sexta-feira, 19 de julho de 2024

Fogachada

Depois do meu post de ontem, Paulo Fernandes, com o seu habitual rigor nestas matérias, disse-me que desta vez talvez eu fosse dar com os burrinhos na água porque a fogachada era mesmo improvável, de acordo com os resultados dos modelos fire-engine:


fogachada.jpg


Não me incomodem com o facto de haver valores iguais que estão em classes diferentes, naturalmente há aproximações e ter 0,009 é aproximado para 0,01 e 0,011 também é aproximado para 0,01, mas acabam em classes diferentes.


O relevante é que estas previsões existem, são bastante rigorosas (estamos a falar de probabilidades, mas lembro-me de ter escrito qualquer coisa sobre previsões sobre os locais mais prováveis para haver fogos num determinado dia, feitas por Carlos Camara, que batiam certinho, certinho, para já não falar das intervenções públicas de José Miguel Cardoso Pereira ou Paulo Fernandes a chamar a atenção para Monchique, antes do último grande incêndio) o que significa que haver ou não haver fogos decorre, esmagadoramente, de haver disponibilidade de combustíveis (isto é, existem combustíveis finos cuja secura faz com que seja precisa muito pouca energia para os incendiar, portanto a disponibilidade desses combustíveis depende largamente da meteorologia) e condições meteorológicas favoráveis à progressão do fogo (à cabeça, humidades muito baixas, pela razão que expliquei acima, e vento forte).


O resto, bombeiros, aviões, meios de supressão do fogo, técnicas de combate, doutrina de intervenção, organização, ignições, sensibilização do público, etc., é mesmo só o resto.

4 comentários:

  1. Onde se encaixa a mão humana, negligente ou criminal, nessa análise de probabilidades?

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  2. Fui enganado pelo facto de publicitarem grande parte dos incêndios como tendo origem criminosa ou negligente.

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  3. Não, não foi enganado, grande parte dos fogos têm uma origem negligente (criminosa, alguns, mas nada que interesse muito).
    Só que há dois aspectos de que se está a esquecer:
    1) 1% das ignições dão origem a 90% da área ardida, portanto a questão não está em saber como começa um fogo, mas por que razão não para;
    2) Se, por milagre (de outra forma não é possível), desaparecessem todas as ignições de origem humana, as de origem natural desempenhariam o mesmo papel, seriam menos, mas nos dias complicados, resultariam no mesmo

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