Num post anterior falei de Pedro e o Lobo e, no momento em que escrevi, sabia que estava a dizer uma asneira, porque a história do "vem lobo", que diz respeito a um pastor que para se divertir vai dizendo que vem lobo, ao ponto de que quando vem lobo já ninguém o ajuda porque toda a aldeia está farta dos seus falsos avisos, não tem nenhuma correspondência com a historia da ópera infantil do Prokofiev.
Eu faço posts frequentemente a a forma como tenho de fazer posts frequentemente é fazê-los rapidamente e sem muito esforço (com algumas excepções em que acho que o assunto e a minha ignorância sobre ele justificam uma procura de informação mais cuidada).
No fundo, se não fosse assim e procurasse fazer de cada post uma coisa inatacável, acabaria por acontecer o que nos acontece a todos nós: o tempo e o esforço tornavam-se incompatíveis com um certo ritmo de publicação que impede os blogs de morrerem (ou as conversas de café, ou os almoços de amigos e família, ou as celebrações do que quer que seja, etc.).
Embora no momento eu soubesse que para ser rigoroso era melhor falar da história do "vem lobo" (podia não saber, o facto é que me lembro perfeitamente de ter hesitado), também sabia que para além de uma pequena minoria que imediatamente levantaria o sobrolho com a asneira (na qual se inclui o meu sobrinho que me mandou uma mensagem a, diplomaticamente, falar da diferença das duas histórias), a generalidade dos leitores (e essa pequena minoria também, já agora), reconhecendo ou não a asneira, perceberia exactamente o que eu pretendia dizer com esta forma mais económica e eficaz de comunicar.
Como me dizem frequentemente (o último foi um leitor dos meus posts que não entendo por que razão continua a lê-los), eu escrevo sobre muitos assuntos, uns sobre os quais sei mais, outros sobre o quais sei menos (quando foi da epidemia o tipo de comentários sobre a minha capacidade de escrever qualquer coisa de interesse sobre o assunto era frequente e, curiosamente, tanto tempo, tanta informação coligida, tantos estudos depois, continuo sem encontrar nenhuma demonstração cientificamente validada por pares que demonstre que a abordagem ao problema tinha fundamento científico sólido e os resultados verificados justificam plenamento os custos sociais dessa abordagem).
O que aumenta muito a probabilidade de eu dizer asneiras.
É verdade, mas o direito à asneira é inviolável e tenciono continuar a fazer uso dele na medida ou da minha ignorância (acontece, não me orgulho da minha ignorância, mas que existe, existe), ou da avaliação que faço entre a perda de rigor e o ganho de eficácia na comunicação.
O rigor é importante, é bom procurar ser rigoroso, mas ninguém, no seu perfeito juízo, tenta seduzir a sua amada com base no absoluto rigor, toda a gente acha que comunicar é suficientemente importante para aceitar perder, em algumas circunstâncias, algum rigor de disso resultar a ligação mais forte ao outro.
Nem sempre corre bem, claro.
Qual é o objectivo da escrita?
ResponderEliminarPromover comentários, sendo que estes irão dos iluminados aos imbecis, o silêncio, ou obter aprovação consensual?
Se calhar, alguns dos comentadores até ajudam à tal ignorância.
Laissez faire laissez passer, ou então se realmente o conteúdo dos comentários é abusivo ou danoso, é censurar os que fogem ao esperado pelos escribas, ou bloqueá-los de vez.
A pergunta do Anónimo que produziu o primeiro comentário, deve ter quase tantas respostas como comentadores neste blog. Assim a minha é isso mesmo, uma
ResponderEliminarTenho aprendido muito com HPS e quase nunca discordando frontalmente. Mas a qualidade que mais lhe valorizo -talvez por não ser o meu forte - é o bom senso. Diria mesmo que o bom senso de HPS é um tal dom que o "obriga" a continuar a escrever.
"alguns posts ... faço-os rápidamente, ...sem grande esforço ..."
ResponderEliminarCaro Senhor
Relembro um pedido de desculpas efectuado por António, no final de uma carta dirigida a conhecido, em que, grosseiramente dito, lamentava a extensão e pouca clareza do texto, mas, "não tinha tido vagar de a escrever com o devido cuidado", ....
Sabia que , com tempo e cuidado, se beneficiava os interlocutores, na brevidade e simplicidade da sua leitura.
(O António referido acima era um príncipe da Língua Portuguesa - Padre António Vieira).
Cumprimentos
Cumprimentos