“Tenho Alojamento Local, mas não vou ser eu que vou resolver o problema de habitação desta cidade. No dia em que a Câmara Municipal de Lisboa decida, eu deixo de ter. Mas não é cada um que, individualmente, tem de resolver um problema colectivo”. Esta declaração não é de Ricardo Robles, é de um ex-assessor do BE e de José Sá Fernandes na CML, detentor de duas unidades de Alojamento Local e proprietário de uma livraria onde promoveu “recolha de assinaturas” para o defunto referendo com vista à proibição do Alojamento Local “em todos os apartamentos privados destinados à habitação na cidade de Lisboa”.
Pois eu acho que o caminho para a resolução de problemas colectivos deveria começar sempre através do exemplo e mudança de atitude e coerência de cada indivíduo, principalmente quando assume posições publicas sobre o assunto. Vejamos: se defendermos publicamente que o automóvel é um nefasto causador de poluição, teremos de esperar sentados ao volante nos engarrafamentos da cidade por uma lei que nos proíba a circulação? Se tivermos uma posição pública contra as touradas, fará sentido comercializarmos touros para a faena? Ou ainda, se formos activistas de esquerda pelos direitos das mulheres faz sentido fazer uso das leis capitalistas para despedir duas trabalhadoras, mães recentes em período de amamentação?
Este é mais um caso exemplar da tão propalada ética republicana. Do excesso de confiança na lei e na mudança dos comportamentos pela via ortopédica. Ou uma profunda desconfiança pelo livre-arbítrio e liberdade individual. Uma velha e conhecida tentação dos progressistas com clara genealogia tirânica.
Quem parte e reparte...
ResponderEliminarEsquerda e extrema esquerda: a moralidade aplica-se ...aos outros. Ou, dito de outra forma, sempre muito progressistas na voz e nos dedos, mas invariavelmente capitalistas nos bolsos.
ResponderEliminarNa "ética republicana" a igualdade perante a lei não se configura condizente com o comportamento dos intervenientes. Não olham a meios para atingir os fins, desde que não sejam percebidos ou demasiado evidentes. Mas enchem a boca a criticar monarquias, vivendo eles....em palácios e querendo as mesmíssimas mordomias que apontam inquisidoramente aos outros.
ResponderEliminarAs declarações do dr. Bernardino Aranda são ridículas.
Imóveis construídos para habitação não podem ser colocados para alojamento local, turístico, temporário, ou de curta duração, é proibido por Lei.
Os assuntos de Lisboa só dizem respeito aos Lisboetas (naturais da Cidade de Lisboa e com raiz familiar na mesma: Pais, Avós, Bisavós), mas não faz sentido convocar um referendo sobre esta matéria, os imóveis construídos para habitação não podem ser colocados para alojamento local, turístico, temporário, ou de curta duração, é proibido por Lei, e a actividade profissional do Alojamento Local (AL) está devidamente regulamentada em Portugal.
O que é preciso fazer é acabar com esquema ilegal e criminoso conhecido como "alojamento local", isso compete aos Executivos que Governam as Câmaras Municipais que são obrigados a efectuar as respectivas fiscalizações e mandar cumprir a Lei.
Recolher assinaturas e convocar um referendo sobre esta matéria é tudo teatro, uma fraude para desviar atenções, manter tudo na mesma, e continuar com o esquema criminoso.
Esterco em forma de "gente"...
ResponderEliminarTodos eles.
Juromenha
ResponderEliminarMas existe algum socialista que seja contra o capital no seu bolso?? Só nos bolsos dos outros!...
Esta é a verdadeira ética republicana...
a eterna luta dos contribuintes vs burocracia estatal
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ResponderEliminarO ex-assessor do BE é capaz de ter razão.
Podemos imaginar que a quantidade total de Alojamento Local (AL) depende basicamente da procura desse tipo de alojamento. Se assim fôr, então a quantidade total de AL existente em Portugal não dependerá de haver muitos ou poucos proprietários de casas com vontade de instalar AL, mas sim de haver muitos ou poucos turistas à procura de AL.
Se assim fôr, então o facto de o proprietário X decidir não instalar AL na sua casa é irrelevante: o proprietário Y fá-lo-á em vez dele. Ou então o proprietário Z, ou o W. A quantidade total de AL será determinada somente pela procura, não pelas decisões de proprietários individuais.
Numa tal situação, a única forma de impedir a proliferação de AL é, de facto, o Governo proibir.