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Hoje celebra-se o dia de São José Operário na liturgia católica. Por isso apresento aqui uma adaptação de um texto que escrevi em 2020 aquando do Ano de São José.
Há muitos anos o meu conselheiro espiritual, perante as minhas frequentes dúvidas e angústias existenciais, recomendou-me dirigir a São José as minhas preces, e desde então que o trago comigo no coração, mais concretamente ao peito figurado numa medalha – com Jesus ao colo. São José, explicou-me, é a inspiração para as qualidades da perseverança e da complacência, precisamente as armas mais eficazes para se enfrentar toda a sorte de mal que nos chegue de dentro ou de fora. Desse modo, não foi só por tradição familiar que decidimos baptizar com esse nome o nosso filho, de quem fui pai já perto dos cinquenta anos. De facto foi tardiamente que formei uma família, tendo obtido assim a graça de “herdar” dois enteados que foram um precoce e desafiante estímulo ao desprendimento, atributo fundamental para levar a bom termo o projecto familiar a que me propus.
Os santos são os heróis da Igreja de Pedro, que ao longo da história e a seu tempo foram venerados pelos seus feitos, como acontece a tantas outras figuras que marcaram indelevelmente a história por feitos literários, artísticos, desportivos ou até políticos. Os santos são pessoas como nós, que se superaram a si próprias e suplantaram as suas circunstâncias, no propósito de seguir o exemplo de Jesus Cristo. Nesse sentido, São José, será certamente um dos maiores heróis dos cristãos, eleito que foi por Deus como figura paternal de Jesus, por isso protagonista de destaque no projecto de Salvação de Deus na sua encarnação. Por tudo isso, não nos podemos abster de tentar compreender como terá sido percorrido esse caminho de santidade de São José. Para mais nós os cristãos, talvez ludibriados pelas figurações artísticas dos santos em telas ou esculturas, tendemos a confundir a “Santidade” com “Estado de Graça”. Como refere o Papa Francisco na sua Carta apostólica dedicada ao “humilde carpinteiro desposado com Maria”, é a partir das vicissitudes que se constrói o santo, que «José foi chamado por Deus para servir directamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade (…)». Entenda-se vicissitudes neste caso como dor e angústia, nos dilemas em que a sua consciência de homem bom é confrontada, desde logo “com a gravidez incompreensível de Maria”. Se a tremenda dor que terá fustigado o coração de São José no tempo que medeia a chocante notícia até à visita do anjo e ao seu humilde “Sim” é fundamento integrante do seu heroísmo, não o será menos a sua discreta vida de trabalho e constância ao lado de Nossa Senhora. Tal seria suficiente para fazer dele o maior dos santos da Igreja. Estou plenamente convencido de que a santidade se manifesta tanto em eloquentes actos corajosos, quanto na constância e fiabilidade de uma vida discreta que põe o amor ao próximo (à família e à sua comunidade) num plano superior, em que os momentos obscuros e as tentações mesquinhas são paulatinamente superadas tendo em vista um compromisso, por conta de um projecto maior, de metódica construção duma harmonia, que dá sentido à história humana, ou melhor ainda, ao projecto divino da Salvação.
Acresce que a convocação da figura de São José nestes conturbados tempos (alguma vez o não terão sido?), numa sociedade híper-individualista (isso sim uma novidade) com a crescente desagregação das famílias, justifica-se pela necessidade de resgatar a relevância do pai, tantas vezes secundarizado ou simplesmente ausente, como elemento fulcral para a educação das crianças na diversidade dum casal. Constituindo um assunto tabu na nossa cultura niilista, dominada pelas agendas fracturantes dos poderosos lóbis LGBT, trágica vem-se revelando a epidemia do abandono paternal, um verdadeiro fenómeno no Brasil, onde 5,5 milhões de brasileiros não possuem o nome do pai na certidão de nascimento e onde se calcula que mais de 11 milhões de famílias são formadas apenas por mães que criam seus filhos sozinhas. Não é um direito fundamental para a dignidade da criança ter um pai e uma mãe num ambiente familiar salubre e assim se fazer uma boa pessoa?
Tudo razões para olharmos para São José e para o seu exemplo de vida. Pela minha parte continuarei humildemente a rezar-lhe para que me inspire no dia-a-dia familiar, como marido, pai e padrasto. Para que as minhas virtudes consigam compensar os meus erros e desse modo eu consiga levar o meu papel de chefe de família a bom porto. O principal objectivo da minha vida.
"chefe de família"?! Isso está fora de moda, João Távora. Atualmente não há chefes, muito menos nas famílias.
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ResponderEliminargrego (https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_grega)díplóma, matos
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Tenho uma ternura muito especial por são José. Obrigado pela sensibilidade das suas palavras.
ResponderEliminarA verdadeira cultura católica/cristã é a única que serve para combater a aberração em que as sociedades ocidentais se têm vindo a transformar especialmente desde a Revolução Francesa.
ResponderEliminarCompete também aos governos facilitar essa melhoria através da implementação, rápida e em força, de reformas estruturais a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais.
Sim, será um direito fundamental da criança ter um ambiente familiar salubre. De preferência com um pai e uma mãe emocionalmente saudáveis, individuados e realmente adultos, mas não necessariamente. Basta um dos pais ser emocionalmente imaturo - e infelizmente, boa parte dos adultos portugueses tem a maturidade emocional de uma criança de 8 a 10 anos e quer manter-se aí -, para a coisa não correr lá muito bem no que ao desenvolvimento infantil diz respeito. E isso é mto mto visivel nas gerações de 80 e 90, estão completamente aos papéis, zero regulação emocional, sem saberem quem são... mas tenho alguma esperança que acabemos todos na terapia, para ver se crescemos. Antes que o estrago, em nos e na geração a seguir, seja ainda maior.
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