
Como se vê pelo boneco acima, o ordenamento do território interessa-me o suficiente para ir onde me convidam para falar sobre o assunto, desde que compatível com as minhas circunstâncias.
E se aceito a ir a uma mesa redonda na próxima Quarta-feira, é porque acho que há matéria a discutir sobre o assunto.
O que não me impede de achar que o Público demonstra muito bem que desistiu do jornalismo quando a sua manchete principal de hoje é "Governo deixa cair renda acessível como regra para converter solos".
O que leva um jornal a fazer a sua manchete principal em 10 de Janeiro de 2025 com uma informação conhecida e publicamente anunciada pelo governo em 30 de Maio de 2024?
Nada, a não ser a vontade da jornalista que no jornal escreve sobre habitação (Rafaela Burd Relvas) partindo da estranha concepção de que o mercado imobiliário é um mercado especial, em que os produtores não podem ganhar dinheiro e têm a obrigação que produzir habitação nos melhores locais a preços que sejam compatíveis com os ordenados mais baixos do país.
A jornalista está muito indignada porque o governo antigamente dizia que queria incentivar a oferta de habitação a custos controlados, arrendamento acessível, alojamento temporário para reforço da Bolsa Nacional de Alojamento Temporário e oferta para casas de função, no entretanto falava de habitação pública, arrendamento acessível e habitação de valor moderado (um conceito novo que o governo entretanto inventou, mas no diploma que meses depois é produzido fala-se apenas em habitação pública ou habitação de valor moderado, deixando de lá estar escrito o arrendamento acessível.
Qualquer pessoa percebe que o arrendamento acessível se concretiza ou com habitação pública com com casas a valor moderado, mas a jornalista (e o jornal, que faz desta bizantinice a sua manchete) indigna-se porque não está escrito uma coisa que evidentemente seria redundante (como era redundante desde o princípio, sendo provavelmente por meras razões de comunicação política que era referida).
Na verdade a peça não tem interesse nenhum (tudo o que diz é mais que do conhecimento público) mas a jornalista, aparentemente, o que queria era escrever este parágrafo "Assim, passará a ser exigido apenas que um mínimo de 70% da área total de construção nestes terrenos se destine a habitação pública ou de "valor moderado", um conceito que vem abrir a porta à especulação".
A especulação é um conceito económico simples de definir (independentemente de haver muita gente que defende a irrelevância do conceito): criação artifical de escassez com o objectivo de aumentar o preço de um bem ou serviço.
Pois a senhora Rafaela Burd Relvas acha que uma norma cujo efeito potencial (se tiver algum, do que duvido) consiste em aumentar a oferta de solo urbano abre a porta à escassez artificial.
Eu sei de onde vem este disparate, é da sistemática referência à subida de preços no imobiliário como sendo sempre especulativa, deve ser o único mercado do mundo em que os especuladores conseguem criar escassez artificial indefinidamente, sem irem à falência.
Já os jornais que fazem manchetes com base em informações que são públicas há meses, apenas para dar livre curso à vontade dos seus jornalistas fazerem política, esses tendem mesmo a ir à falência.
"regra acessível" --> "renda acessível"
ResponderEliminaro socialismo conduz à miséria. em 25 anos a dívida pública duplicou e o país não se desenvolveu.
ResponderEliminara AR devia alterar 'a lei da oferta e da procura'
Obrigado
ResponderEliminarestado representativo
ResponderEliminar
ResponderEliminarCorreto. Na conversa do dia-a-dia, porém, especulação é uma coisa muito mais simples: casas demasiadamente caras para que eu as possa comprar.
"
ResponderEliminar