quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ilustrações

Diz Clara Barata, no Público de ontem: "Uma manifestação contra o novo Presidente logo no dia a seguir a ser eleito, ilustra a dificuldade do seu caminho".


Para mim ilustra muito melhor as dificuldades dos promotores da manifestação em conviver com a Democracia e a ideia de que a legitimidade do poder lhe advém do voto das pessoas comuns e não do consentimento dos iluminados que dizem defender os interesses do povo.

4 comentários:

  1. Absolutamente verdade.Há muitas mentes enviezadas não pelo conhecimento da vida mas sim pelas facilidades que dela têm sacado.

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  2. Acho que não. Ilustra é a liberdade de manifestação e protesto, coisa essencial e, por isso, legitima, em democracia.

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  3. As manifestações que se sucederam ao conhecimento do resultado das eleições, logo no próprio dia e no dia seguinte, com alguns actos de intimidação de pessoas, destruição de bens públicos e privados, violência contra as forças policiais, são obra da extrema-esquerda.
    O legitimo direito à manifestação nunca esteve em causa.
    O que é próprio destes grupos extremistas e minoritários é a vontade de impor nas ruas aquilo que não conseguem obter através de eleições livres.
    O que menos lhes interessa é precisamente a democracia e o respeito pelas diferentes opiniões, muito menos as mais representativas. 
    A única opinião que conta é a deles e a única liberdade que querem ver respeitada é a deles poderem fazer o que querem contra a liberdade dos outros.
    São opiniões totalitárias ! 

    O novo presidente francês vai certamente ter muitas dificuldades no seu caminho.
    Mas, as principais não têm que ver em particular com as manifestações de protesto destes sectores extremistas, que sempre existem e existirão, mas sim com o que se vai passar politicamente com os sectores moderados e que representam a maioria da população, do centro, do centro-direita, do centro-esquerda : até que ponto é que Emmanuel Macron, que foi eleito com votos provenientes destas diferentes áreas politico-partidárias, vai conseguir assegurar uma maioria parlamentar minimamente coesa para um governo com força e autoridade para levar a cabo as reformas de que o pais precisa e para se afirmar a nivel europeu e internacional ?...  

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  4. Renato,
    Efectivamente, não "queimaram Paris".... Também era só o que faltava ... Mas, se os deixassem, queimavam mesmo, faziam "a revolução", destruiam, saqueavam, prendiam, agrediam, matavam,... lançavam o caos nas ruas que deveria permitir a tomada e a usurpação do poder institucional pela força. A história está repleta de exemplos que começaram com uma pequena agitação e acabaram na tragédia da ditadura e do totalitarismo
    Mas, mesmo sem os deixarem tomar completamente conta das ruas, para além de manifestarem e protestarem pacificamente, o que é um direito legitimo, quase sempre fazem estragos e condicionam a tranquilidade e a liberdade dos outros, o que é ilegitimo e moralmente (sim, Renato, "moralmente" !...) inaceitável.
    Desde há muito que não há " O que é mais frequente são os "desfiles de punho erguido da extrema esquerda". Em geral, a extrema direita é antes vitima de contra-manifestações da extrema-esquerda, a tal que se auto-proclama "anti-facho" e que se atribui a missão de impedir aquela de existir e manifestar. Apesar de, em democracia, a extrema-direita ter tanto direito como a extrema-esquerda de fazer manifestações e de exprimir a sua insatisfação e o seu protesto.
    O problema é que pessoas como o Renato têm uma dualidade ideológica de critérios relativamente às manifestações e às violências que eventualmente as acompanham : se as manifestações são de esquerda, mesmo que da mais extrema e herdeira do totalitarismo comunista, são legitimas, e se os manifestantes se "portam menos bem" não é grave e é até salutar do ponto de vista da democracia ; se as manifestações são de direita, e nem sequer é preciso esta ser muito extrema, já são ilegitimas e qualquer desordem e violência, por limitada que seja, já é uma grave ameaça para a democracia.
    Esta é a sua "escolha moral" ?!...
    Em matéria de democracia a "moral" é o respeito por todas as manifestações de protesto, incluindo as da extrema-direita, e é a condenação da violência, mesmo a da extrema esquerda, ou seja, independentemente de se estar mais ou menos de acordo com as opiniões dos manifestantes   
    Portanto, os manifestantes, sejam eles de que lado forem, que ultrapassam o carácter pacifico e legal que é suposto presidir às manifestações em espaços públicos, não respeitam a democracia ... na prática !
    Mas, diz o Renato que o Henrique Pereira dos Santos considera que, pelo simples facto de manifestarem contra Macron, os manifestantes mostram que não respeitam a democracia, a "vontade do povo".
    Mas é evidente que é assim !...
    O que é que o Renato acharia se a Frente Nacional e os seus militantes tivessem vindo para as ruas, para mais "portando-se mal e destruindo mobiliário publico", contestar a legitimidade da vitória de Macron (ou de Mélenchon, ou de Hammond,...) ?!...
    Ou seja, o que é contrario ao espirito da democracia não é manifestar a sua oposição a quem ganha eleições mas sim contestar a legimidade dessa vitória invocando hipotéticos "intrêsses do povo", e foi exactamente isso que fizeram os ditos manifestantes (basta ver as palavras de ordem).
    Dito isto, mantém-se o facto de mesmo essas manifestações serem legitimas em democracia ... desde que e na medida em que não descambem para a desordem e a violência, por pouco que seja, mesmo que sejam "apenas" estragos em mobiliário publico e arremeços de objectos letais contra as forças policiais.    

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