"Os portugueses descobriram que odeiam turistas, mas, em princípio, devem ter sido só os portugueses consumidores, ou seja, os praticantes de turismo interno. Porque os portugueses que abriram restaurantes, cafés, bares, pequenas lojas e negócios não costumam dizer o mesmo. Nem os guias turísticos, nem os que transformaram imóveis de família em alojamentos locais para conseguirem um complemento ao rendimento, nem os que alugam carros, motas, bicicletas, barcos, nem os que têm ou trabalham em hotéis, casas de fado, tuk-tuks ah-os-horríveis-tuktuks-que-coisa-de-pobre, nem os responsáveis por equipamentos culturais, museus, monumentos, festas e festivais. O turismo salvou a economia portuguesa na última década, mas, como é a única coisa que aparentemente funciona no país, os portugueses querem fazer o que fazem de melhor: mandá-la abaixo, que é para ela não ter a mania que é melhor do que as outras.
Sim, os portugueses. Esses que se gabam de terem navegado pelo mundo inteiro e serem muito dialogantes, de onde quer que se chegue encontrarem sempre pelo menos um deles, que têm os maiores níveis de emigração da Europa e os oitavos do mundo. Descobriram agora que, afinal, o que era bom era quando o Chiado era só deles – quando lhes apetecia lá ir. (Perdoe o leitor ao cronista concentrar-se nos exemplos de Lisboa, que ele melhor conhece. Por favor, substitua mentalmente pelos lugares da sua região que sinta equivalentemente transformados). Descobriram que os alojamentos locais lhes roubaram as casas, como se o Rossio não estivesse deserto há 20 anos, crescesse mato nos telhados e janelas partidas dos prédios da Praça da Figueira, metesse medo caminhar na Rua Augusta depois das seis da tarde ou não tivessem todos migrado, há muito, muito tempo, para a Amadora, para Loures, para Cascais, para Odivelas, para Mafra, para Oeiras, para Sintra, para Alverca, para Almada, Seixal, Barreiro, Montijo, onde quer que que pudessem ter casas grandes, novas, com elevador e garagem e não aquelas casinhotas velhas que desprezavam em Alfama ou na Mouraria e onde além do mais, horror dos horrores, era impossível estacionar."
Alexandre Borges hoje no Observador
E não só, o setor da construção e fileira casa também trabalha muito para turismo (em Portugal e lá fora); há milhares de empresas portuguesas a equipar hotéis e afins por esse mundo fora...
ResponderEliminarJá para não falar dos que dizem mal dos turistas que vêm para PT mas depois fazem turismo lá fora!
O que se passou foi que depois do 25 de Abril os comunas tomaram conta do poder e dinamitaram muito facilmente e rapidamente a economia e a sociedade.
ResponderEliminarOs comunas dominaram o poder no Governo e também nas câmaras à volta de Lisboa.
As câmaras muitas vezes incentivavam a criação de bairros sociais que ainda subsistem.
A desculpa é sempre a mesma, dar casa a quem não tem condições mas o objectivo é criar condições para criar em Lisboa e arredores uma classe de descontentes que volta e meia continuariam a recolocar a esquerda no poder.
Outro aspecto da questão foi o congelamento das rendas, após o 25 de Abril, ou seja, os proprietários simplesmente ficaram sem capital para a manutenção do seu património e décadas depois os prédios em Lisboa iam caindo.
Outro aspecto, foi a nacionalização no 11 de Março de 75, nacionalizaram os bancos que detinham muitos empréstimos de imóveis para habitação e comércio, ou seja, na prática o Estado ficaria com os imóveis, caso houvesse qualquer problema de não pagamento das rendas aos bancos.
Passados algumas décadas, muitos foram falecendo, os imóveis iam-se degradando e os lisboetas tiveram que se mudar para os arredores, tanto na margem norte como na margem sul.
Entretanto, o mercado voltou em força, ficaram muitas oportunidades no mercado devido ao esvaziamento populacional e comercial (estes iam para os grandes hipermercados e centros comerciais), mas quem pode aproveitar estas oportunidades obviamente é quem tem dinheiro, ou seja, os grandes fundos de investimento, grandes construtoras e empresas imobiliárias.
A mudança está feita e irá continuar.
Os comunas e afins destruíram Lisboa e arredores e os seus efeitos ainda hoje perduram passadas várias décadas.
Como a tal revolução ainda não chegou, os comunas e afins começaram a trazer imigrantes para encher Lisboa e arredores.
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ResponderEliminarConcordo em absoluto com o que escreve mas;
ResponderEliminar1-Não é o turismo que é destado, mas a forma como o deixam tomar conta das cidades. Exemplo 1 - Em Lisboa são organizadas excursões de biiciletas eléctricas e segways pelos passeios. Estão autorizadas? Se sim não deviam, se não, tem que ser paradas imediatamente. Já para não falar de trotinetas que os usam sem qualquer tipo de cuidado.
2-Em Sintra não é o turismo que causa problemas, mas sim a forma como a Câmara não arranaja uma solução para o trânsito caótico que bloqueia por completo, todos os dias o acesso ao centro histórico e ao estacionamento abusivo que não é fiscalizado, apenas e só se fiscaliza o estacionamento pago. Exemplo 2 - Com o trânsito bloqueado existe um risco que estão a ser descurado, a segurança de pessoas e bens por exemplo em caso de incêndio no centro histórico. O estacionamento abusivo (é fácil ver carros estacionados em cima dos pilaretes de borracha sem serem multados) impede os moradores de aceder às suas casas e já aconteceu residentes terem problemas de saúde e as ambulância demorarem uma eternidade a socorrer.
Estas duas situações espelham bem a razão pela qual os portugueses se revoltam e não é contra o turismo.
Mas tudo isso pode ser verdade, que não evita a completa destruição da vida e da identidade dos Povos e Nações que o turismo provoca.
ResponderEliminarRazão pela qual actualmente, um pouco por todo o mundo onde essa praga turística aterrou, há cada vez mais movimentos de contestação.
Um molho de notas não compram a Identidade de um Povo.
Do antigamente, recordo com saudade o pão de Mafra quentinho, as praias de São Julião, as pêras doces das Caldas, os hábitos de quando, aos domingos, íamos a missa, e, com carinho e doçura que se perderam, entregávamos os nossos cumprimentos ao padre Emanuel, que ao sábado dava catequese privada aos meninos da nossa aldeia, dando-lhes a fé e um andar novo. Muito cu comeu o cabrão do padre.
ResponderEliminarNão gostei por aí além do artigo de Alexandre Borges, como lá comentei. Primeiro porque aponta a diferença de atitudes quando se é ser turista e se recebem receber turistas, acusando os portugueses, de alguma incoerência, para o que não vejo suporte lógico.
ResponderEliminarSegundo porque não faz a distinção entre turismo de elites e turismo de massas.
Terceiro porque confunde portugueses com lisboetas, ou, vá lá, também portuenses, algarvios, obidenses e sintrenses.
Pois, de vez em quando alguém nos vem obrigar a pôr os pês no chão!
ResponderEliminarTurismo como fonte principal de rendimento de um país nunca será boa aposta, por diferentes razões.
ResponderEliminarDesprezar o papel do turismo na recuperação urbana dos centros de grandes cidades, e também de lugarejos abandonados, é também injusto.
Diga-se que muita cidade europeia se anda a rebelar contra um certo turismo de massas, como Amesterdão.
Mas sim, o portuga que se chateia dos camones invadirem a sua Lisboa, não se importam nada de fazer o mesmo ao reino dos all garves.