Esta peça do Observador é o que eu gostaria que fosse, dominantemente, o jornalismo.
Claro que se pode perguntar se o acesso à documentação não terá sido proporcionado por alguém ligado à empresa, violando deveres de confidencialidade em relação aos clientes e outras questões metafísicas do mesmo tipo.
Também se pode questionar o uso de fontes anónimas, mas não só o seu uso é restrito como não serve para contrabandear opiniões, serve para ajudar a interpretar a documentação e alargar os pontos de vista na interpretação da informação.
Certo, certo, é que se a imprensa funcionasse sempre assim, não só não estaríamos agora em campanha eleitoral (jamais os dirigentes do PS adoptariam o discurso que adoptaram, com insinuações gravíssimas, para justificar o absurdo da Comissão Parlamentar de Inquérito em que se empenharam, se a informação dominante no espaço público fosse a que resulta desta peça jornalística), como o espaço para a intriga, a insinuação não fundamentada, a difamação e outras formas ilegítimas de condicionar o debate público não seria o que é hoje, restringindo os efeitos socialmente negativos que decorrem do contexto de suspeição permanente e generalizada em que estamos metidos, promovido por uma imprensa que se esqueceu de regras básicas da profissão.
Obrigado Luís Rosa e obrigado Observador.
ResponderEliminarse a imprensa funcionasse sempre assim, [...] não estaríamos agora em campanha eleitoral
Portanto, a culpa da queda do governo é da imprensa, que não fez atempadamente o trabalho que, pelos vistos, esta peça do Observador faz?
Que tese tão esquisita. A culpa de o Governo ter apresentado uma moção de confiança, e de o PS a ter rejeitado, é afinal da imprensa. O Governo não tem culpa. O PS também não. A imprensa é que não fez - mais cedo - o trabalho de espionagem que deveria ter feito.
É exactamente isso que tenho vindo a dizer: da mesma maneira que a responsabilidade pelo padrão de fogo não resulta das ignições, mas do contexto, também o curso político não resulta tanto das opções de cada um, mas do contexto que faz com que as opções de cada um sejam o que são.
ResponderEliminarPS e PSD são os culpados.
ResponderEliminarIsso de assacar culpas a terceiros é típico estatismo portuga, que se recusa a assumir a responsabilidade individual. A culpa nunca é do indivíduo, é do sistema, do governo, de Deus ou do tempo. Neste caso foram os jornais. Aqueles que, dizem, já ninguém lê ou a quem ninguém liga.
Make Europe Great Again
Sim, sim, claro, o contexto é uma irrelevância.
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ResponderEliminarNeste caso, sim.
Mas para os estatistas anti-responsabilidade individual, às vezes sim, outras vezes não. O contexto importa ou não, desde que não impeça a desculpabilização pessoal.
Usar uma cassete ideológica para olhar para o mundo não tem grande utilidade. Se não acredita em mim, estude o Partido Comunista para perceber como têm evoluído no sentido da irrelevância.
ResponderEliminarRealmente, cada vez gosto mais destas pseudo conclusões feitas por técnicos altamente especializados. Tal e qual como no caso das gémeas em que o objectivo da comissão foi completamente apagado.
ResponderEliminarCoitadinho do Montenegro foi tão injustiçado, ele até queria fazer uma comissão de inquérito em 15 dias. São mesmo uns malvados.
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ResponderEliminarBem prega o Frei Tomás...
ResponderEliminarMas porquê o Observador, e não a Assembleia da República?
ResponderEliminarFoi por uma questão de dignidade ou outra qualquer?
ResponderEliminarDe vez em quando o HPS parece incomodar "acidamente" alguns frequentadores deste Blog, ainda bem, traz-nos à memória que Portugal tem de estar atento às metalidades que vagueiam nas profundezas dos esgotos Políticos e não só.
Cá por mim não compro um "paper", nem de futebol, há mais de 20 anos.
Ninguém compra papers. Por isso mesmo estão falidos. Porém, continuam a deter um poder incrível. É a prova de que uma árvore ao cair numa floresta sem qualquer pessoa, faz barulho.
ResponderEliminarNão, foi porque o PS não quis
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ResponderEliminarCoitadinho do Montenegro foi tão injustiçado, ele até queria fazer uma comissão de inquérito em 15 dias.
Seria bom saber se, caso essa comissão de inquérito tivesse visto a luz do dia, alguma vez teriam sido apuradas estas coisas que agora apareceram no Observador.
A minha opinião é que não, não teriam. Estas coisas apareceram agora no Observador porque alguém as quis revelar agora. Agora que há eleições marcadas e que chegou a hora de dar lustro à imagem de Montenegro.
Como a peça do Observador demonstra, para olhar para a documentação de uma empresa e tirar conclusões sólidas, 15 dias são mais que suficientes.
ResponderEliminarDito isto, a última proposta foi uma comissão até ao fim de Maio, e foi essa proposta que foi recusada pelo PS.
Acompanho H.P.S. no seu agradecimento a L.R. e ao Observador jornal digital que leio desde os seus primordios e do qual sou assinante tem sido uma luz na escuridão que é comunicação social falada e escrita em Portugal. Nós nem teriamos de agradecer se esta maneira de comunicar fosse a regra (como devia ser)e não a excepção. Quando se levantam publicamente suspeições de corrupção, de ilegalidades a qualquer pessoa seja quem for ,tem de haver provas concretas baseadas na lei vigente caso contrário tem de haver sanção. A impunidade conduz ao caos e há lei do mais forte, a comunicação social tem direitos é indispensável mas tem deveres e so se tornará imprescindível se os respeitar. Estranhamente pelo que aqui se lê há pessoas que só acreditam nas suspeições levantadas e quando há quem as investigue e mostre a sua inconsistencia ficam indignados porque será?
ResponderEliminarA culpa deste grave, prolongado interregno -o País sem governo a tempo inteiro e eleições quase redundantes e consecutivas- será mesmo do jornalismo?. Será do PS ou das restantes oposições?. Dos factos ou dos comentadores e fazedores de opinião?. Não.
ResponderEliminarA culpa deste grave interregno, o País sem governo a tempo inteiro, é dos Sistema Eleitoral. Sistema que muito agrada a todos os partidos, diga-se.
Num Sistema Eleitoral com votação uninominal se a conduta (política ou não) de um PM está realmente em causa o seu próprio partido terá todo o interesse em o remover, como por exemplo acontece no Reino Unido. Numa semana haverá novo PM e apresentação de Governo.
Num Sistema Eleitoral com votação uninominal se a conduta (política ou não) de um deputado está realmente em causa o seu próprio partido terá interesse em o remover, como por exemplo no Reino Unido. Num curto espaço de tempo realizam-se eleições no círculo eleitoral de origem de esse deputado, sem que esse processo afecte a governação.
Os partidos mantêm este Sistema Eleiotral em seu benefício exclusivo, mas com graves prejuizo para o País. A culpa será do jornalismo?.
O PS não tinha que querer...O Observador é que podia publicar ...
ResponderEliminarSubscrevo. A população tem obviamente a sua responsabilidade pela iliteracia que a enferma. O pseudo jornalismo, maioritario nos OCS, tem também a sua e enorme responsabilidade. Eles sabem disso. Mas cumprem a sua missão - a troco de um salário, seguem o guião das direccoes de informação e excluem-se a si próprios do cumprimento do Art 1 do consigo deontológico do seu próprio sindicato. A quem chame a isto de mercenarismo no jornalismo.
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ResponderEliminarA questão é a documentação ficar disponível para se olhar para ela.
Como é que o Observador chegou à posse da documentção? Não sabemos. Mas foi, provavelmente, porque alguém a quis revelar neste preciso momento e não noutro momento (e ao Observador e não a outro jornal).
ResponderEliminarSe é tudo tão inocente como o Luis Rosa diz, como se ele fosse inocente tendo em conta o assunto e o visado em questão, porque não foi disponibilizada a informação quando as questões se colocaram e porque há tanto medo da CPI.
ResponderEliminarContinua a não dar a bota com a perdigota.
Só uma coisa que é certa: LM está agarrado ao poder, ao cargo, e não quer de todo perdê-lo.
Só assim se justifica libertar a informação a conta gotas e evitar disponibilizá-la toda. Sempre que se aperta lá vem mais uma novidade.
Bastou ver o espetaculo degradante que o governo e base de apoio proporcionaram no dia da votação da moção de confiança para preservarem o poleiro.
Foi disponibilizada a informação relevante, não vale a pena insistir nessa mentira.
ResponderEliminarTem de perguntar ao PS por que razão teve medo de uma CPI até ao fim de Maio, eu também não entendo.
As CPI não são à la carte.
ResponderEliminar"
Realmente é tudo muito estranho agora que a documentação esta a ser analisada e se vai percebendo que as acusações são infundadas L.M. continua culpado agora porque não divulgou antes os documentos que mostram a inconsistencia das graves suspeições sobre ele levantadas, querendo dar a entender que a responsabilidade dessas suspeições foram dele já que está agarrado ao poder e pelos vistos isso o favorece Haja paciência então já não se exige a quem acusa as provas dessas acusações e a responsabilidade de as fazer? A vitima agora vira réu por se defender? Onde iremos parar se continuarmos por este caminho? É bom lembrar que L. M. está no poder é primeiro ministro porque uma maioria de Portugueses assim votou e não será por suspeições infundadas (ao que vamos sabendo)que teria de se demiitir. Ele fez aquilo que tinha que fazer perante as graves suspeições que continuaram a ser feitas pelo maior partido da oposição mesmo depois do chumbo da primeira moção de censura o que só prova que não está agarrado ao poder e que de facto não tinha condições para governar pois a moção foi chumbada e os partidos da oposição responsabilizados pela queda do governo. Agora a palavra pertence aos Portugueses e perante o que se vai lendo e ouvindo parece que muita gente começa a ficar assustada.
ResponderEliminarQue foi disponibilizada a informação relevante é facilmente verificável por si, não depende do que publica a Comunicação Social, vá ouvir a intervenção inicial de Montenegro no debate da moção de censura do Chega
ResponderEliminarhttps://portadaloja.blogspot.com/2025/03/informacao-do-correio-da-manha-fuga-pra.html
ResponderEliminarOntem, no "Principio da Incerteza", Alexandra Leitão criticou todo o trabalho de investigação do Observador feito por jornalistas experientes na área, invocando a falta de contraditório. Estranhamente _ ou não..._ em nenhum momento ouvi referir a mesma falta de contraditório no Correio da Manhã, o jornal que espoletou o "caso". Um pouco de coerência e equidade nos critérios, ficava bem a esta sra.
ResponderEliminarMas há mais: além de referir a falta de contraditório do dito jornal, queixou-se a mesma A.Leitão do facto de L. Montenegro ter dado a primazia ao Observador disponibilizando-lhe o acesso à documentação, mas não o ter feito a outros órgãos de comunicação.
Ora não sendo a referida sra. parva, certamente _ e nós também não _ a conclusão lógica a retirar dos títulos sensacionalistas do CM (ou outro) é que não há por detrás daquelas notícias, qualquer "trabalho" prévio, , nem pois não teve acesso às fontes. Isto é o que depreende pela lógica, qualquer pessoa de mediana inteligência e "compreensão" e que ficou patente nas palavras da própria A. Leitão, ao criticar Montenegro por ceder documentos exclusivamente a um jornal e não a outros.
Daqui só há duas ilacçóes a tirar:
- o jornal CM fez uma denúncia grave baseada no diz-que disse, sem ter o conhecimento cabal e material dos factos e, mais grave, não procurou apurar a Verdade das suas afirmações através do contraditório.
- o Observador, pelo contrário, desenvolveu uma investigação documentada, porque baseada directamente nas fontes a que teve acesso. Acabou assim este jornal a desempenhar a função de contraditório que faltou ao CM.
Misteriosamente, este jornal, considerado desprezível pela elite bem pensante por ser um jornal popularucho e sensacionalista, com os seus títulos bombásticos, de repente tornou-se credível, diria quase um jornal de referência.
Agora uma verdade de La Palisse, por ser tão simples e tão clara: o problema não é senão este: os socialistas estão (quase) sem argumentos para atacar o governo e eureka! surgiu-lhes esta espécie de história interminável cujo enredo não querem que tenha um desfecho, porque não os move apurar a verdade. Por essa razão esta "história" não terá um fim próximo e impedirão que ela chegue ao seu termo, acrescentando páginas e mais outra página que vão abrindo, a cada dia, incessantemente , interminavelmente como lhes convém para irem desgastando lentamente o governo.
Montenegro terá percebido que era essa a táctica que a oposição ia usar com uma interminável Comissão Inquérito Parlamentar e que tanta celeuma causou na oposição por acharem que o L.M. tinha "algo a esconder".
Convém lembrar e sublinhar _ a propósito _ um detalhe de que todos se esqueceram: é que o Chega tencionava sentar na CIP a mulher e os filhos de Montenegro! Todos imaginamos o interrogatório a que seriam sujeitos por estes torquemadas do Chega, cuja única obsessão seria a devassa e a humilhação pública da família do L.Montenegro para "o" descredibilizar perante o país. Este fez o que qualquer pai faria no seu lugar (e subiu na minha consideração): impediu que os filhos fossem usados para o atingir a ele e resguardá-los da devassa da sua vida, evitar a sua exposição pública aos olhos gulosos de tablóides, para protegê-los de serem exibidos, filmados, fotografados para serem divulgadas as suas imagens com frases sortidas e fora de contexto, nas capas dum qualquer pasquim sensacionalista.
A quem estiver interessado, aconselho a que ouça este programa (de mais de 1h) que esclarece algumas questões falsas que por aí circulam:
https://observador.pt/programas/contra-corrente/a-montanha-de-suspeitas-pariu-um-rato-debate/
O supracitado programa contém imensas informações sobe o dossier Montenegro , mas aconselho que se ouça sobretudo a partir do minuto 36.
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