segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Idealistas e moralistas

A proposta de pagar a gestão da biomassa fina a quem mantenha o seu terreno, não agrícola, com menos de 50cm de altura de matos e ervas tem sido bastante criticada pelas mais diversas razões (como eu os percebo, acho uma péssima proposta, sobretudo se evitarmos qualquer comparação com todas as outras).


Motiva aliás uma estranha coligação entre liberais e estatistas.


Os primeiros são contra a criação de um mercado de base pública, financiado pelos contribuintes, por acreditarem que a situação actual decorre de tenebrosas forças anti-mercado e, em qualquer caso, são contra a criação de rendas para os proprietários. Uns idealistas que acham que a situação actual não resulta do contexto sócio-económico do qual resultam os preços dos bens e serviços que condicionam a competitividade das acções de gestão.


Os segundos acham que todos os proprietários têm o dever moral de usar convenientemente a propriedade privada, portanto defendem uma taxação que obrigue o proprietário a prescindir do seu direito de propriedade ou faça acções de gestão ruinosas, para que o Estado depois confisque os terrenos para os ceder a terceiros que irão gerir bem esse activo, sem perder tempo a explicar que gestão é essa que permite tirar rendimento do activo e, em qualquer caso, são contra a criação de rendas a favor dos proprietários. Uns moralistas que acham que deve ser o Estado a decidir o que é o bom ou mau uso da propriedade privada.


Uns e outros não explicam que raio de renda é essa que só existe quando a gestão produz um efeito pré-definido.


Uns e outros, na verdade, acham que a situação actual não é suficientemente grave para que seja preciso encontrar soluções de curto prazo para gerir a biomassa fina e portanto preferem soluções perfeitas, ainda que abstractas, a soluções que funcionam, ainda que não resolvam tudo.

6 comentários:


  1. "Motiva aliás uma estranha coligação entre liberais e estatistas."


    Discordo. A coligação é entre pessoas que têm ideias pré-concebidas sobre como deve funcionar o mundo. O que os une é a casmurrice intelectual, não o modelo que cada um tem na cabeça.

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  2. Ideias pré-concebidas todos temos. A frase ""Motiva aliás uma estranha coligação entre liberais e estatistas." é um bom exemplo. A capacidade, ou não, de mudar (e nem necessariamente para melhor, seja isso o que for), é realmente o que distingue as pessoas. Há quem se recuse a crescer.

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  3. uma estranha coligação entre liberais e estatistas


    Quem são, explicitamente nomeadas, as pessoas "liberais" e "estatistas" a quem o Henrique se refere?

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  4. Não vou tão longe. Admitir que o que pensamos está errado é difícil, e ser capaz de o fazer publicamente mais difícil é.

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  5. Ninguém muda de um dia para o outro, a não ser que "veja a luz" ou coisa parecida. Mas alguém que tem a mesma visão do Mundo aos 50 que tinha aos 20, é de desconfiar. Ou é comunista (mas dos vintage) ou altamente religioso. Desconheço outros sistemas em que as convicções são eternas e à prova de erro.

    Mas ainda assim, só o facto de podermos equacionar que estejamos errados já é uma qualidade cada vez mais rara. Aqui não há hipóteses alternativas, é o que penso ou etiqueta (homofóbico, estatista, racista, fascista, esquerdista, é escolher).

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  6. oh balio vai dar banho ao cão

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