(...) Quem tem filhos na escola pública, (eu tenho três), sabe perfeitamente que é uma espécie de lotaria apanhar um bom professor. E que é uma sorte quando um docente é pontual, assíduo, ou consegue dar toda a matéria prevista. E neste ponto é tão ou mais culpado quem desenha as políticas de educação como os sindicatos, cuja única preocupação é defender sempre o professor em todas as circunstâncias e nunca o aluno. De imediato, os sindicatos viraram o problema para outro lado, porque também há professores agredidos, pedindo mais auxiliares. Recusam-se a olhar para o cerne da questão. Têm os alunos os professores que merecem ou alternam entre os que resistem por amor à profissão e os que nunca deviam ser permitidos dar uma aula que fosse?
Estes dois casos são exemplos de como o Estado falha quando trabalham para os lóbis profissionais, sejam eles professores ou médicos. Grande parte das políticas públicas são direcionadas a classes profissionais e nunca ao cliente final, o cidadão. Vivemos num Estado que insiste em não colocar no centro da sua política o aluno ou o utente. Prefere mil vezes discutir carreiras, salários, reformas e pensões, dotações orçamentais e recursos humanos, do que perceber se está ou não a servir quem deve. E é por isso que passámos os últimos quatro anos a discutir devolução de rendimentos para a Função Pública, fim dos contratos de associação com colégios privados ou o fim das PPP na saúde, em vez de tentar perceber como ter alunos mais bem preparados ou os melhores cuidados médicos para a população.
"Sem Perdão" - João Vieira Pereira no Expresso
Os alunos até ao 12° ano não têm associações dignas desse nome. Creio que há uma associação de encarregados de educação, mas não deve ser eficaz, ou eu saberia o nome da coisa. O resultado é os miúdos fazerem greves pelo clima e nunca, por exemplo, pelas condições da cantina.
ResponderEliminarDos muitos problemas da escola só ao de leve se fala em reuniões de encarregados de educação. Essas reuniões eram mornas mas estou a achá-las cada vez mais interessantes, à medida que os miúdos crescem e nós pais ficamos mais batidos no assunto. No ano passado, por causa da cantina, a directora de turma teve de fazer marcha-atrás no discurso culpabilizador, e depois teve de fazer marcha-atrás noutros temas, porque já não há paciência dos pais para serem acusados de tudo o que se faz de errado na escola. A triste realidade, é que, salvo raras excepções, os melhores alunos são, invariávelmente, os que têm mais acesso a ensino fora da escola. A carga horária é estúpida, há disciplinas que eram completamente dispensáveis, e os programas são tão vastos que se tornam impossíveis de cumprir.
No caso específico da cantina, nenhum professor ou funcionário a usa, o que é significativo.
Meus filhos passaram e meus netos estão a passar pelas escolas abrileiras.
ResponderEliminarTenho vivido, estes últimos 35 anos, com uma revolta interior muito grande por ver os maus caminhos que o Ensino Público tem seguido, o qual é cada vez pior.
A desorientação geral nas matérias, nas regras, na Didáctica, na disciplina dentro e fora da aula e até nas graves omissões e distorções da verdade, permitem-me dizer que se está a cometer um verdadeiro CRIME contra as novas gerações portuguesas, neste campo.
Tenho-me sentido impotente para evitar que os meus descendentes sejam violentados desta maneira mas os meios pecuniários nunca me permitiram manda-los estudar em escolas verdadeiramente dignas desse nome.
A Escola Oficial, que tem custos fabulosos pagos pelos contribuintes, deveria estudar o sistema anteriormente usado, que era eficaz, simplificando-o e actualizando-o; bastava isso.
Mas aqui mete-se a Política, que feita por internacionalistas, põe os interesses internacionais à frente dos nacionais, sabe Deus com que intenções (veja-se o caso do famigerado e absurdo Acordo Ortográfico).
Mudam os ministros, mudam as políticas e andamos nisto há mais de 45 anos!
Passam as gerações e Portugal continua sempre entre oscilações extremas não estabilizando o Conhecimento e o Pensamento nem gerando personalidades com real valor social capazes de transformar um povo de analfabetos num povo culto, capaz de se conduzir e governar por si próprio.
O que o Ensino Oficial tem conseguido é formar o que eu chamo os doutores-burros:
Muitos dos actuais licenciados e até "mestres" com "mestrado"(!) sabem de computadores e de telemóveis, sabem o fútil dos cinemas e das cantigas, mas desconhecem quase completamente o que é e foi PORTUGAL na sua História e na sua Geografia, não sabem dizer toda a Tabuada, têm um léxico de português paupérrimo, cheio de barbarismos e escrevem em gatafunhos.
São bem o espelho do Ensino que por cá temos.
Tenho para mim que quem não sabe ler e escrever correctamente a Língua-mãe jamais será capaz de pensar bem.
E quem perde é a Nação no seu todo.
E por aqui me fico.
Na Revista Visão "on line" pode ler-se, entre outras medidas que o novo Governo português pretende levar a cabo:
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Pois, pois!
Fosca-se, só anónimos a comentar por que será?
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