domingo, 14 de julho de 2024

Listas ordenadas de escolas

Todos os anos, quando chega esta altura de serem publicadas listas ordenadas de escolas, levanta-se uma discussão que, para mim, é um bocado estranha.


O que se discute, maioritariamente, não é o que significam as listas que são feitas e como elas podem ser usadas, mas quais são as melhores escolas ou a própria existência dessas listas.


São discussões transversais em relação a qualquer sistema de avaliação, de que um bom exemplo é este artigo de João César das Neves sobre a lista do Financial Times sobre escolas de gestão.


Até me espanta que não venham os economistas falar da lei de Goodhart a propósito disto, lembrando que sempre que um indicador é usado como objectivo, ele deixa de ter interesse como indicador (mais ou menos isto, eu não sou economista, estou autorizado a falta de rigor conceptual em matérias que não são as minhas áreas de trabalho).


As listas ordenados que resultam de um sistema de avaliação, nas escolas ou noutra coisa qualquer, são apenas isso, listas ordenadas por critérios de avaliação, os seus resultados não podem ser lidos como oráculos, quer porque os critérios são falíveis, quer porque dizem respeito apenas a uma parte da realidade.


Dito isto, é bom lembrar que resultam de um sistema de avaliação e que é melhor um mau sistema de avaliação à ausência de avaliação.


O sistema de preços é um bom exemplo disso, é um sistema de avaliação do valor do que quer que seja, mas evidentemente não é adequado para avaliar se a pessoa que está à minha frente é uma pessoa decente ou não, por exemplo.


Com todas as suas limitações, os sistemas de preços têm grandes virtudes na gestão de informação, porque dependem das decisões livres de cada uma das pessoas (nesse sentido, os mercados perfeitos, uma coisa que só existe nos livros, são muito mais democráticos que os sistemas eleitorais), produzem informação instantânea e essa informação difunde-se, com razoável rigor, com uma rapidez e extensão muitíssimo mais elevada que qualquer outro sistema de difusão de informação (incluindo a internet).


Mas não servem para grandes coisas na vida, por exemplo, não estou convencido de que a ocupação do cargo de primeiro ministro, ou de juiz, devesse ser feita por leilão.


Resumindo, é melhor que existam listas ordenadas que resultam de processos de avaliação com critérios conhecidos, que não haver, mas o melhor mesmo é que essas listas sejam usadas apenas para cada pessoa tomar as suas decisões, de acordo com a leitura subjectiva que faz dessas listas e seus critérios, e cada escola tomar também as suas decisões, de acordo com a identificação que consegue fazer das suas vantagens e limitações comparativas.


Todos os outros usos dessas listas me parecem razoavelmente ociosos e, aqui e ali, contraproducentes.


Mas pior seria que, por causa das evidentes limitações destas listas, na simplificação de realidades complexas que fazem, alguém se lembrasse de as impedir em vez de alargar a sua abrangência e transparência.

4 comentários:

  1. os dirigentes escolares públicos deviam ter ficado calados devido à RIBALDARIA. conheço o assunto por Familiar
    princípio de Peter

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  2. A lei de Goodhart é indiscutível apesar de pouco corresponder a critérios científicos.
    Escolhendo especialistas de educação, jesuítas, depois dos "rankings" abandonaram a recuperação dos fracos como objectivo e até começaram a convidar a sair alunos que, por qualquer motivo, baixaram o seu desempenho.
    Evidentemente, não posso ter a certeza de que o único motivo foram os "rankings". Uma filosofia de que, para beneficiar a maioria, se excluam os que a prejudiquem, pode conduzir ao mesmo.

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  3. A criatura Neves a apoucar a criatura Donald!? A sério? O mundo está ao contrário!!!

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