
Aqui está um livro que não recomendo nem para as férias de Verão, nem para qualquer outra altura do ano. Uma história mal-ajambrada, personagens ridiculamente construídos, insuportáveis piscares de olhos à “modernidade”, tudo com muita pretensão à mistura. A provar que eu não percebo nada disto estão os jurados do Goncourt, que lhe atribuíram o prémio no ano passado, e inúmeros especialistas que muito elogiaram “A Anomalia”, do francês Hervé Le Tellier. Tenho como desculpa nunca ter apreciado literatura do género “fantástico”, e muito menos “ficção científica”, com uma ou outra excepção, desconfiando sempre de autores para quem a realidade não basta como ela é.
Parece-me, no entanto, que estou cada vez mais em minoria, a julgar pelo êxito que este tipo de ficção obtém junto do público em geral. Antes reservados a determinados e respeitáveis nichos de apreciadores, o “fantástico” e a “ficção científica”, assim como o “terror”, invadiram as nossas sociedades. Basta ver a quantidade de filmes e séries televisivas (às vezes, com base em livros), que se produzem para um mercado massificado, em que há robots, gente metade humana metade máquina, gente que viaja no tempo, que vem do passado, que vem do futuro, que lê pensamentos, que voa, que tem “superpoderes”, que vem de outro planeta, que prevê acontecimentos, adultos que voltam a ser crianças, crianças que se transformam instantaneamente em adultos, mortos que voltam à vida, vivos que afinal estão mortos. E ainda vampiros, zombies e lobisomens por todo o lado. Não sei o que isto diz do mundo em que, de facto, vivemos, mas coisa boa não é.
E talvez desconheça, mas tudo isso também está a invadir o mundo das crianças.
ResponderEliminarNão é todos os dias que se encontra alguém disposto a assumir publicamente - como Duarte Calvão aqui faz - a sua ignorância e o seu desfasamento da realidade, neste caso de âmbito cultural e, especificamente, literário e cinematográfico. Na verdade, a Ficção Científica e Fantástico é o género mais importante - sim, superior a quaisquer «realismos» - desde há muito tempo (décadas, se não séculos), tendo influenciado decisiva e positivamente nos últimos (mais de) cem anos os desenvolvimentos científicos e tecnológicos de que hoje usufruímos.
ResponderEliminar