sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

A promessa de felicidade e uma bomba relógio

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Não tenho feitio para catastrofista, mas não consigo evitar sentir que no ocidente vivemos sobre uma bomba relógio - principalmente os países com uma economia mais débil como Portugal. Eu explico: se somarmos a fórmula venal de sustentação do poder nas democracias liberais com a promessa de “felicidade” para todos os indivíduos, um conceito subjectivo que como todos sabemos é objectivamente inalcançável, com o alarmismo cada vez mais estridente sobre as alterações climáticas – o medo é uma arma muito potente – cujo combate esconde a exigência da austeridade como inevitável modo de vida num Mundo que afinal não possui recursos ilimitados; poder-se-á entender o caldo que está em vias de se entornar por estas bandas (lembram-se dos primeiros anos do resgate da Troika?).
Se no hemisfério sul os povos ainda estão a sair da miséria, por cá poucos são aqueles que estão dispostos a mudar de vida de forma voluntária: basta atentar nas auto-estradas suburbanas de Lisboa e Porto diariamente engarrafadas até à noite avançada, ou como nos sugere Miguel Monjardino, no número de grandes aeroportos em construção na Ásia, na diferença abissal de venda de carros a gasolina com os eléctricos no mundo, e na expansão anual do tráfico aéreo acima de 6% na Europa para entender a discrepância entre o discursos e a realidade. Depois lembremo-nos como surgiu o fenómeno dos Coletes Amarelos em França, sempre na linha da frente no que a motins diz respeito, na sequência do anúncio do aumento dos impostos sobre os combustíveis fósseis e sobre as emissões de carbono. Os revolucionários começam sempre motivados pela ameaça aos seus privilégios, e assim como o transporte individual, o consumo desenfreado do descartável tomaram o lugar do bezerro de ouro da nossa civilização. Como se vai convencer toda a geração “mais bem preparada de sempre” a prescindir das suas viagens de 3 dias em “Low Cost” com que se entretêm enquanto não “assentam” para fazer família – e de caminho mitigar a inversão da pirâmide demográfica que sustenta o Estado Social? E se o travão ao consumo fosse coisa realizável sem muito sangue qual seria o efeito na economia e no emprego? O que me assusta é que já há demasiada gente a maquinar os planos para um novo “Homem Novo” que encaixe nas suas expectativas. Ah, sim é verdade: já me esquecia da felicidade que nos foi prometida em campanha eleitoral. Exijo ser feliz! Porque é que os políticos afinal não cumprem com a palavra dada?!

5 comentários:


  1. João Távora,
    O texto até tem um tom de um natural de Melmac que aterrou, por grave engano, neste planeta.
    Há frases de uma inocência engraçada.
    Deus o conserve!
    ao

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  2. Eu por delicadeza não vou qualificar o seu comentário. 
    Volte sempresa. 

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  3. Esqueça , não vale a pena preocupar-se porque não há solução em moldes pacíficos e  sobretudo porque , como diz um amigo meu " si le temps  c este de l argent normal que les gents aient le QI  d un parcmètre"  ou seja , já nem há cabeças para resolver os problemas da estrutura hipercomplexa em que vivemos e que saiu completamente do nosso controle.

    small is soooo beautiful.  Bom Ano.

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  4. Não compreendo o que me quis dizer.
    Releia o que aparece no ‘blog’.
    Obrigado.
    ao

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  5. Sei que todos temos dias 'não'.
    Até a Epifinia...
    ao

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