quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Tarde demais...

"Em 2020, num país civilizado, penso que a eutanásia não é necessária para prevenir mortes terríveis. Nas exceções em que os cuidados paliativos não são eficazes, podemos querer pôr fim à vida de maneira direta e intencional. Mas isso é uma tragédia e penso que é um erro acharmos que uma tragédia pode ser legalmente regulamentada. No momento em que regulamos uma forma de tragédia, outras tragédias exigirão uma nova liberalização da lei. O que mais me preocupa é que a eutanásia começou a minar a nossa determinação de lidar com as nossas dificuldades. Em vez de dar esperança, enviamos o sinal de que, para alguns doentes, é melhor deixar de existir."


A ler esta entrevista a Theo Boer professor de Ética dos Cuidados de Saúde na Universidade Teológica Protestante em Groningen

2 comentários:

  1. pôr fim à vida de maneira direta e intencional [...] é uma tragédia

    Concebo que isso seja uma tragédia em muitos casos. Há muitos suicídios e certamente alguns, talvez até muitos, são tragédias.

    Agora, dizer que o suicídio de uma pessoa que se encontra doente de uma doença mortal e que se encontra em profundo sofrimento é uma tragédia, isso, discordo totalmente. Essa morte não é uma tragédia, é uma libertação, para essa pessoa e para as outras que têm que assistir ao sofrimento dela.

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  2. No meio desta discussão toda sobre a crónica de uma morte legalmente anunciada ( quantas votações fossem preciso, até conseguirem ) tenho ouvido muitos comentários, teses, opiniões sempre com o "eu" na ponta da língua. "Se eu estiver numa situação limite quero ter a possibilidade de pedir a um médicos que termine com o meu sofrimento", dizem. Mas será que o "eu" é mesmo sobre a minha saúde ? ou será mais sobre a inconveniência,  a disponibilidade, o tempo que terei que despender a cuidar ( ou a visitar numa unidade de cuidados paliativos ou num lar ) de um pai, ou uma mãe ou um avô ou quem quer que seja ? hoje em dia, mais que nunca, não temos tempo para nada nem energia para cuidar dos outros. A banalização da morte e a falta de paciência e de consciência para tomarmos a nosso cargo os últimos dias de vida daqueles que nos criaram, levam mais uma vez a que as boas consciências se aliviem, pondo no estado a responsabilidade pela resolução das inconveniências ocasionadas no fim da vida.

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