A frase do título, com as respectivas aspas, não é minha, roubei-a descaradamente.
Tal como uso, agradecendo, o boneco abaixo, a partir de um comentário ao meu post anterior.

Comecemos por olhar para o boneco que mostra a dívida pública em percentagem do PIB.
O que é evidente é um crescimento rápido entre o 25 de Abril e 1987 (passou de 12,1% em 1973 para 61,6% em 1987), depois um período que anda aos altos e baixos entre 1987 e 2000 (54,2%), um terceiro período entre 2000 e 2014 (em que chega aos 132,9%) e por fim período de contenção que vai acabar nos 99,qualquercoisa% de 2023.
2000, como sabemos, é quando o euro entra em circulação e a percentagem da dívida do país deixa de ser tão relevante para a definição das taxas de juro, no pressuposto de que a União Europeia nos iria defender de problemas no financiamento público (acho eu, parece-me lógico, mas eu não sei muito do assunto).
Sócrates ganha as eleições em 2005 e entre 2008 e 2012 comete a proeza de aumentar a dívida de cerca de 75% em 2008 para 129% em 2012, em quatro anos, portanto (não me incomodem com peguilhices por entretanto ter deixado de ser governo em 2011, grande parte do aumento da dívida de 2011 e 2012 corresponde ao socorro que a troica presta ao país, portanto, resultado das políticas de Sócrates combinadas com uma crise internacional e de dívidas soberanas).
Como diz Sérgio Sousa Pinto, com razão, este assunto não se consegue discutir racionalmente, dizendo, com razão, que nem é possível discutir a inevitabilidade das políticas de austeridade do tempo da troica, dado o contexto, nem é possível discutir racionalmente a responsabilidade do PS na crise anterior.
Só que o problema do PS não está na responsabilidade na crise financeira e das dívidas soberanas, que é nenhuma, evidentemente, a responsabilidade do PS está nas políticas internas que aumentaram brutalmente a fragilidade do país face a eventuais mudanças de contexto, essa é a responsabilidade de Sócrates e do PS que, com a ajuda militante das redacções de jornais, rádios, TV, disco e cassette pirata, a esquerda evita discutir seriamente, contando histórias da carochinha sobre os mauzões de que roubaram pensões e salários.
Não, não foi por ninguém poder prever o futuro, em 2005 um conjunto de estimáveis economistas alertavam para a política errada de Sócrates e do PS, dado o contexto, pode ler-se aqui integralmente, mas eu cito um parágrafo: "Este preocupante cenário requer uma urgente e dedicada concentração de esforços visando apropriadas medidas de contenção orçamental (com uma estrita selectividade das despesas públicas), de incentivo económico a favor dos sectores produtores de bens transaccionáveis, de promoção da eficiência económica (nomeadamente através da redução das ineficiências geradas pelo próprio Estado) e de uma moderação da despesa colectiva. Mas face a tal cenário parece ter emergido uma corrente de pensamento que acredita que a superação da crise pode estar no investimento em obras públicas, sobretudo se envolvendo grandiosos projectos convenientemente apelidados de estruturantes".
Em 2005, senhores, em 2005 havia quem, de forma clara, alertasse para a possibilidade de Sócrates ter o azar de levar com uma crise em cima para a qual não teria contribuído com nada de relevante.
Mas a sorte é uma coisa que dá muito trabalho e o problema foi que Sócrates resolveu promover uma economia de casino (sim, sim, caros estatistas, política de casino é fazer investimento público cujo retorno depende da sorte ou do azar) que teve o "azar" de chocar de frente com contextos financeiros com os quais essa política de casino era incompatível.
E isso obrigou-o a chamar a troica (não, não foi Teixeira dos Santos que o obrigou, foi o contexto, se Teixeira dos Santos tivesse aceitado continuar a caminhar para o abismo até cair, como pretendia Sócrates, Sócrates acabaria a pedir ajuda financeira na mesma).
Estatistas são os que trabalham para o Estado? Ou uma novipalavra qualquer como fascista, xenófobo ou homofóbico?
ResponderEliminarSócrates não precisa ou merece defesa, porém, convém não cuspir para o ar. Portugal continua a ser um pedinte, que não gera riqueza, não tem poupança, e que vai trocando emigrantes qualificados por imigrantes que economicamente pouco mais trazem que custo salarial baixo. Um dia pode ser preciso pedir €€€ para manter o sns minimamente decente, escolas abertas, pagar salários a FP, e quem empresta pede juros altos. Aí se verá como é...
E sobre este post, tem alguma coisa a dizer?
ResponderEliminarComo se adjectivará um "povo" que elege, e RELEGE, um bípede como o bicharel socrates para "primeiro-ministro" ?...
ResponderEliminarQue diabo , é que estamos ( geograficamente, pelo menos...) para cá do Estreito...
Juromenha
E ainda confiou e manteve o Costa no popder, com direito a maioria absoluta e tudo. Isto é ainda mais fácil do que roubar doces a criancinhas, com uma CS praticamente toda amestrada e vendida, os camaradas socialistas até ao luxo se puderam dar de culpar o passos por tudo quando foram eles a falir o país, chamar a troika e assinar o memorando de entendimento. E, tudo isto passou na TV mas a memória deste nosso povo é curtíssima, quase parece de peixinho de aquário. Claro que depois aqueles "enormes aumentos de impostos" são a exceção ao esquecimento pois a CS que esqueceu o papel do PS em tudo isto, faz questão de relembrar esta frase de Vítor Gaspar ou "os piegas" ou o "ir além da troika". Enfim, com um povo tão esquecido e uma CS tão corrompida será difícil sairmos das garras desta canalha.
ResponderEliminar"REELEGE".
ResponderEliminarMea culpa, mea maxima culpa...
Exactamente o que escrevi.
ResponderEliminarPorquê? Sai fora do âmbito dos conteúdos recomendados?
Entre cabazes e reposição de salários, conta é comida na mesa. Uns tiraram, outros puseram, o resto é conversa.
ResponderEliminarSe foi a taxa de juro, o bce, o turismo ou o BCE, querem lá saber.
E não fossem os hospitais a começar a dar o traque mestre, mais s malta começar a apertar o cinto por causa dz conta do supermercado e dz prestação da casa, aind por lá estavam.
O que escreveu não tem nenhuma relação com o post, por isso perguntei se tinha alguma coisa a dizer sobre o post.
ResponderEliminarNão tem, não há problema.
O "azar" de Pinócrates foi o fim do financiamento externo, senão ainda poderia estar lá como PM e continuar a sugar com enorme tranquilidade.
ResponderEliminarObrigado pelo gráfico, HPS e Nelson Gonçalves. Tendes razão.
ResponderEliminarSocrates foi eleito pelo jornalismo Português, muito dele mesmo Marxista e pró genocidio de inteiras classes sociais.
ResponderEliminarMas em Portugal a direita subjugou-se à esquerda para fazer a vida. Basta olhar para os títulos do Observador para perceber o que jornal da direita, dela tem muito pouco.
ResponderEliminarO que escreveu não tem nenhuma relação com o post, por isso perguntei se tinha alguma coisa a dizer sobre o post.
Discordamos
... não há problema.
Concordamos
Na democracia que temos Sócrates foi reeleito. Na democracia que temos, António Costa foi reeleito com maioria absoluta. Não sendo possível mudar o eleitorado, há que mudar o regime. E quanto mais tarde acontecer maior a probabilidade do próximo já não ser democrático. Se calhar nem sequer nacional.
ResponderEliminarD. Francisco de Almeida:
ResponderEliminarO "regime" já mudou em 1 de Janeiro de 1986, e nada tem de nacional.
O euro entrou em 2002. É um detalhe, mas nestas coisas de analisar gráficos creio que o rigor é importante, por isso fica a nota.
ResponderEliminarGonçalo, em rigor, o Euro começou de forma não materializada em 1 de Janeiro de 1999 e sob a forma de uma moeda material em 2002.
ResponderEliminarParece-me, para efeitos de transferência do risco cambial de uma moeda nacional para uma moeda europeia, que é o que permite o aumento do endividamento do Estado português, sem tradução directa nas taxas de juro, que falar em 2000 é mais rigoroso que em 2002, mas tu sabes mais que eu do assunto.
Sim tens razão, o euro começou formalmente em 1 de janeiro de 1999 e a partir dessa data a política monetária passou dos bancos nacionais para o BCE.
ResponderEliminarEm 2002 o euro começou a circular.