terça-feira, 5 de novembro de 2024

A ditadura moçambicana

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Não tenho conhecimentos para fazer grandes (nem pequenas )análises sobre Moçambique, mas vou lendo aqui e ali (nomeadamente o José Pimentel Teixeira a quem fui buscar esta fotografia que lhe caiu no colo sem ele saber de onde) o que se passa em Moçambique, neste momento, e parece-me que bem merecia mais atenção dos jornalistas portugueses.


Eu sei que desde a independência é uma ditadura (por favor, não me venham com primeiras e segundas repúblicas, nem com a pureza dos samoristas por contraponto à corrupção generalizada actual), eu sei que desde que a ditadura resolveu prestar o tributo que o vício paga à virtude organizando eleições as fraudes eleitorais deixaram de ser notícia, eu sei isso tudo


Desta vez, como dois dos principais colaboradores do "underdog" (é curioso como a esquerda resiste a usar este termo para designar os adversários eleitorais das ditaduras que se reclamam de esquerda ou de anti qualquer coisa, como anti-colonialistas ou anti-imperialistas, por exemplo) foram mortos violentamente, sempre se viram algumas notícias, apesar de tudo.


Mas que não se fale da resistência popular, das panelas e tachos à janela, do gás, dos tiros, ora de balas de borracha ou de fogo real, que a polícia usa para dispersar os que, mais que protestarem contra a fraude eleitoral, protestam contra toda a acumulação de injustiças que sentem dia a dia (pelo menos é a minha intuição), isso já acho pior.

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