sexta-feira, 28 de março de 2025

O significado dos impostos

Há uma discussão sistemática entre quem defende que é melhor o dinheiro estar nos bolsos dos contribuintes e quem diz que é preciso que o Estado tenha recursos para atender a quem é deixado para trás pela sociedade.


Provavelmente os dois estão certos, o problema está no ponto de equilíbrio que respeita a maior eficiência de cada um de nós a alocar os recursos para o que queremos, sem deixar de haver recursos para os que não se conseguem aguentar neste ambiente económico e social.


Eu sou presidente do conselho fiscal da Montis, que terá uma Assembleia Geral amanhã para aprovar contas e ao olhar para os documentos que foram enviados para todos os sócios não deixei de fazer a ligação com a questão dos impostos.


A Montis é uma pequena associação que tem um orçamento anual em torno dos 130 mil euros.


Cerca de metade das despesas dizem respeito a pessoal, por volta dos 60 mil euros.


Destes 60 mil euros, são 9 mil e quinhentos euros directamente para o Estado, sob a forma de Taxa Social Única.


Para além das outras despesas com pessoal, ficam 43 mil e quinhentos para remunerações, mas o Estado não ficou satisfeito com os primeiros 9 mil e quinhentos e a estes 43 mil e quinhentos que são os ordenados, vai ainda buscar mais 11% de TSU (pouco menos de 5 mil euros) e o IRS, que vamos admitir que são outros 5 mil euros, ou seja, dos 60 mil euros iniciais referentes a despesas com pessoal que a Montis tem, cerca de um terço, uns vinte mil, correspondem a uma avença paga pela Montis ao Estado.


Ou seja, por cada euro que a Montis consegue angariar (consignação do IRS, quotas, donativos, acordos de parceria), 15 cêntimos marcham directamente para o Estado.


Apesar do Estado reconhecer a utilidade pública da Montis, o certo é que os 25 euros de quota que os sócios pagam correspondem, na melhor das hipóteses (na verdade não estou a falar dos impostos cobrados no resto das despesas que não dizem respeito a despesas com pessoal, que não devem andar longe do mesmo nível, por exemplo, para alugar uma casa por 100 euros por mês, a Montis tem de pagar 140, porque o Estado cobra 28% de impostos ao senhorio), a 21,25 porque o Estado cobra uma comissão de 3,75 euros.


A questão aqui não é a Montis, uma pequena organização, a questão é o conjunto da sociedade que tem de carregar às costas este nível de taxação, que será tão socialmente mais negativo quanto mais o Estado for ineficiente na forma como gasta os recursos assim angariados.


Havendo eleições dentro de pouco tempo, a mim parecer-me-ia muito mais útil que o jornalismo político moesse o juízo dos candidatos com perguntas sobre o que isto significa que discutir as magnas questões do cabeça de lista de este ou aquele, neste ou naquele distrito, matéria que só interessa aos directamente envolvidos.

6 comentários:

  1. tem toda a razão: o estado social comporta-se como sanguessuga ou como Ruim dos bosques. trabalho para pagar impostos diretos e indiretos e comprar: casa, comida, vestuário, ensino, saúde, transporte e há numeroso grupo de inúteis que têm ou querem ter gratuitamente tudo isto

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  2. todo o jornalismo deste país pertence às várias esquerdas que insultam e impedem o desenvolvimento de Portugal: já apoiou 3 bancarrotas.

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  3. A Taxa Social Única é, creio, a forma principal de financiar as pensões de reforma.
    Seria naturalmente ótimo eliminá-la, mas então quem pagaria as reformas?
    Trata-se de um sistema transparente e honesto, no qual os trabalhadores atuais pagam, como é seu dever, o sustento dos idosos - como sempre se fez na generalidade das sociedades humanas.

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  4. Estado mínimo 
    Economia de mercado
    Fundos de pensões. Cada um desconta/contribui para o seu futuro
    Privados na saúde e educação sem competição injusta de entidades subsidiadas pelo contribuinte 
    Acabar com institutos e observatórios 


    DOGE em Portugal precisa-se

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  5. Essa ideia de cada um descontar para a sua velhice é muito bonita, mas não corresponde àquilo que sempre se fez nas sociedades humanas. Aquilo que sempre se fez foi as pessoas no ativo sustentarem os idosos. Os filhos sustentam os pais idosos, tal como no passado os pais sustentaram os filhos.
    Além disso, põe os idosos dependentes de uma economia financeira que já hoje é grande de mais e que a qualquer momento pode dar o estouro.

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