Henrique Monteiro na sua coluna no Expresso do passado Sábado lamentava-se da transformação da política num jogo de criação e gestão “casos” tão estéreis quanto retumbantes. É um facto inegável que os políticos acabam sequestrados, quando não cúmplices desta perversa lógica, que relega para segundo plano aquilo que deveria ser o seu verdadeiro e nobre objecto, o ensaio e a estratégia para a boa governaça da coisa pública. Mas o certo é que do outro lado da moeda está um implacável mercado noticioso (de que são protagonistas jornalistas como o Henrique Monteiro) que cada vez mais depende da abundancia desses “casos”, para satisfação de umas ou de outras clientelas: com um ou dois por semana se incendeia o espaço público, aumentam tiragens e exponenciam page vews através das redes sociais.
É exemplo do que atrás refiro o fenómeno que ora assistimos; o da avidez de certo jornalismo de, para lá da notícia planetária que constitui a resignação do Papa, em encontrar um “caso”, quem sabe até algum enredo opaco e perverso à moda dos romances de cordel de Dan Brown. Assim é, entretidos atrás dum mosquito na outra banda, deixamos escapar o elefante ao nosso lado,
Foto: Alessandro Di Meo no jornal i
ResponderEliminarA qualidade do Jornalismo estará inevitavelmente ligada a esse "jogo de criação e gestão “casos” ".
Não é fácil essa gestão, mas é escandalosa a falta de isenção ideológica a que se assiste...
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/enquanto-o-jornalismo-dormia.html (http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/enquanto-o-jornalismo-dormia.html)
tem toda a razão no que diz, pricipalmente em relação ao jornal de "referência", um perfeito criador/alimentador de casos!
ResponderEliminarAlexandre