quinta-feira, 18 de julho de 2024

Revisão da matéria dada

Há uns anos, quando havia uma discussão acesa sobre causas de incêndios e maneiras de lidar com isso, comecei a fazer (não inventei, há muita gente que faz isso) regularmente previsões e a pedir a quem tinha opiniões diferentes que fizesse o mesmo, prever o que ia acontecer nos dias seguintes em matéria de fogos.


Na altura eu sabia ainda menos do que sei hoje, de maneira que fui dizendo algumas asneiras, como aliás continuarei a dizer, evidentemente, mas procurando diminuir a quantidade de asneiras recorrendo a quem sabe mais que eu.


Todos os dias dou uma vista de olhos pelas previsões de chuva e vento para a semana seguinte, mesmo sabendo que previsões meteorológicas a mais de três dias são o que são, e, quando me interessa qualquer coisa, dou uma vista de olhos noutras coisas, como fiz ontem, com a humidade atmosférica.


A questão é que olhando para os ventos, sem grande precisão e num site que tem bons bonecos mas nem acho especialmente confiável, pareceu-me que ali por Segunda-feira iríamos ter condições para desenferrujar o dispositivo de combate, nada de especialmente relevante, mas alguma animação em matéria de fogos.


Como me pareceu uma coisa pouco sólida, perguntei ao Paulo Fernandes, que me disse que realmente a probabilidade de grandes fogos era menor que 10% em todos os distritos e o dia que parecia mais complicado era Sábado, e não Segunda.


Em relação ao que tem sido este ano, eram uns dias que motivariam mais saídas dos bombeiros dos quartéis (eu sei que a protecção civil tem um sistema de avisos mas, francamente, não ligo nenhuma aos avisos da protecção civil que tem uma escala esquisita qualquer que rapidamente dá avisos de risco máximo, o que torna os avisos pouco relevantes porque não lhes dá elasticidade para distinguir o que é realmente risco extremo).


Resolvi fazer este post hoje, na Quinta de manhã, porque continuo convencido de que fazer estas previsões é a forma mais pedagógica que conheço para chamar a atenção para o facto dos incêndios serem essencialmente controlados pela meteorologia e a disponibilidade de combustíveis (daí que o tempo decorrido desde o último incêndio acabe por ter alguma relavância, é a forma mais eficiente de reduzir a disponibilidade de combustíveis).


Como na meteorologia mandamos pouco, restam as opções de gestão de combustíveis.


Por favor, não me incomodem com as ignições (já bem me chega o Pingo Doce a moer-me os juízos com conversa de treta sobre a redução de fogos que eu consegui por não fazer churrascos) porque Portugal reduziu para um terço o número de ignições, com um efeito irrelevante na área ardida.


De resto, quanto mais eficiente formos a reduzir as ignições, sem gestão de combustíveis, mais contribuímos para a dimensão da tragédia para que caminhamos tranquilamente, a ocorrer ali por 2030, mais ano, menos ano.


O essencial é isto: corro o risco de prever o futuro, uma actividade bastante insensata, para dizer que nos próximos dias, com a falta de notícias e a meteorologia, é provável começarmos a ver aparecer notícias de fogos, que este ano têm sido poucas.


A ideia não é ilustrar as minhas capacidades de Zandinga, a ideia é apenas demonstrar que o que precisamos é de rapidamente levar gestão de combustíveis finos ao terreno, ou seja, de pagar essa gestão a quem tenha menos de 50cm de altura de combustíveis finos no seu terreno.


Quase tudo o resto, em matéria de gestão do fogo, são jogos florais "um esforço inútil, um vôo cego a nada".


"Mas dancemos; dancemos
Já que temos
A valsa começada
E o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas".

5 comentários:

  1. Uma pergunta de um leigo mais ignorante que o Henrique. No Inverno não se poderia pegar fogo à floresta/matas? Penso que é controlável e ardia grande parte dos combustiveis. Cumprimentos.

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  2. Sim, pode e faz-se (embora menos do que seria desejável)

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  3. Depois de correrem com os habitantes do interior (cidades, vilas e aldeias), os legisladores proibiram as queimadas no Verão e também em dias quentes (mais um imposto), o que obviamente tem várias consequências negativas para os poucos residentes.
    Dizem que o objectivo é o de proteger o ambiente, as florestas e as pessoas mas o resultado é outro que é o de dificultar a vida das pessoas e o de matar pessoas, provocar tragédias como a de Pedrógão. Aliás diria mesmo que o verdadeiro objectivo é mesmo esse.
    Obviamente que como há pessoas que felizmente estão a cagar-se para leis idiotas, fazem queimadas, grelham comida, queimam resíduos agrícolas, etc. e as consequências é o de encher os tribunais com processos da treta.
    O fogo deve ser utilizado todos os dias, de dia e de noite, de Verão e de Inverno, ao sol e à chuva.
    Aliás, aos legisladores para bloquear ainda mais a vida das pessoas só falta permitir o fogo exclusivamente em dias de chuva intensa.

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  4. Há aí um equívoco: ninguém correu com os habitantes do interior. As pessoas partiram voluntariamente em busca de uma vida melhor, pois a ideia de passar o resto da vida numa aldeia a cultivar a terra não era lá muito entusiasmante.

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