sexta-feira, 4 de abril de 2025

Heterodoxia

Trump, pelo que percebo (reconhecidamente pouco), adoptou uma política proteccionista de reindustrialização do país dele.


Não sei o suficiente de economia, mas, aparentemente, o que fez foi adoptar tarifas alfandegárias para proteger a produção americana e, com isso, forçar a reindustrialização do país (de caminho, poderá reduzir o défice do Estado e o défice comercial do país, se as coisas não correrem muito mal).


Tenho ideia de que estas políticas têm um efeito de travão nas melhorias de eficiência e, por isso, traduzem-se na produção de menos riqueza, globalmente, mas, eventualmente, tornando mais ricos alguns agentes económicos específicos, à custa dos consumidores (por alguma razão a legislação portuguesa de protecção da produção de cereais de 1899, de Elvino de Brito, ficou conhecida como lei da fome e, o que acho uma ironia deliciosa, foi objecto de uma crítica liberal duríssima por parte de Salazar, em 1916, nas suas provas para a entrada na Universidade de Coimbra, ele que manifestamente nunca foi liberal e cujo governo, mais tarde, manteve a campanha do trigo que a Ditadura Nacional tinha posto em marcha).


Por mim, espero para ver o efeito desta opção.


Para já, o que verdadeiramente me diverte, é ver tanto estatista, alguns assumidamente proteccionistas noutras circunstâncias, militantes da produção local e protestantes contra a insustentabilidade de ter os produtos a passear pelo mundo em qualquer altura do ano (a quantidade de morangos que tenho visto à venda nesta altura, e mesmo mais cedo, é impressionante), convertidos em verdadeiros campeões do liberalismo económico.


Bem vindos, camaradas.

15 comentários:


  1. Tem toda a razão este post do Henrique.
    É também divertido lembrar os esquerdistas que há uns anos protestavam contra a Organização Mundial do Comércio "neoliberal" andarem agora a defendê-la, e às suas regras.
    E é divertido ver os direitistas que há uns anos protestavam por a economia portuguesa estar focada em setores não-transacionáveis e ter um grande défice comercial não se aperceberem agora que a economia dos EUA sofre exatamente dos mesmos males.

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  2. A actual ordem globalista cooptou o esquerdismo (depois de o ter feito com o centrismo liberal e social democrata etc a que alguns insistem em chamar de direita) para as suas fileiras,daí que os inimigos de todos esses à esquerda e Centro serão todo e qualquer soberanista/nacionalista(Trump mais ainda) e não aqueles que há décadas andam a fomentar as crises em nome do progresso e da utopia/distopia do mundo igual para todos,isto é todos o que estamos na base da piramide a ser endrominados pelos que estão no meio da piramide (incluindo os média) em favor,obviamente, dos que ditam as agendas desde o topo da dita pirâmide.

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  3. Proteccionismo e liberalismo, se fosse a Dra Kamala a fazer isto, os Magas entravam em parafuso com as medidas marxistas.
    Salvo as palhaçadas, e aquele discurso de quase uma hora nem no 7º ano, o Dr. Donald sempre foi um defensor de tarifas (que existem, e existirão) e de balanço comercial positivo. Nada de novo. Os USA (e Europa) tornaram-se num capitalismo financeiro ao invés de económico, estão dependentes de produção de outros países, o que na verdade tem impacto até ao nível da segurança, como no caso dos medicamentos.
    o discurso do estão todos contra nós e passaram décadas a explorar-nos levaria a outro tipo de propagandas, mas adiante.
    O que o Dr Trump, para lá dos amanhãs que cantam, omite, é que hoje as cadeias produtivas não são nacionais, por exemplo um automóvel é montado no país X, mas cada um dos componentes é montado em local diferente, sendo que as peças elas próprias vêm de todo o mundo. E não será porque a indústria automóvel é anti-patriota ou assim, mas porque optaram por processos mais baratos e eficientes.
    Também tenho sérias dúvidas que o país Y cobre 80% de tarifas aos USA, independentemente dos produtos. Aí o Hps terá mais conhecimento que eu, certamente, pois estuda a matéria.
    Quem acompanha no mínimo o processo sabe que, na opinião gringa, poucos estão contra "as tarifas", mas sim contra a forma. Que são os países produtores a pagar, e que a inflação será zero porque oferta e procura, ou que o emprego vai aumentar no dia seguinte.
    A ver vamos, como dizia o cego.

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  4. qual esquerdismo, o económico ou o social? É que não vejo por aí muito colectivo, nem sequer na China.

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  5. Sem querer fazer considerações sobre os eventuais méritos ou defeitos das "tarifas à Trump", não posso deixar de achar curioso que de repente, parece que não existem por esse mundo fora tarifas alfandegárias, tudo em nome de uma "grande eficiência económica internacional".
    Parece até que a UE não é ela própria uma união económica, com livre circulação de bens e sem tarifas alfandegárias entre os países que compõem essa união, mas com tarifas para as importações provenientes dos países que não a compõem. Ou já se esqueceram das recentes taxas alfandegárias da UE sobre a importação de carros elétricos chineses.

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  6. Por acaso é verdade. Não me lembro de ter visto a mesma indignação com as taxas alfandegárias da UE sobre os carros chineses. 
    Mais uma vez bem prega Frei Tomás faz o que ele diz não faças o que ele faz. 

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  7. As taxas sobre os carros chineses servem para esconder o facto da Europa (e USA) ter sido ultrapassada pela China no sector tecnológico. Sim, que a indústria automóvel hoje é tecnologia. Fazem mais barato, e melhor.
    Ainda assim, há diferença entre tarifar um país ou produto, e varrer tudo por igual. Inclusive rasgando acordos como os que tinham com México e Canadá. 

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  8. Sim, o que o PR dos EUA está a realizar é apenas a uma óbvia correcção do que ao tempo foi vantajoso para os EUA: recorrer à mão de obra mais barata no terceiro mundo (inclusivé na China).

    O cenário agora é outro. Além disso a China agora já é um concorrente que convém conter, mesmo militarmente. Para tal esta outra guerra, a das tarifas aduaneiras, ajuda e clarifica.
     
    Daí Trump ter redobradas vantagens ao recorrer ao formato "Fortaleza USA". Aquele País, pela sua dimensão e diversidade tem meios, tem possibilidade de o ser.
    Os EUA podem-se re-industrializar e têm meios políticos, económicos, industriais e financeiros, bem assim como cultura e tradição, para o conseguir.
    Trump é o homem certo no momento certo, para os EUA, repito, para os EUA. Por muito que as folcloricas oposições internas e externas tentem afirmar o contrário. 

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  9. (a continuar)link (https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-estupidez-de-trump-e-acolitos-18113065?thread=131612201#t131612201)

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  10. (continuação)





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