terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Do racismo III


(...) Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop.(...)


 


A propósito do tema da segregação racial é importante ouvir esta impressionante interpretação de Billie Holiday de "Strange fruit" de 1939, que fala dos corpos dos negros linchados pendurados nos álamos do sul dos Estados Unidos no século XIX. Muito caminho foi feito desde então. Certo é que, mais eficiente que qualquer activismo marxista para a erradicação do racismo (como é ser negro nos antigos paraísos socialistas?), tem sido o efeito ao longo das ultimas décadas do "Soft Power" que emerge no ocidente liberal judaico-cristão, através da produção literária, da música (em especial do Jazz e da Pop) e do cinema, que tem ensinado gerações a conviver em harmonia com a diferença étnica e (às vezes) cultural. Claro que ainda falta muito caminho e os Mamadous só atrapalham. 


 

7 comentários:

  1. o ocidente liberal judaico-cristão

    Convem entender que, em geral em qualquer sociedade, a cultura da sociedade influencia mais a sua religião do que vice-versa.

    Passa-se na Europa precisamente isto: o liberalismo influenciou fortemente o cristianismo (menos talvez o judaísmo), muito menos o contrário.

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  2. João Távora, a Billie Holiday iria sorrir com este seu post, no mínimo. Nunca alguém deixou de ser racista por ouvir música. Na terra dela, a segregação não acabou com concertos ou sessões de leitura, mas com o exército e a polícia, à força. E muitas, ou todas, as organizações e indivíduos que lá lutaram contra o racismo, foram também acusados de comunistas. É uma tática antiga, essa, como vê. E também lá muitos outros, como o Mamadou, foram acusados de incitar o ódio. E muitos outros responderam que o problema é o racismo, não o que diziam (e dizem) os ativistas contra o racismo.

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  3. a segregação não acabou com concertos ou sessões de leitura, mas com o exército e a polícia, à força

    Razão teve portanto Malcolm X quando disse que, se a segregação não acabasse através do voto, acabaria através da bala.

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  4. Errado. Foi o Cristianismo que influenciou o liberalismo e não o inverso. Jesus Cristo disse "faz a tua escolha", já Maomé obriga à submissão, e tambem advogou a separação entre Estado e Religião (a César o que é de César, a Deus o que é de Deus). Já para não falar dos 10 Mandamentos que são um garante das liberdades indivíduais sem prejuízo de terceiros...

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  5. A este propósito, aconselho vivamente o filme Green Book, em exibição nas salas nacionais.

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  6. O André Miguel está a fazer uma interpretação liberal, europeia e moderna do cristianismo. No passado, as mais das vezes, o cristianismo foi interpretado de forma totalmente oposta: os cristãos passaram a maior parte do tempo a matar os não-cristãos e a matarem-se entre si, de forma totalmente intolerante para com maometanos, judeus, bruxas, hereges, protestantes ou católicos, etc. (Espero que não necessite de lhe dar exemplos.) O Mandamento "não matarás" foi repetidamente violado. Só recentemente é que, com a liberalização geral da sociedade, o cristianismo passou também ele a ser mais liberal. Mas, em sociedades menos liberais, como na América Latina ou em África, o cristianismo continua a ser brutalmente intolerante (por exemplo, para com o aborto e a homossexualidade).
    Em suma, tal como eu digo, é a cultura da sociedade que (as mais das vezes) influencia a interpretação da religião, e não o inverso.

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  7. Há que compreender.

    As culturas africanas baseiam-se na tribo. Numa tribo o que se caça, lavra e colhe é comum. A re-distribuição de bens é expontânea. Indiscutível. Letra de fé. 

    Por vezes é difícil ao culturalmente "europeu" percebr isto. E vice-versa.... Adiante.



    Não é em vão que mesmo as segunda gerações de africanos -filhos de imigrantes, que receberam a sua cultura de socialização, também, no geto- se identifiquem com formas de socialização híbridas, confusas, quase "tribais".
    Não é em vão que esses cidadãos apresentem expontânea afinidades pela cultura social de partidos como o BE, com a sua ideologia e propaganda de pendor "comunitário", típico nos jóvens que populam estes partidos. 
    É como as borbulhas: duram enquanto duram, mas passam.

    Na verdade o hábito não faz o monge e um dia destes teremos este, certos personagens, à procura de lugares elegíveis bem mais à direita. Está-lhes no sangue. É teatro. É a política. Vemos disso desde o PREC. 

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