Até concedo que a nomeação de Rui Machete tenha sido mais uma aselhice de Passos Coelho, afinal o maior pilantra à face da terra. Mas porque desconfio de unanimismos, no que às recentes declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros refere, deixem-me que vos diga que elas têm o condão de recentrarem por momentos a nossa agenda política no ponto certo, mesmo que inconveniente para o jogo de sombras da política. Recapitulemos, então: na impossibilidade do Estado se financiar nos mercados para cumprir as suas obrigações, o governo socialista em 2011 negociou e assinou um memorandum (o qual todos os comentadores regimentais referiam ser demasiado exigente para quatro anos, facto que impossibilitaria os gabinetes de quaisquer veleidades - leia-se "ideologia") que coloca o país sob protectorado dum sindicato de financiadores, sob a condição de um duríssimo ajustamento económico-financeiro. Por mais que alguns pretendam hoje fazer passar despercebido, eram desde o início facilmente previsíveis os resultados (ou a falta deles) da terapêutica a que estávamos destinados. Enquanto a verdade for tratada como mera inconveniência, estamos condenados a esta austera, apagada e vil tristeza.
Espero que "pilantra" seja ironia. Afinal, o primeiro ministro está a agir correctamente, cumprindo as suas obrigações perante os credores e pondo o país na ordem, como pessoa de bem.
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ResponderEliminarMas quem implementou o programa foi o atual governo que o achou até pouco ambicioso.
Estes comentários sobre Rui Machete fariam sentido se a contestação às suas palavras partisse só da oposição. Já dizer que o homem acertou quando o primeiro ministro e o vice primeiro ministro o vieram desmentir parece um pouco exagerado.
Ou são Passos Coelho e Paulo Portas que mentem e a afirmação sobre os 4,5% é verdade?