Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, Jesus seguia à frente dos seus discípulos, subindo para Jerusalém. Quando Se aproximou de Betfagé e de Betânia, perto do monte das Oliveiras, enviou dois discípulos e disse-lhes: «Ide à povoação que está em frente e, ao entrardes nela, encontrareis um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltai-o e trazei-o. Se alguém perguntar porque o soltais, respondereis: ‘O Senhor precisa dele’». Os enviados partiram e encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito. Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos perguntaram: «Porque soltais o jumentinho?». Eles responderam: «O Senhor precisa dele». Então levaram-no a Jesus e, lançando as capas sobre o jumentinho, fizeram montar Jesus. Enquanto Jesus caminhava, o povo estendia as suas capas no caminho. Estando já próximo da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto, dizendo: «Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no Céu e glória nas alturas!». Alguns fariseus disseram a Jesus, do meio da multidão: «Mestre, repreende os teus discípulos». Mas Jesus respondeu: «Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras».
Palavra da salvação.
As linhas de fogo da oração
ResponderEliminarNão pensemos que a oração é um caminho linear, porque a própria vida é de uma complexidade labiríntica nos seus altos e baixos.
Quem quer que habite o verbo rezar sabe que lele inclui um trânsito purgativo. Tarde u cedo, sentimo-nos feridos pela contradição irresolúvel, pela dor injustificável, pela irreversibilidade que nos leva a atravessar linhas de fogo. A oração não é aquele momento em que consigo libertar-me e fugir. É, sim, aquele instante em que o espírito se une á minha fraqueza e me dá forças para abraçar o próprio inferno, isto é, aceitar aquilo que me esmaga, aquilo que é maior do que eu e não consigo explicar, aquilo que se abate sobre mim sem que eu possa alterá-lo.A maior parte da nossa oração é vazio e silêncio, não nos iludamos.
Há tempos, o ator Luís Miguel Cintra propôs-me uma coisa que me deixou a pensar: «Olha, no final da missa, quando dizes "ide em paz e que o Senhor vos acompanhe", devias dizer "ide em paz mesmo que ninguém vos acompanhe".»
Pode parecer um paradoxo, mas a oração torna-se mais vital quando tocamos o silêncio de Deus, quando os nossos pés se afundam na orla da sua ausência.