segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Jornalistas que perderam a agenda

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Não gosto nada de ouvir jornalistas, alguns com responsabilidades editoriais, a considerarem que determinado dirigente político “trouxe” um assunto para a agenda. Quem deve definir a agenda dos órgãos de Comunicação Social são precisamente os jornalistas e os responsáveis editoriais e não alguém exterior a eles. É claro que há temas que se impõem na agenda, desde terramotos a quedas de Governo, passando por pandemias, mas achar que a responsabilidade por dar relevância a brincadeiras com fotografias de gatinhos- ainda que disfarçada por abordagens pretensamente “sérias”, como “a importância das redes sociais nas campanhas eleitorais” – , a frases soltas ou incidentes fortuitos é de quem o faz e não de quem o destaca nas agendas, é simplesmente prescindir do papel do jornalismo.


Se os órgãos de Comunicação Social - quase todos rendidos ao “infotainment”, essa maldita mistura de informação com entretenimento que está a dar cabo do bom jornalismo -querem dar espaço a assuntos menores, desprezando a importância dos temas pertinentes que quase todos os partidos trazem diariamente para a campanha, ao menos que o assumam e não deitem as culpas para cima de outros. Podem achar que ao privilegiarem notícias a sério, no momento imediato, vão perder audiências, “cliques” e leitores, mas talvez assim se venham a distinguir melhor do que vai pelas redes sociais de que tanto se queixam e onde cada vez mais pessoas buscam informação. 

2 comentários:

  1. Tem toda a razão. O jornalismo abandonou por completo o seu tradicional papel de informar com imparcialidade mas também o de formar os cidadãos. Se hoje o "jornalismo" bateu no fundo e alinha pelo entretenimento dando destaque a estes "faits divers" de lana caprina, então em nada se distingue do entulho que vai pelas redes sociais. A opção é deles e só deles.


     Enfim, a actual informação  preferiu tudo sacrificar no altar do bezerro de ouro, indo ao encontro dos "gostos" e "likes" mais lucrativos de toda uma geração que cresceu com os big brothers e outros lixos afins. Para mais, tudo gente "formatada" em série, com o alto patrocínio de um ensino decadente e facilitista que gera cada vez mais analfabetos letrados. 
     

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  2. "Jornalismo é luz, fogo de artifício, espectáculo." (in Dicionário da Novilíngua) 

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