Li que o investimento anunciado no metro de Lisboa vai ser financiado pelo Fundo Ambiental.
Que o investimento em transportes públicos nas grandes cidades é um investimento na sustentabilidade parece-me de meridiana clareza.
O que tenho mais dificuldade é em perceber por que razão resolve o Estado pegar no Fundo Ambiental e investi-lo exactamente onde há mais mercado e mais operadores de mercado disponíveis para investir, aumentando a macrocefalia do país, a concentração económica e, consequentemente, a concentração populacional que está na raiz do problema ambiental que se quer resolver.
Não faria mais sentido investir o Fundo Ambiental no transporte a pedido, dotando as áreas de baixa densidade populacional de transportes públicos que quebrassem a segregação dos que não têm carta ou já não podem guiar e são obrigados a ficar confinados às suas terras ou depender do favor de terceiros?
Não faria mais sentido investir o Fundo Ambiental no pagamento dos serviços de ecossistema que o mercado não remunera, como a gestão do fogo, da biodiversidade ou do ciclo da água, sustentando riqueza e economia no interior de modo a que seja possível gerir o território e diminuir a pressão sobre os grandes centros?
Depois do absurdo de pôr o Fundo Ambiental a financiar festivais de música, temos agora o Fundo Ambiental a pagar a factura da reversão das concessões dos transportes públicos de Lisboa e Porto, ao mesmo tempo que se dá um empurrãozinho à campanha eleitoral do actual presidente de câmara de Lisboa.
Mas como a imprensa também é essencialmente Lisboa, nada disto passa de uma não discussão sobre paisagem, até porque, de acordo com a imprensa e o governo (desculpem-me o pleonasmo), para resgatar o interior o governo tem uma estratégia.
Que o Fundo Ambiental desconhece, claro.
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