terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Quanto pior, mais vende?

 



 


Pela enésima vez a revista Sábado surge nas bancas trazendo a tema de capa os pretensos vícios e taras das nossas ancestrais elites. A mensagem subliminar é a de que a m…é toda a mesma; de D. Afonso Henriques, um tarado que batia na mãe ao jovem D. Manuel II que se amancebou com uma corista de vaudeville, todos eram igualmente pervertidos como o lado mais obscuro de toda a gente. A exploração do mais básico voyeurismo popular, com este tipo de artigos sensacionalistas só cola devido ao ressentido preconceito indígena e à proverbial ignorância dos portugueses quanto à sua História. De resto, os que alimentam esta cultura desconstrutiva do escãndalo, seguem um conhecido guião revolucionário, os intentos daqueles que anseiam por um povo mais e mais desmotivado, verdadeiramente órfão de grandeza e pobre de ideais. Quanto pior, melhor!


 


Adenda: obrigatório é ler este texto do Nuno Resende

3 comentários:

  1. Caro amigo, discordo de si, esta sempre foi uma característica humana, o mexerico, já na antiguidade era assim, mesmo em Roma e Atenas, os atenienses puniram Sócrates também pelos seus prazeres com jovens rapazes (sim porque parece que os gregos não eram assim tão liberais nos costumes), os romanos usavam as venturas e desventuras (mesmo sexuais) para ataque político!
    O Cristianismo pretendeu combater a imoralidade helenista e restaurar os valores da iurtis, fides e pietas romanas.
    Savaranola atacou os bórgias pela sua depravação e imoralidade.
    O ser humano quer saber de todos os pormenores da vida humana, mesmo os mais sórdidos.
    Mesmo o grande Cícero atacou o ditador César e Marco António nas suas filapácias por serem sodomitas.

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  2. Um furo jornalístico de todo o tamanho. Tenho a certeza que este tipo de escândalo é muito superior ao do BPN, ao salário dos gestores de empresas publicas, de gente receber a várias reformas milionárias, ao Freeport, ao processo "Face oculta", à colocação de boys em lugares de chefia, a "inginheiros" técnicos, a contrapartidas de submarinos, a 11% de desempregados, a 7% de juros da divida publica... ups! Tinha me esquecido que em Republica não existem escândalos.

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  3. Meu caro,tudo o que diz é històricamente verdade,mas eram mexericos desse tempo e "mexericados" nesse mesmo tempo,em tempo real.Do que esta revista fala já se passou há muitos séculos ,e não são mexericos.São revistas e jornalistas assustados e acossados,quem sabe se pelo azul e branco que paira por aí no ar...

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