sábado, 8 de junho de 2024

Reflexões

Gostaria de começar por fazer notar uma coisa extraordinária que, provavelmente, mudará a minha opinião sobre o jornalismo.


Quem por aqui passa, conhece, com certeza, a minha opinião sobre o estado miserável da imprensa, mas os comentários a um dos meus posts anteriores faz-me reavaliar um aspecto central do que venho a dizer: aparentemente, o jornalismo não é tão mau como  pensei, são os leitores que realmente estão interessados mais interessados em emoções que em informação.


Fiz um post simples chamando a atenção para a dissonância entre o significado corrente de criança e o que é usado pela imprensa para falar da guerra de Gaza.


Qualquer dicionário diz que uma criança é aquilo que todos nós achamos que é uma criança, é alguém que está na infância, isto é, que ainda não atingiu a puberdade.


Acontece que há inúmeras definições administrativas de criança que são diferentes, tal como uma pessoa com 35 anos é um jovem numa juventude partidária e continua a ser jovem aos 40 anos, para efeitos de atribuição do estatuto de jovem agricultor, mas quando se fala num jovem, ninguém pensa numa pessoa de 40 anos, excepto se for o secretário geral da CGTP e outras organizações de base geriátrica.


O que concluí, pelos comentários ao post, é que há bastante mais gente do que pensei à procura da definição burocrática de criança, que permita aos jornalistas falar na morte de crianças em Gaza para descrever a morte dos inúmeros adolescentes e jovens adultos que o Hamas recruta e usa nas suas práticas de guerra criminosas, e que o problema não está na falta de ética dos jornalistas, mas na sede de emoções dos seus leitores: eles querem mesmo chorar a morte de crianças e não informação sólida com base na complexidade do mundo.


O segundo assunto resolve-se com uma frase, resolvi falar de bisontes no Observador.


Por último, uma referência à campanha de crowdfunding da Montis, que acabou ontem e não atingiu os seus objectivos, a primeira vez em que tal acontece numa campanha em que eu tenha estado envolvido.


Ainda assim, valeu a pena porque graças a uma prática de crowdfunding de que discordo profundamente - nas causas sociais é possível que o promotor receba os donativos, mesmo que o objectivo do projecto não seja atingido - vai dar-se início a um fundo para a compra de terrenos, porque a comunicação associada a uma campanha de crowdfunding é muito relevante e porque se aprende mais a falhar que a conseguir atingir objectivos, desde que se faça um bom esforço para perceber o que não correu bem.


E pronto, acho que já são reflexões suficientes para um dia de reflexão.

7 comentários:

  1. «ditadura militar (https://pt.wikipedia.org/wiki/Ditadura_militar)




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  2. Não vejo razão para discordar de que o dinheiro obtido pela Montis na campanha de subscrição pública lhe seja entregue apesar de o objetivo nominal da campanha não ter sido atingido. Isto porque esse objetivo era somente nominal. A Montis tanto pode dar emprego útil aos 10 mil euros obtidos como poderia dá-lo aos 20 mil pedidos ou até a 50 mil, se os tivesse obtido. O objetivo da campanha da Montis não era um projeto concreto e finito (por exemplo, comprar um trator). Tratava-se de um objetivo elástico.
    Os (ou a maioria dos) dadores da campanha da Montis compreenderam-no e por isso permitiram, por opção própria, que a sua doação fosse entregue à Montis mesmo não tendo o objetivo nominal da campanha sido atingido.

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  3. A conclusão já estava tirada antecipadamente. 
    Parece aqueles auditores que na primeira reunião perguntam quais os resultados a obter.

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  4. Nunca vi um jornalista escrever que quem combate em roupa á civil  potencia a morte de civis.
    Nunca vi um jornalista escrever que a estratégia de combate do Hamas é baseada em cometer crimes de guerra.E não só contra Israelitas.
    Nunca vi um jornalista escrever que os jornalistas punem Israel por defender os seus civis e recompensam o Hamas por não proteger os seus.

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  5. Os jornalistas não escrevem aquilo que diz o Hamas sem sequer a maioria das vezes assinalar que é o Hamas a dizê-lo porque os leitores querem emoções. 

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