quinta-feira, 17 de maio de 2018

Um choro pelo meu Sporting

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Foi ao início do recente derby, na cena macabra das tochas arremessadas para a baliza de Rui Patrício, que eu pela primeira vez na minha já longa vida me senti a mais no Estádio de Alvalade. Na sequência dos acontecimentos prévios, o estranho à vontade e o descaramento com que essa acção foi perpetrada, demonstrava à evidência como os bárbaros tinham definitivamente tomado conta do nosso clube.


Em minha defesa tenho a dizer que nunca votei em Bruno de Carvalho, cujo discurso e estilo desde a primeira hora me assustaram. Mas confesso que nos primeiros tempos da sua presidência, perante o facto consumado, e por causa do meu amor ao Sporting, tentei assimilar o personagem, desculpando-lhe os excessos com a esperança em resultados, e diga-se em abono da verdade que alguns sinais até pareciam prenunciar as almejadas vitórias. Pus-me em causa: talvez o problema fosse os meus preconceitos, uma pessoa que tivera uma rígida educação votada para uma estética (ou ética, como lhe queiram chamar) aristocrática, um exercício que a minha vida prática e quotidiana me obriga fazer demasiadas vezes. Infelizmente, como eu receava, a coisa vai acabar muito pior do que a minha imaginação alguma vez poderia conceber, mesmo nos mais negros pesadelos.


Esta semana tem sido muito penosa para mim. Basta dizer que não tenho maneira de explicar os insanos acontecimentos que tomaram conta do nosso Sporting aos meus filhos, que na antiga tradição familiar com orgulho formei como sportinguistas e para o carácter: sempre souberam que a condição do nosso amor e lealdade não eram dependentes ou recompensa de vitórias. Acontece que a dedicação de um verdadeiro Sportinguista é fundada no carácter que só o esforço forma, na resiliência e pele rija daqueles que perdendo batalhas se reforçam e reforçam para voltar à luta apenas pela glória que só um grande amor imprime.  E a recompensa de uma pertença maior, legado que nos chegou das pessoas de bem que nos esculpiram este coração de Leão que hoje sangra e chora.


Vai dar muito trabalho, no meio dos escombros e deste caos que não nos deixa ver o dia de amanhã, juntar os cacos para voltarmos de cabeça erguida a competir pelo lugar que é nosso: o de um grande clube português, de gente decente e lutadora. O resgate do nosso Sporting tem de começar hoje, expulsando de vez o usurpador.

5 comentários:

  1. valor excessivo pelos jogadores.
    deslumbrados consideram-se o centro do mundo.


    ditado Russo: 'quem oaga manda dançar'


    adora-se a rebaldaria


    'teresina, teresina, 
    capital do piaui
     se o mundo tivesse cu
    o cu do mundo era aqui'

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  2. lágrimas de crocodilo meu caro. Se tivessem ficado à frente do benfas, tudo ficaria igual com o ditador de pacotilha a comandar o ódio ao benfas e com todos os notáveis que o apoiaram a defendê-lo até às ultimas. Criaram um monstro, agora lidem com ele.

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  3. João, identifico-me completamente na vergonha dos acontecimentos que põe o nosso Sporting na lama. Porém, tenho assistido ao longo de meses a uma vergonha nacional no tratamento que televisões e jornais dão a um presidente legal e democráticamente eleito. A esmagadora maioria dos sportinguistas que conheço, não gostando de muitas das atitudes do presidente, estão do lado dele. Não foi o presidente que cometeu uma ilegalidade quando publicou um texto - com o qual eu não concordo - no facebook: ilegalidade cometeram os jogadores que fizeram boicote ao treino no dia seguinte. Não vejo uma unica televisão a entrevistar um sportinguista que tenha estes pontos de vista e eu sei que são muitos. Pelo contrário, entrevistam todos os ressabiados e todos os abutres esfomeados pelo poder. Conseguem sempre esconder os grandes feitos que o Sporting tem conseguido, após revitalizar muitas das modalidades que tinham sido extintas ou quase. Pensa nisso antes de pensares erradamente que o presidente - de quem eu até nem gosto muito, mas com quem estou democráticamente - é um usurpador...

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