sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Não sabendo nada de finanças...

... e tendo uma fraca biblioteca, estou nas condições ideais para fazer perguntas de ignorante.


Esta tal inflação de 1,5%, por causa da subida dos preços dos combustíveis, não é uma espécie de imposto que todos pagamos para que alguns tenham visto o seu rendimento reposto?


E que entre esses todos estão também os mais pobres, obrigados a financiar a classe média cujos rendimentos foram repostos?

9 comentários:

  1. É sim senhor. E os juros sobem para o triplo dos de Espanha, enquanto o crescimento das exportações passa de 3,7% para 0,9% (1/4), que também vamos pagar, mas isso não interessa desde que a esquerda sorria para a televisão.

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  2. Mas quais "pobres" ?....
    Com a reposição de rendimentos e o fim da austeridade desapareceram os "pobres" !...
    Basta ver as noticias ...

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  3. Os funcionários públicos não têm direito a receber o que lhe retiraram?

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  4. Está a perguntar-me se o direito dos funcionários públicos se sobrepõe ao direito a uma vida digna dos mais pobres?
    Eu acho que não. A obrigação do Estado não é defender os servidores públicos à custa dos mais pobres, é mesmo a de defender os que não têm recursos para se defenderem a si próprios.

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  5. Os funcionários não têm nenhum "direito" adquirido em matéria de remunerações !
    Na década que antecedeu a crise de 2011, os funcionários públicos tiveram cerca do dobro do aumento de rendimentos que tiveram os restantes trabalhadores.
    E isto apesar de já terem uma série de regalias próprias, da garantia de emprego para a vida até um regime de pensões mais favorável passando por menos horas trabalhadas e outras.
    E isto apesar da produtividade no sector publico ter crescido menos do que no sector privado.
    Não foi nenhum "direito", foram decisões politicas que atribuiram aos funcionários públicos uma parcela do rendimento nacional superior áquela que correspondia à respectiva contribuição para o mesmo.
    Não foi um "direito", foi um abuso, uma expoliação.
    O que foi reposto não foi um "direito" mas sim uma situação de privilégio abusivo e em prejuizo dos "direitos" dos restantes portugueses !

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  6. O caso do Fernando terá sido de certeza diferente, mas foi por o meio Pai ter sido funcionário público, com estabilidade no emprego, que eu consegui tirar um curso superior e dar melhores condições aos meus filhos. Estou grato. O mesmo se aplica a muitos trabalhadores do privado com empregos mais estáveis do que agora. 
    Pelo que sei, porque tenho familiares nessa situação, os funcionários públicos perderam muito poder de compra nos últimos anos, também tendo sofrido cortes e austeridade, inclusive no tempo do Sócrates e muitos vivem com dificuldades. Mas eu sei que tudo o que cheire a subsídio, apoio ou emprego do Estado provoca ressentimento. Vivemos tempos tristes, de apontar o dedo aos supostos privilégios dos outros. O Fernando quer os funcionários do Estado a recibos verdes, para se sentir melhor? Muito bem, magistrados, militares, policias, professores, etc, tudo a recibo verde.

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  7. (cont)

    Também não quero os funcionários do Estado a recibos verdes nem é isso o que está hoje em questão.
    Mas sou a favor de uma atempada e progressiva revisão do estatuto dos funcionários públicos de modo a que seja aproximado dos estatutos dos restantes sectores de actividade, inclusivé no que ser refere à garantia de emprego.
    Nada disto impede que possam existir algumas categorias, por exemplo as que o Renato refere, que, em função das caracteristicas especipicas das funções que exercem, tenham estatutos também eles especificos.
    Não é nada que não faça sentido ou que seja injusto.
    Por exemplo, um pais que é por vezes considerado exemplar por alguns sectores politicos que se auto-proclamam defensores do serviço público estatal, a Suécia, procedeu ao longo das duas últimas décadas a uma reforma radical do estatuto do funcionário, acabando nomeadamente com a garantia de emprego (por exemplo, os professores das escolas públicas podem, tal como nas escolas privadas, ser contratados, diferentemente remunerados e dispensados por cada estabelecimento em função das necessidades do estabelecimento e das capacidades profissionais dos professores).

     

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  8. Renato,

    Há pessoas, como o Renato, que estão satisfeitas com a qualidade dos serviços públicos. Ainda bem.
    Mas há também muitas pessoas que não estão satisfeitas...
    Sendo que, é verdade, há serviços mais satisfatórios e outros menos.
    O que mais importa até nem é um qualquer nivel absoluto de satisfação (normalmente é sempre melhor ter um serviço, mesmo que de má qualidade, do que não ter nenhum) mas antes a relacção custo-beneficio : até que ponto o que é gasto nos serviços públicos se traduz por um nivel de beneficios que é pelo menos igual ao que se obteria se esses mesmos recursos fossem utilizados de outro modo (no próprio sector publico ou através do privado).  
    O que se sabe é que, de um modo geral, com os mesmos recursos financeiros que o Estado gasta nos serviços públicos seria possivel fazer melhor no sector privado.
    Ou seja, a produtividade e a eficiência do sector privado é normalmente superior às do sector público.
    De resto, o sector público apenas se justifica relativamente a funções que não devem ou não podem ser desempenhadas pelo sector privado : quase nunca é uma questão de produtividade ; por razões largamente conhecidas e como tem sido históricamente comprovado, o privado é mais produtivo do que o público.
    Claro que podem sempre existir excepções mas estas são limitadas e, no final, apenas confirmam a regra geral.
    Duvido que os correios sejam uma dessas excepções. Os correios privatizados funcionam normalmente e, sobretudo, deixaram de ser mais um peso num Estado que está hoje sobredimensionado e que tem funções muito mais importantes para desempenhar do que estar a distribuir o correio...

    No que se refere aos rendimentos dos funcionários públicos, o que eu disse é que o que eles desceram nos anos a seguir a 2010 não foi muito mais do que a descida de rendimentos que também afectou as pessoas ligadas ao sector privado e que, para mais, aquela descida é muito menos do que a subida que tinham registado nos anos anteriores à crise, subida esta que foi então bem superior à que se verificou no sector privado no mesmo periodo (ver, por exemplo, "Public Wages in the Euro Area", Occasional Paper n°112/June 2010, ECB, que indica que, em Portugal, entre 1999 e 2008 [portanto, sem sequer contar os aumentos excepcionais dos vencimentos dos funcionários públicos em 2009], o crescimento acumulado das remunerações por empregado no sector público foi de 58% contra 35,3% no sector privado).
    Não há nada de "confuso" : desde há muito que os funcionários públicos vinham tendo aumentos bem superiores aos do sector privado e as descidas a partir de 2010, que afectaram todos os sectores, para além de serem bem menores do que as subidas anteriormente acumuladas também não alteraram significativamente o desequilibrio acumulado favorável aos funcionários públicos.

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