sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Sem vergonha

Eu sei que não faz muito sentido fazer comentários ao que escreve Luísa Semedo, uma tripla vítima da sociedade (por ser mulher, mulata e bissexual), professora de filosofia e cuja clareza de ideias pode ser avaliada facilmente por isto: "Este tipo de dominação cobarde, violenta e criminosa sobre os corpos das mulheres é semelhante à dominação colonial. Um poder que domina mentes e corpos, enfraquecendo-os previamente através da criação de relações de dependência vital, maus tratos, aprisionamento, trabalho forçado, violações e outros actos de violência extrema, sempre num desequilíbrio absoluto de forças".


Por si só, esta confusão mental entre violações continuadas ao longo de anos sobre a mesma mulher drogada e a dominação colonial não me faria fazer um comentário, apesar do que isto significa de suavização da violência absurda a que foi sujeita Giséle Pelicot.


"ao acompanhar ... o caso de dezenas de homens que violaram uma mulher em França e a rusga que humilhou dezenas de emigrantes em Portugal, não pude deixar de reflectir sobre as semelhanças entre ambos".


Não, não se trata de um tontinha que não tem noção do que está a dizer, tanto tem noção que imediatamente ensaia um arremedo de justificação para a barbaridade do que se está a escrever "Apesar de serem situações consubstancialmente distintas, ambas revelam uma perturbante continuidade nas dinâmicas de poder e na domesticação dos corpos".


Por que razão uma pessoa que branqueia alarvemente a violação de uma mulher, repetida vezes sem fim ("violações e outros actos de violência extrema", escrever-se-á mais à frente, numa demonstração de que se tem perfeita noção de que a violação, repetida ao longo de anos, daquela mulher em concreto é de uma violência inacreditável e excepcional), pode escrever num jornal de esquerda caviar o que escreveu neste caso, sem que se oiça um murmúrio de indignação?


Aparentemente, porque na verdade o mais relevante para esta esquerda sem princípios nem vergonha, o essencial, é apresentar uma rusga policial, acompanhada pelo ministério público, em que as pessoas são encostadas a uma parede, revistadas e mandadas seguir, como sendo uma acção de violência inaudita "uma domesticação dos corpos" na formulação ridícula escolhida para garantir o efeito retórico pretendido, sem o menor pudor em usar uma situação como a de Giséle Pelicot como paralelismo.


Pedro Adão e Silva, por exemplo, tem mais juízo, mas não tem dúvidas em classificar o que se passou como uma "operação policial assente em violência gratuita", razão pela qual lhe dá jeito que haja maluquinhos que fazem paralelismos que ajudem a fixar a ideia de que uma operação policial da qual não resulta uma única escoriação, um único insulto reportado, uma única queixa por parte de qualquer vítima, é uma operação policial assente em violência gratuita.


Depois queixem-se de que os eleitores, percebendo que "todas as palavras estão gastas", concluam o mesmo que o Eugénio: "Adeus".

8 comentários:

  1. Luísa Semedo tem o problema habitual dos activistas: um martelo é a única ferramenta que possuem, e por isso vêem tudo como sendo um prego.

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  2. Felizmente soprarão novos ventos do Oeste. O wokismo será substituído pelo Homem Novo vindo das Américas, a Europa finalmente será liberta das amarras do socialismo marxista, económico e social. Já se vê o movimento nas redes sociais, e em blogs de referência como este, em breve chegará à sociedade não digital. Estas gentes serão de novo remetidas para caves, tabernas e coretos de jardim, nos quais berrarão os seus impropérios perante a indiferença dos cidadãos.

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  3. "Sacedotes" do Anti-Natural, toda essa fauna ( ia escrever "essas bestas" , mas  contive-me...).
    Juromenha

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  4. Eu só não percebo porque ela faz questão de referir ser bissexual, é que não interessa para absolutamente nada.

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  5. Curiosamente passou ao lado da comunicação social um criminoso sexual do mais refinada pulhice e baixeza (uma multidão de crimes para dizer a verdade) de Jean-Philippe Desbordes sobre crianças à sua guarda. Talvez não seja simples acaso: era jornalista e escritor de esquerda.

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  6. De facto não percebo como o Sr. perde tempo com mentes perturbadas e alucinadas, tanto mais que o senhor nem é psiquiatra. 
    Por outro lado causa-me estranheza a irresponsabilidade e indiferença do Público, por não fazer qualquer diligência perante uma situação clínica com estes sintomas de delírio. O jornal não devia ter deixado passar esta salsada, onde é notório que a autora sofre de grande transtorno mental, desorganização do pensamento, confusão na compreensão do mundo, nitidamente a precisar de ajuda urgente.  
    E seríamos poupados a este sentimento de vergonha alheia por estar a ler esta mixórdia confrangedora, que raia a ofensa pela promiscuidade das comparações aviltantes ali descritas. 
    E é perigosa esta falta de sentido das proporções, porque a visão indistinta e nebulosa do Mal, só contribui para a sua banalização. 

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  7. Não é estranho na verdade(não num certo sentido pelo menos) pois esse jornal promove essas agendas políticas e ideológicas insanas há vários anos. 

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  8. E por falar em psiquiatra, deixo aqui um link para um video (o caso reportado é na Espanha mas pode muito bem ser igualmente enquadrado no caso português) onde não  faltam figuras insanas).




    https://youtu.be/ZlAmeF2Plgg?si=jxykHg6SATsV_5OC

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