terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Racistas há muitos

"Pediu-nos para pensarmos num formato e imaginámos um festival gratuito, capaz de alcançar públicos que não têm como pagar os preços do CCB: imigrantes, afrodescendentes." (Francisca Carneiro Fernandes)


Li uma vez, li duas vezes, li três vezes, e a minha irritação com esta frase, manifestamente racista, foi aumentando.


Em primeiro lugar seria preciso saber se os reformados com pensões de algumas centenas de euros, se os que ganham o ordenado mínimo, se os 50% dos trabalhadores portugueses que ganham menos de mil euros não vão ao CCB porque não têm como pagar os preços do CCB.


Depois seria preciso saber se tendo o CCB dinheiro para fazer festivais gratuitos, não seria melhor aplicá-lo em pagar os bilhetes (sob a forma de descontos ou outra qualquer) de pessoas de comprovada carência económica, em vez de dar borlas a muita gente que tem como pagar os bilhetes do CCB.


Depois seria preciso saber como se distinguem os imigrantes dos outros à entrada e por que razão é preciso trazer os imigrantes aos CCB, independentemente da discussão sobre o estatuto sócio-económico dos imigrantes que existem em Portugal.


Bem sei que afrodescendentes não quer dizer afro-descendentes (afro-descendentes são os meus filhos e acho que todos ganham mais que eu), o que me irritou na frase não é esta linguagem cifrada, é mesmo a ideia implícita de que pretos e mulatos não têm como pagar os preços do CCB, uma ideia paternalista e, convenhamos, muito pouco razoável, visto que os pretos, mulatos, amarelos, do industão, da polinésia, caucasianos, seja qual for o grupo que se escolha em função do tom de pele, não têm todos os mesmos rendimentos, havendo os que podem e os que não podem pagar os preços do CCB, independentemente do tom da pele.


O que a frase que citei traduz é o sentimento de superioridade destas elites burguesas, para quem caixas de supermercado, auxiliares de acção educativo, operários fabris, senhoras da limpeza, ajudantes de cozinha, etc., etc., etc., são completamente invisíveis, razão pela qual se fazem uns festivais multiculturais para mostrar exotismos, como antigamente se mostravam mulheres barbudas, com a desculpa de que se está a alargar o acesso dos mais pobres à alta cultura.


E se fossem pentear macacos?

14 comentários:

  1. Boa tarde HPSantos
    Nem jeito para pentear macacos têm.
    Que 2025 não lhe seja adverso. Saúde.
    António cabral

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  2. Mas quem é esta senhora?
    Não é aquela demitida do cargo após a polémica de uma cunha do antigo ministro da Cultura, o inenarrável Adão e Silva para a contratação de Aida Tavares e em que 2 directoras artísticas alegaram terem ficado sem funções durante meses e sido forçadas a sair? 
    Repito: ide trabalhar que o vosso(desta gente, elites burguesas como é referido) mal é muito tempo livre para exporem a vossa incompetência, activismo bacoco e sentimentalismo sem compromisso.
    Para o Sr Henrique Pereira dos Santos desejo-lhe um bom ano para si e os seus e que cumpram os vossos sonhos, desejos, expectativas e ambições.

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  3. Muito bem !É tal e qual assim. Há muito que andava para lhe dar parabéns e para dizer quanto gosto do que escreve Foi hoje! Estas "elitezinhas " burguesas, com sua arrogância transvestida de inclusão, não se aguentam. Esta odiosa forma de paternalismo traz-me à memória as senhoras que tinham os "seus pobrezinhos" , as caixinhas de esmolas para  os pretinhos da missões etc etc... Coisas de um outro tempo. A forma mudou... a coisa em si, não sei .Exasperante é sempre o sentimento de superioridade de quem avalia os outros a partir do pressuposto da sua inquestionável superioridade moral! Parabéns! Bom Ano para si e para os seus. E que Deus nos guarde a todos

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  4. Racismo piedoso, mas racismo na mesma.

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  5. Imagine que obrigavam os teatros pagos pelo OGE a especificar o seguinte:

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  6. Racistas não,  estatistas e caridosos sim.
    Querem "oferecer" espectáculos à conta do erário (porque quem participa fá-lo de borla em regime de voluntariado), e querem dar cultura aos pobrezinhos.
    Põem os pretinhos e 

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  7. É uma frase manifestamente racista 
    E os ciganos, asiodescendentes, arabodescendentes, ucraniodescendentes, brasildescendentes? Onde ficam esses?

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  8. Puro lixo mental...e moral.
    Estes sim, estes é que são os "deploráveis" da Hilária...
    F.d.P. , em portuguêscorrente.
    Juromenha

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  9. Foi preciso uma revolução para isto? Criticavam tanto as elites burguesas da outra Senhora, porque tinham os seus pobrezinhos para proteger. A única diferença, hoje, está na mudança dos alvos para "brincarem à caridadezinha":  os novos "pobrezinhos de estimação" são, digamos, os mais escurinhos.
    Afinal adapta-se bem aos tempos a célebre frase do Lampedusa 
    «é preciso que tudo mude para que fique tudo na mesma» ou a versão caseira «tudo como dantes no quartel de Abrantes».


    Mas a suprema ironia de tudo isto, é que estes papalvos, estes néscios nem se dão conta de que praticam uma forma de racismo, porque seguem exactamente o único critério dos sistemas de apartheid, que consiste na segregação racial, exclusivamente pela cor da pele, independentemente da condição económica. Como neste caso referido, em que, pelos vistos nem sequer seriam contemplados pelo CCB todos os outros grupos sociais que também têm baixos recursos incluindo os que têm menos melanina 
    E por causa disso, fico completamente baralhada com os polícias da novilíngua da "inclusão", porque me parece que toda esta pessegada é a forma mais ostensiva de segregação/exclusão.
     Depois dos Festivais, que virá a seguir? Hospitais para pessoas "de cor" e Hospitais para brancos? Universidades para os "mais escurinhos" e Universidades para os "caras pálidas"?
      

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  10. Quase tudo o que sai da esquerda (mais radical ou mais "moderada" dita socialista)é para igualar a sociedade por baixo ao mesmo tempo que se enchem a eles e aos amigos em nome do progresso. Vejamos com atenção o caso da dita injustiça salarial homens versus mulheres:


    https://identdegeneroideologiaouciencia.blogs.sapo.pt/as-mulheres-nao-ganham-menos-do-que-os-77120

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  11. Racistas há muitos, mas depende do grau de susceptibilidade da época. Há gente muito sensível, hiper-emotiva, muito melindrosa, muito impressionável, que se torna muito reactiva. Dou um exemplo: quer coisa mais "racista" (aos olhos de hoje)? Veja este nome: «Operação caril». Que se saiba ninguém se ofendeu...
    E no entanto, não passaria nos novos tempos e só foi possível porque, à época, a wokaria ainda estava longe de tomar as vestes do politicamente correcto. Foi após a reinação do d. Costa Vamulàver que estes pândegos saíram das grutas e começaram a patrulhar a linguagem _ quais polícias dos costumes. Desta feita, a criaram as divisões: há as pessoas "racializadas" e as não-racializadas, todas muito bem arrumadinhas por cores. Os primeiros, parece que podem ter entrada franca no CCB... porque ao privilegiado homem branco espera-o a punição, o estigma e tratos de polé. 
    (Cruzes!!! nem quero imaginar que destino lhe dariam (ao homem branco), para onde o mandariam se não fosse um «natural» pertencente à população autóctone do seu próprio território!).

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  12. Entretanto na Inglaterra há uma espécie de racismo ao contrário (para não incomodar os de fora castiga-se os autócnes,mesmo quando estão em causa crimes como violação):

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  13. Entretanto a censura em certos canais continua a sua senda(neste caso das violações no Reino  Unido e em outros casos há censura clara de Notícias no youtube e em geral nos média) 


    Tomem atenção https://youtu.be/m4Cdd5_QCW0?si=lIGbo_raUulY2_nr

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