentimentalismo do Ocidental que confortavelmente no seu sofá se limita a receber a notícia ao invés de a procurar
ResponderEliminarObrigado por este exercício de racionalização.
Esta questão é simples, ao contrário da dos colonatos, o Hamas não tem credibilidade moral ou política, nada do que dizem deve sequer ser considerado. Estão apenas a tentar não perder uma guerra contra um adversário mais poderoso militar e moralmente.
"compreender o contexto", como diz, requer tempo. Quando as coisas andam ao segundo...
ResponderEliminarHá uma frase célebre, alegadamente de um político inglês (??), que diz algo assim: "numa guerra, a primeira vítima é a verdade". Informação e contrainformação coexistem deste tempos remotos, e a má notícia é que será erternamente assim. Acresce que, para mal dos povos, o 4º poder (jornalismo) tornou-se num exercito mercenário, escreve por encomenda em vez de informar. E, se o bem intencionado jornalista se atreve a dizer algo coerente com o Art. 1º do código deontológico do seu próprio sindicato (verdade, isenção, imparcialidade, oportunidade ao contraditório, etc), logo acima estará a direcção de informação (escolhida a dedo), a "corrigir o desvio à linha editorial". Ou mesmo a impedir a publicação. Tal como antes do 25A!!! Se adicionarmos os salários, ao nível de um caixa de um conhecido hipermercado, à equação, perceber-se-há porque razão a criatura se acomoda ao lápis azul e até... colabora. Há que pagar a renda da casa, a escola dos filhos, etc. É assim que funciona este meio. Por outro lado, tal como sobejamente temos visto, boa parte das empresas de CS está encurralada. Com balanços no vermelho e falência técnica, não escapam à sempre eterna ideia de um D. Sebastião (leia-se, o estado...) que as virá salvar da situação em que elas próprias se meteram (por ex., leitores que deixaram de "comprar" o produto porque perceberam a falta de isenção, ou porque estiveram a dormir perante as novas plataformas de comunicação, etc). Contratos com o estado (publicidade institucional, por ex.) no tempo de Costa, ou mecanismos que usam o dinheiro dos contribuintes como biberão, já com Montenegro, são exemplos. Tudo isto não ajuda à necessária idependência!! Nem dos jornalistas, nem das entidades patronais. Por outro lado, há uma outra tendência que se terá acentuado fortemente, segundo alguns, com o virar do século - as academias respiram militância por todos os poros. De esquerda, de forma unidireccional. Não é novo, vem dos tempos de Gramsci, que via a educação como um terreno estratégico. Nos EUA, Harvard, Stanford e outras da Ivvy League, são hoje em dia centros ideológicos ou tertúlias ao estilo Rive Gauche. Conta quem sabe, que muitas empresas nos EUA, já começam a olhar de lado para um C.V. que mencione Harvard. Querem engenheiros e não ideólogos. E o que acontece quando a mão-de-obra tende a não se diferenciar nesta matéria? Tudo aquilo que mexe à face do planeta, acaba por contratar, em maior ou menor grau, dependendo da sorte, o mesmo tipo de 'mindset'. No nosso caso, é de facto um caso de estudo um certo OCS que maltrata o jornalismo incessantemente e ao mesmo tempo vive da caridade de uma família abastada!!! (não é preciso dizer o nome, certo?). Dito isto, claro que existe fome e destruição em Gaza, tal como o autor refere. Mas a história que os OCS nos contam dia-a-dia está muito mal contada. Pior é quando os OCS branqueiam a culpa que o Hamas carrega em tudo isto. E pior ainda, quando fazem "vista-grossa" ao problema de fundo - uma certa parte do mundo islâmico, na sua doutrina, não aceita a existência de um estado não islâmico naquela região. Doutrina que estipula uma coisa simples - terra que já teve alguma forma de domínio islâmico será terra islâmica para todo o sempre. Por ex., o mesmo mundo que tem interiorizado desde há séculos que nós aqui, em PT, vivemos no El Andaluz, i.e. em terra que foi deles e que um dia há-de retornar para eles. Este é a questão.
ResponderEliminaro petróleo Muçulmano obriga o Ocidente a arrastar-se penosamente.
ResponderEliminara CS devia preocupar-se com a guerra na Europa sem fim fim à vista e escassez de bem alimentares por todo o Continente.
ResponderEliminarMARXISMO NEGRO -
CEDRIC J. ROBINSON
nos EUA
ResponderEliminarhttps://www.libertaddigital.com/internacional/oriente-medio/2025-07-27/la-ultima-y-mas-repugnante-mentira-de-gaza-el-ninos-famelicos-de-las-portadas-es-en-realidad-un-enfermo-7280563/
ResponderEliminar"Muhammad Zakariya Ayyoub al-Matouq /Mutawwaq (was born with serious genetic disorders. He has needed specialist medical supplements since birth. Like previous examples of the media using ‘starving children’ going back to summer 2024 – the image is of a child suffering underlying (and hidden) health issues.
ResponderEliminarA medical report issued in May 2025 by the Basma Association for Relief in Gaza states that Mohammed, has been diagnosed with cerebral palsy – a group of neurological disorders affecting movement, muscle tone, and posture. The report notes that Mohammed suffers from hypoxemia (low oxygen in the blood), possibly linked to a suspected genetic disorder inherited in an ‘autosomal recessive pattern.’"
Quase no fim do penúltimo parágrafo escreveu:
ResponderEliminarObrigado, já corrigi
ResponderEliminarRealmente, em Gaza só as "crianças" andam esqueléticas. Os adultos, para uma zona de fome "negra", como é descrita, andam relativamente bem nutridos. E os "soldados" do HAMAS, mesmo os mais "jovens" (os tais que no Ocidente ainda seriam crianças), não apresentam nenhum problema de nutrição. Curioso, não acham??
ResponderEliminarCaso para dizer aos jornalixas: vão dar banho ao cão!
Os Governantes que se encontram a governar o Mundo são todos uns fantoches balofos!
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ResponderEliminarmore propaganda
https://www.youtube.com/watch?v=WvM7Pj4LCx8
ResponderEliminarPrecisamente.
Jornalismo outro nome para Desonestidade?Ou os jornalistas são muito estúpidos e não notaram que ninguém à volta da criança parecia estar com fome e por isso não fizeram as perguntas que deviam, ou então notaram e sabiam muito bem o que estavam a fazer, para depois do impacto gigante colocarem a correção fingindo profissionalismo.