Para além da correcção de um erro de ortografia, que agradeço, um leitor diz, sobre o meu post anterior "É o que dá um leigo estar a falar do que não sabe: um sortido de disparates sem fim. ... Por alguma razão o direito ao bom nome como direito de personalidade consagrado nos direitos fundamentais constitucionalmente previstos-direitos, liberdades e garantias têm esta especial proteção e relevo jurídico. Mas o escriba, no alto da sua "sapiência" é que sabe."
Como gosto de aprender, tenho pena de não saber qual era o chorrilho de disparates e em que é que eu contrariei a existência do direito ao bom nome e a sua protecção jurídica.
O meu post dizia respeito a uma ideia simples: o nome de uma pessoa, bom ou mau, é essencialmente feito por si, pelo que faz e diz, sendo a protecção jurídica dada ao seu bom nome um mero instrumento complementar que todos temos para o proteger.
Dei exemplos vários de como o bom nome de uma pessoa depende de si e do seu contexto, como o de Miguel Macedo, que tinha fama de pessoa decente e, na minha opinião, reforçou essa fama de pessoa decente com o processo judicial que lhe custou o seu lugar de ministro.
Mas poderia ter usado exemplos ainda mais claros de duas pessoas que se enfrentaram em tribunal à volta de uma questão de difamação, Mario Machado e Mamadou Ba, cujos nomes, bons ou maus, serão na verdade muito pouco afectados por esse processo, qualquer que seja o seu desfecho final (já houve uma sentença, mas tenho ideia de que há recursos, portanto ainda não sabemos qual é mesmo o desfecho final do processo), dados os seus percursos públicos conhecidos.
O post, aliás, não tinha nada de jurídico, era apenas a constatação de que é assim e de que, a ser assim, grande parte do rasgar de vestes sobre a destruição do bom nome resultante de haver uma investigação judicial a alguém, não ter grande coisa com a defesa do bom nome da pessoa.
A mim parecem-me esforços para condicionar a capacidade da justiça investigar ilícitos, usando a defesa do bom nome como justificação moral para a tentativa de limitar investigações judiciais.
E ilustrei a ideia com a facilidade com que a imprensa ataca o bom nome das pessoas mas também com o facto da eficácia desses ataques dependerem muito mais da credibilidade dos jornalistas e dos visados que da protecção ao bom nome que a lei consagra.
Francamente gostava de perceber em que medida isto é um chorrilho de disparates, não estou a negar que o seja, frequentemente eu escrevo disparates, claro, como qualquer pessoa que escreva bastantes vezes sobre matérias que não são preto e branco mas, neste caso, gostava mesmo de perceber qual é o disparate de achar que o bom nome é sobretudo construído pelo que cada um de nós faz e diz, muito mais que pela protecção jurídica que a lei possa dar ao bom nome de cada um.
O bom nome de alguém, como referiu, é essencialmente feito pelo próprio, «através do que faz e diz» na vida pública. E todos assistimos e vamos formando uma opinião porque "vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar". Portanto a reputação de alguém é uma construção pessoal, só depende do próprio através do compromisso individual que assume com a sua forma de estar na vida, optando (ou não) por um percurso exemplar (ou não). As tão badaladas _e temidas_ revelações das escutas nas investigações não destroem o indivíduo, apenas põem a descoberto e confirmam o que delas já se suspeitava _ daí o incómodo.
ResponderEliminarTudo o resto, que tem estado na ordem do dia, é poeira para os nossos olhos, para nos cegar, i.e., para desviar a atenção das pessoas comuns daquilo que está, verdadeiramente, a ser maquinado: sob o pretexto de dar a primazia ao direito ao "bom nome", pretende-se limitar a capacidade de investigar a «casta» e assim condicionar a Justiça.
Se, neste caso em concreto, não sei o que dar a Deus já o que dar a César é claro: pimenta na língua.
ResponderEliminarÓ Henrique, poupe o seu latim.
ResponderEliminarNao paga a pena
https://observador.pt/opiniao/o-intelectual-lisboeta/
Normalmente não partilho das ideias que expressa, mas tendo em atenção o comentador em questão acho mesmo que deve simplesmente não ligar.
ResponderEliminarDigo mesmo que os seus comentários por vários blogues não abonam em nada o bom nome que eventualmente pretenderá ter.
O comentário em apreço é apenas mais um.
A instrumentalização da justiça para fins menos condignos, entre eles fins políticos, é algo que ocorre um pouco por todo o mundo independentemente dos regimes. Por cá tivemos, por exemplo, os Tribunais Plenários e, a esta distância, questiono-me porque razão após o 25 de Abril não foram demitidos sem direito a reforma todos os juízes e procuradores que neles participaram.
ResponderEliminarUma questão a que imediatamente o conhecimento da História dá resposta: juízes e procuradores, por mais lustro que se lhes puxe, não passam de funcionários cuja casaca se vira convenientemente conforme os regimes. Para além do exemplo português já referido, recorde-se o que se passou na Alemanha: depois de terem acusado e julgado durante o nazismo, continuaram a fazer o mesmo após a sua derrota, desta feita contra os anteriores nazis.