Primeiro era a aprovação da "lei dos solos" que servia para rentabilizar os terrenos, actuais e futuros, dos governantes.
Depois eram umas avenças para coisa nenhuma que Montenegro recebia.
Depois, afinal as avenças eram para pagar serviços realmente prestados, mas em part-time pelo primeiro-ministro que tinha a obrigação de se dedicar, exclusivamente, à governação.
Havia ainda umas pessoas que se acham intelectualmente sofisticadas, que não se diminuem nem se excluem do que quer que seja, que clamavam contra a procuradoria ilícita.
Mais tarde, passaram a ser os conflitos de interesse óbvios, esquecendo-se de que o óbvio é uma coisa muito subjectiva mas serve para alguém se dispensar de explicar os fundamentos do que diz ou escreve.
Foram sempre cavalgando tudo isto, fazendo acusações gravíssimas, elaborando complicadas análises que tinham sempre, sempre, a mesma conclusão: Montenegro, para além de um escroque, era um aldrabão de quinta categoria, completamente incompetente para apagar os traços das suas actividades duvidosas.
Montenegro fartou-se e apresentou-se no parlamento com uma moção de confiança, ou acham que sirvo para isto, ou vamos perguntar a quem manda.
Durante uma semana a quinze dias, disseram coisas extraordinárias sobre esta opção e o preço altíssimo que Montenegro ia pagar ("Cada vez há mais pessoas a fazerem contas à derrota de Luís Montenegro, dentro do PSD ... isto vai ser uma hecatombe ... quando nós tivermos uma derrota pesada, quem é que nós vamos meter aqui para recuperar ... alguém que acha que este discurso cola, é alguém que ainda não percebeu o que está a acontecer", dizia Miguel Pinheiro em 12 de Março de 2025, como se fosse uma evidência indiscutível, o tal óbvio).
"De repente, não mais que de repente", parece que tudo mudou e multiplicam-se as igualmente evidentes declarações de que a AD vai ganhar, provavelmente folgadamente, as eleições.
Eu não sei se vai ganhar ou não, acho que sim, neste momento, mas dois meses é uma eternidade em política, o que sei é que os mesmíssimos cavaleiros que cavalgaram todas as grandes acusações, e se atiraram sem medo para todas as cascas de banana que lhes foram sendo lançadas sobre Montenegro, "de repente, não mais que de repente", mudaram de estribilho: afinal a questão não é a facilidade com os sofisticados pensadores e analistas morderam iscos que, desde o primeiro minuto, pareciam histórias mal contadas, afinal o problema é a enorme tolerância da população à corrupção paroquial ou uma reduzida exigência ética que faz com que o povo conviva alegremente com o passado de Montenegro, ao contrário dos comentadores que, acham eles, têm elevadíssimos padrões éticos que os impedem de viver tranquilamente nesta piolheira.
Lá admitir que talvez o passado de Montenegro seja mais normal do que o pintaram e que não se encontra nada que justifique o charivari que fizeram, isto é, lá admitirem que foram "embarretados" como Nicolau Santos admitiu sobre Artur Baptista Silva, isso é que nunca, porque isso seria admitir que as suas análises e comentários políticos não diferem muito dos meus ou dos gajos de Alfama, umas vezes acertam, outras não.
entristece-me sempre o espetáculo diário dos políticos que acusam sem provar o que afirmam.
ResponderEliminarO efeito de halo é tramado, consegue ver virtudes no meio da lixeira. Querem ver que o homem é santo, se calhar ainda vai ser canonizado.
ResponderEliminarLM já admitiu que não esteve bem na gestão de todo este processo, começando por não se ter "livrado" da empresa mais cedo e depois em termos comunicacionais.
ResponderEliminarJá aqui comentei que o que levantou mais suspeições sobre si mesmo, foi a atitude de LM do que propriamente os factos que até agora se conhecem.
Se era motivo para a moção de confiança, claro que não, mas LM também decidiu desafiar a oposição, querendo depois recuar deploravelmente e levantando mais suspeições.
Afinal, se nada mais há do que se conhece, devia ter ficado sossegado, apesar da falta de etica. Para já é "só" isso.
Todo o debate político em Portugal está ao nível da intriga de corte ...
ResponderEliminare fácil fazer a história do que quer que seja porque já nada se altera
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ResponderEliminarTudo estaria resolvido se LM passasse a empresa ao pai... Tsk! Tsk! Amador ...
ResponderEliminarSubscrevo. Primeiro eram os interesses imobiliários.
ResponderEliminarEu não tenho duvidas que os politicos lavam as mãos uns aos outros e embolsam de forma legal (ajustes directos para amigos ou eles mesmo), mas não são só os politicos, a maioria dos portugueses se puder meter a mão no pote, mete.
ResponderEliminarÉ uma questão de mentalidade, a disciplina de cidadania devia educar os alunos ao civismo e não a darem o traseiro.
Avençado!!! Por mais que queiram branquear...Montenegro,.nao chega aos calcanhares de Cavaco Silva como estadista!!!
ResponderEliminarSó duas notas, Nicolau Santos é presidente da ERC e Pedro Nuno é o Secretário Geral que sucedeu a António Costa.
ResponderEliminarA esmagadora maioria da humanidade está algures entre ser um escroque e um santo, logo, dizer de alguém que não se demonstra ser um escroque, não é o mesmo que dizer que essa pessoa é um santo.
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ResponderEliminarNo sistema político português não há "checks and balances", controle e equilíbrios, nos poderes da República.
Os PMs, Executivo, escolhem os (seus) deputados (Legislativo) pelo que estes não fiscalizam os PMs.
Os PMs e os (seus) deputados selecionam o Judicial.
O 4º poder, a Comunicação Social, tem honrosas excepções mas com travo a oposição.
Uma partidocracia, com PMs inocentes, ou não. Que o Poder corrompe, lá isso não há dúvidas.