quinta-feira, 7 de março de 2019

A Liberdade e as Fake News

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Não sei até que ponto a recente mania das "Fake News" corresponde à do demonizado "boato" que nos tempos do PREC os revolucionários combatiam com o denodo de um censor soviético. Também não sei onde nasciam esses boatos, se nos gabinetes dos políticos, nas messes dos oficiais do MFA, ou na praça pública, fervilhante daquilo a que hoje se chamam “activistas”, imbuídos de sua natural vertigem sectária. Hoje como sempre, o controlo da "revolução" passa pelo domínio da narrativa, e essa pretensão é o perigo que mais devemos temer. A diabolização das redes sociais e dos fenómenos daí emergentes insere-se nesse âmbito, e revela a velha tentação censória do “discurso” dominante, das “elites” instaladas. A pressão exercida por elas, aliás, vem dando resultados, e nota-se bem por estes dias uma mudança no algoritmo das grandes plataformas em rede que ultimamente vem favorecendo os conteúdos dos media tradicionais (no Facebook essa experiência é claríssima). 


Acontece que “notícias falsas” sempre existiram e existirão. As fronteiras da propaganda com o exagero ou a mentira sempre foram difusas – a propaganda é uma arma de guerra, um inestimável instrumento da luta política. O actual incómodo com as "Fake News" está na sua democratização e na perda do seu controlo, digamos, “institucional”: com o advento das redes sociais e da facilidade de auto-edição (sem intermediação), toda a gente pode ser um agente criador ou disseminador de aldrabices ou, pior ainda, de meias-verdades. Mas não nos esqueçamos nunca que a isso, quer se goste quer não, corresponde a um acréscimo de liberdade. A liberdade de, por exemplo através dum blogue como este, se conseguir confrontar os poderes instituídos (onde se inclui o jornalismo) com interpretações alternativas aos factos em discussão. O meu ponto é este: no meio desta confusão de narizes das redes sociais a última coisa que devemos recear é a liberdade. Só com a liberdade o equilíbrio encontrará o seu caminho.


 


Publicado originalmente aqui


 

6 comentários:

  1. O caro João Távora esta a ver mal as coisas.
    É bem sabido, através de experiências práticas de psicologia cognitiva, que o excesso de liberdade faz mal, e que demasiada liberdade nunca se concretiza: posta perante um grande número de escolhas, a nossa mente colapsa, não sabe o que fazer e, ou se torna indecisa e não faz nada, ou então auto-restringe-se a um pequeno número das múltiplas opções disponíveis, ou seja, elimina ela própria a liberdade.
    A internet é a mesma coisa: teoricamente dá uma liberdade infinita, na prática cada um de nós auto-elimina grande parte dessa liberdade, por exemplo restringindo-se a visitar certos blogues, a ler certos jornais, etc. Se nesses blogues e jornais só forem ditas mentiras, tanto pior - a pessoa fica presa numa teia de mentiras.

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  2. Freedom From Choice. Haha.

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  3. São os mesmos que consideravam o aparecimento de canais privados de televisão um perigo. Hoje parece ridículo. 

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  4. Depois, também, se se comentar numa prosa cómica ou em verso, ninguém levará a mal, uma coisa boa da tal liberdade...

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  5. Acerca de notícias falsas que por aí circulam notavelmente uma, o "aquecimento global" provocado pelos combustíveis/motores fósseis.

    As variações significativas do clima à superficie da Terra (Eras Glaciares ou (re)desertificações de várias áreas) são sobretudo consequência do aquecimento das águas dos Oceanos e respectivas correntes marítimas, provocadas por contactos, afloramentos, do magma planetário. O aquecimento solar dos oceanos é limitadíssimo e superficial.Será cerca de 10% e superficial.

    Como assim?. Vejamos.

    -A crosta terrestre não aquece, nem arrefece, significativamente. Sob o ponto de vista "alteração climática" não conta. Apenas se deixa cobrir de neve, gelo, vegetação ou de areia de deserto.

    -A atmosfera hoje está aqui, amanha está acolá. Quem atravessou o Oc. Atlantico num voo comercial (num dia sem nuvens) durante 5.000 Km não sofreu nem viu smog nenhum. Apenas viu, lá em baixo, um Oceano critalino.Milhões de metros cúbico de ar limpo. A atmosfera é apenas um meio (sentido) do transporte das alterações climáticas. 
    Um mero pequeno vulcão pode provocar mais "invernos" do que todos os sonhos do negociante em demagogias, o Sr. Al Gore.

    -Restam os Oceanos. 4/5 da superfćie do Planeta e um volume de massa móvel e com notável poder "calorífico"....

    Apenas mais um Rei que vai, caricatamente, nú. E um bom pretexto para meio mundo taxar a outra metade.

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  6. O aquecimento dos oceanos está a ser moderado pelo calor latente das calotes polares, logo que acabe o gelo, muito mais cedo a norte, ele vai acelerar.

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